Tim Ferriss e a semana de 4 horas

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Tim Ferriss

Estou dividida: ainda não sei dizer com absoluta certeza se gostei do livro do Tim Ferriss.

Revolucionário? Sim, sem sombra de dúvida.

Inesperado? Também.

Inspirador? Tem a sua quota-parte.

Realista? Pronto, fui apanhada…

Bom, mais devagar.

O livro está bem escrito, tem uma boa estrutura e foi fantasticamente editado. As citações foram muito bem escolhidas e o autor sabe ser divertido e cativar a nossa atenção.

Porém, acho que o livro tem o seu quê de perigoso… E já lá irei.

Quando, no início do mês, decidi que ia falar-te sobre Tim Ferriss, não sabia onde me estava a meter. Nunca tinha lido o seu livro. Apenas tinha ouvido uns zunzuns muito vagos a seu respeito e foi mais o título que me captou. Falar deste livro aqui no blogue, num mês em que a intenção era aumentar a nossa produtividade, pareceu-me uma excelente “desculpa” para ler finalmente algo que tanto tinha dado que falar.

4 Horas por semana (The 4-Hour Workweek, no original), livro mais vendido de acordo com a lista do New York Times, foi lançado em 2007 (já passaram quase 10 anos?!) e pôs Tim Ferriss nas bocas do mundo.

Afinal, o que é que este senhor escreveu assim de tão inovador?

A promessa do autor é de que, depois de ler este livro, poderemos escapar ao ritmo das 9h às 5h, viver em qualquer local e juntarmo-nos aos Novos-ricos.

Estamos, diz ele, a guardar o melhor para o fim: passamos toda a vida a sonhar com a nossa reforma, uma época repousada em que cumpriremos os nossos sonhos de viagens, descanso, novas aprendizagens e por aí fora.

Só que, na sua visão, estamos apenas a protelar o sonho: não sabemos se chegaremos à reforma, nem se poderemos, ou teremos, a capacidade de realizar o que passámos a vida inteira a adiar.

Ele defende que é possível fugir ao rangue-mangue, viajar pelo mundo em grande estilo, viver mais querendo menos, obter rendimentos muito superiores ao nosso ordenado, e tudo isto sem ter de passar o tempo a gerir um negócio.

O objetivo último, diz Tim, é impedir que as nossas vidas se centrem apenas e só em trabalho.

O livro cobre pontos bastante relevantes para quem procura ser mais produtivo e libertar-se de algumas tarefas. É igualmente interessante para quem quer ser empreendedor e começar o seu próprio negócio. 

O método do autor conta com 4 passos, que ajudarão quem não gosta do seu trabalho a libertar-se:

Método D E A L:

Definição – O que fazer com a nossa vida e como encarar as regras deste novo “jogo”

Eliminação – Menos é mais: como trabalhar mais em menos tempo

Automatização – Entrar em modo piloto automático e, ainda assim, gerar rendimento

Libertação – Tornar-se móvel e, quem sabe, deixar o escritório, seja por alguns dias (trabalhando a partir de casa), ou para sempre…

Depois de ler o livro (duas vezes) considero-o simultaneamente interessante e perigoso.

Comecemos pelo que faz dele interessante:

Ao lermos a experiência do autor, aquilo que ele faz e como o conseguiu, começamos a questionar-nos sobre a nossa própria vida, as nossas escolhas, os nossos ritmos. Serão estes impostos pelo mundo capitalista em que vivemos, ou estaremos realmente a fazer aquilo para que fomos talhados e que nos faz felizes?

Eu sei, esta é uma questão que paira constantemente sobre as nossas cabeças: a vida será só isto? Trabalhar, trabalhar, correr de um lado para o outro, obedecer a um patrão, e depois deixar este mundo? Passar a semana em contagem decrescente para o fim de semana, que voa e não dá para nada? Ou à espera de umas férias que nos façam escapar e que nos permitam fazer coisas diferentes e que nos farão sentir mais vivos? Por quantos mais anos terei de fazer o que faço? Quando poderei, finalmente, descansar e/ou fazer o que realmente gosto?

O sonho do milhão de euros, da riqueza “fácil”, do dinheiro que tudo permite, que tudo traz. Será realmente possível fugir a tudo isto e ser mais feliz noutro sítio, a fazer outra coisa, sendo uma pessoa diferente?

A mente divaga e ficamos à espera da receita mágica.

“Tens a receita, não tens, Tim?”

Primeiramente, o autor faz-nos pensar naquilo que realmente queremos fazer com a nossa vida: continuar no rangue-mangue, ou voar mais alto, ganhar dinheiro a sério, largar o emprego e correr o mundo?

Por momentos, é claro que escolhemos a segunda opção.

“Vá, Tim, o que é que se segue?”

Entramos então nos capítulos do livro de que mais gostei e que, para mim, valem uma leitura atenta.

O livro foca:

  1. Como eliminar excessos da vida: destralhando e simplificando.
  2. Como trabalhar melhor: eliminando tarefas desinteressantes e contraproducentes e otimizando os métodos de trabalho.
  3. Como ser mais produtivo: reduzindo as distrações (low-information diet), reduzindo o tempo passado a gerir Emails e desenvolvendo um maior foco.
  4. O segredo do Tim para fazer mais em menos tempo: externalizar tarefas. É, esta pode ser um pouco extrema.

Estes capítulos foram importantes para mim, ainda para mais num momento como este, em que estou focada em produtividade e busco, quase desesperadamente, por formas de otimização de tarefas: como o peixe quer água, eu quero fazer menos!

As suas dicas foram um grande alerta para o facto de que, muitas vezes, me perco e acabo por complicar a minha vida em demasia.

No entanto, passada esta fase, o livro entra em campos que eu considero perigosos. Porquê? O autor começa a explicar como podemos começar um negócio próprio que seja altamente rentável e fácil de gerir, mencionando lucros mensais e anuais que me parecem demasiado altos para serem verdade…

Estaremos a falar de coisas ilegais, ou quanto teremos realmente de trabalhar, ou quantas pessoas teremos de começar a gerir e a incluir na nossa organização, para conseguir tamanhos lucros?

Tim diz que não é preciso uma montanha de empregados, mas eu desconfio: “É esta a tua receita, Tim? De certeza que não tens aí mais nada guardado?”

Em súmula, Tim prendeu a minha atenção quando me falou de otimização de tarefas, de perder menos tempo com Emails, de maior produtividade, de conseguir mais em menos tempo.

E não vou negar que a possibilidade de deixar a vida das 9h às 6h (Bolas! Trabalho mais uma hora do que os Americanos…) e fazer algo meu, nos meus termos, me seduziu.

Criei este blogue e tenho planos de futuro para ele. Quero construir algo a partir daqui de que me vou orgulhar. Tim conseguiu apelar a esse meu lado.

Porém, as secções em que o autor sugere que se criem negócios que envolvem testar anúncios online (agir como se tivéssemos mesmo um produto para vender apenas para ver a reação dos consumidores), encontrar artigos para vender que sejam altamente rentáveis, ter de lidar com distribuidores, fabricantes e usar técnicas de venda que me parecem, no mínimo, rebuscadas, deixaram-me confusa e vigilante.

“Então, é isto, Tim? Vender a alma ao comércio pelo comércio? Ao capital pelo capital? E a satisfação com o contacto humano? E o facto de eu acreditar em simplificar, tal como tu, Tim, mas achar que não devemos estar sempre a comprar e a comprar? O mundo não será sustentável dessa forma. Não está certo, Tim!”

Eu sei que o ser humano irá sempre precisar de objetos, de bens, e que o mundo irá continuar a dançar a “música” do capitalismo.

Mas há que ter escolhas, não?

É bom elevar os nossos padrões, almejar mais e melhor e não nos devemos contentar com pouco, mas parece-me que este livro vai longe demais.

Tim Ferriss fez uma escolha de vida: escolheu viver de acordo com os seus próprios termos e consegue rentabilizar isso ao máximo. Viagens por todo o mundo, experiências fora do vulgar, dinheiro a rodos…

Contudo, sugerir que toda a gente pode fazer como ele, que podemos todos ser comerciantes, vender tudo o que queremos a toda a gente, parece-me um pouco inconsequente…

Então, em jeito de resumo, aprendi bastante com o autor sobre otimização de tempo e de tarefas. Bom, e também aprendi que a sua forma de fazer dinheiro não é o que quero para mim.  

Só me resta dizer: “Obrigada por tudo, Tim! Até um dia!”

Já tinhas lido este livro? O que achaste? Se não leste, ficaste com curiosidade? Conta-me tudo!

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