Roupeiros cápsula: como cheguei às 27 peças

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1.º aviso prévio: sou a pior pessoa do mundo para dar conselhos sobre o que é que está na moda e/ou falar sobre as últimas tendências. Também não percebo nada de paletas cromáticas (é, parece que há cores que nos ficam melhores do que outras…), nem sei dizer ao certo quais os tons que mais favorecem uma branquela de cabelo e olhos castanhos como eu. E, para ser absolutamente franca, não me importo muito com isso. Mostrei-te o meu roupeiro cápsula não porque acho que toda a gente se devia vestir como eu, mas para poderes ver que este se pode fazer de peças diversas, ter cor, padrões e tecidos diversificados. Sou fã do conceito, sigo alguns blogues que falam sobre o tema e já vi os roupeiros de várias bloggers. Sim, pode dar-se o caso de eu andar a seguir os blogues errados, mas acabo sempre com a sensação de que há demasiado preto, branco ou cinzento em todos eles. Não que eu veja algum problema nisso. A minha cor favorita continua a ser o cinzento. Porém, e sobretudo no Verão, gosto de algo mais diversificado, colorido e alegre. Construí o meu roupeiro tendo isso em mente e decidi mostrá-lo ao mundo para dar a conhecer uma versão que pode ser útil também para ti.

2.º aviso prévio: lê até ao fim, pois vais encontrar uma surpresa muito interessante no final deste artigo.

Posto isto, e dando continuidade à série “Roupeiro Cápsula”, parece-me fazer sentido dar um enquadramento às peças que atualmente uso:

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1 – Partes de cima

A mais antiga é de 2008 e a média de idade das peças desta categoria é de 4 anos e meio. O meu roupeiro cápsula de Verão ficou completo no mês passado, com a aquisição da blusa semi-transparente azul escura. Uma das mais antigas, comprada em 2009 para ser mais concreta, é uma blusa que usei nas minhas duas gravidezes. No ano passado, levei-a a uma costureira e mandei-a adaptar. Tinha uma estima especial por aquela peça, por ter um padrão de que gosto particularmente, por ser versátil e por o tecido ser fantástico para lavar e vestir. De toda a roupa de grávida, esta foi a única peça de que não fui capaz de me desfazer.

2 – Partes de baixo

Aqui há uma peça que bate os recordes em termos de antiguidade: comprei-a em 2004. A média de idades é de 5 anos, no caso desta categoria. As peças de que mais gosto são as calças de ganga. Não ando sempre de ganga porque optei, há alguns anos, por usar algo ligeiramente mais formal no início da semana. Estou seriamente a considerar pôr esta minha regra de parte. Houve uma altura em que a empresa onde trabalho instituiu um dress code, que depois caiu em desuso. Ainda não fui capaz de me readaptar por completo ao informal, mas é provável que tal venha a acontecer em breve.

3 – Vestidos

São aquisições recentes e nem sou uma pessoa muito dada a vestidos. Ou, melhor dizendo, não era. Precisava de algo leve, prático e versátil para o fim-de-semana e acabei por adotá-los. E estou contente com esta decisão.

4 – Calçado

As Havaianas foram adquiridas em 2014 e as sandálias em 2015. Gosto de calçado de qualidade. Para além de confortável, claro. As Havaianas podem não ser os chinelos mais bonitos do mercado, mas tipicamente duram muito tempo. Já tive umas que duraram 12 anos! E são feitas do único material que os meus pés toleram por completo, borracha galvanizada. Sou mais fã de modelos chinelo e tenho dois pares que guardo para quando vou à praia/piscina. Também os meus chinelos de andar em casa são Havaianas. É uma perdição… Estas minhas sandálias Havaianas são o calçado de eleição para os momentos de lazer. Quanto às outras sandálias, tinham de ser práticas, modernas e versáteis e por isso escolhi um modelo sem salto e em dourado, uma cor que fica bem com quase tudo, que dá um toque mais alegre a qualquer combinação e que consigo usar em contextos que vão do informal ao mais formal.

5 – Acessórios

Antes de decidir simplificar, devia ter cerca de 6 ou 7 malas diferentes no armário: eram outra das minhas perdições. Infelizmente, e porque não gostava de gastar muito dinheiro, nunca tinham grande qualidade e estragavam-se com facilidade e, por isso, destralhei-as. No ano passado, decidi investir numa peça de maior durabilidade, feita em couro, que desde aí uso sempre. Até porque descobri o quanto detestava estar sempre a mudar de mala: a possibilidade de me esquecer de trocar alguma coisa deixava-me à beira de um ataque de nervos… Quanto ao cinto, só o uso com uma peça: umas calças que me começaram a ficar um pouco mais largas quando perdi uns quilos. Uma vez mais, optei pelos metalizados por serem fáceis de combinar.

Como podes ver, a maior parte das peças no meu roupeiro já têm vários anos de uso e, mesmo assim, continua em ótimas condições.

Convém mencionar que este meu número mágico, o 27, não inclui peças que pertencem às seguintes categorias: roupa interior, roupa de dormir, roupa de andar por casa, roupa para fazer exercício e roupa de praia (biquínis, por exemplo). Também mantenho estas categorias controladas, mas, para mim, um roupeiro cápsula é o conjunto de peças que uso no dia-a-dia, em contexto profissional e de lazer (que não inclua praia, ou piscina…).

Quando comecei a simplificar o meu roupeiro e a destralhá-lo, fui olhando para as peças que tinha e decidindo o que queria manter e o que já não devia fazer parte do meu guarda-roupa.

Olhava para cada peça e perguntava-me:

  1. Está em boas condições?
  2. Ainda me identifico com isto?
  3. Sinto que me fica bem?
  4. Em que ocasiões do meu dia-a-dia poderei usá-la?
  5. Combina com outras peças que tenho e que gosto de usar?

E, lentamente, os princípios do meu roupeiro cápsula foram-se formando.

As peças adicionadas mais recentemente foram-no depois de considerar durante algum tempo o que fazia falta. E as que retirei há menos tempo, mais concretamente depois da avaliação que precedeu o início desta série, foram removidas essencialmente por já terem muito tempo de uso, ou por serem demasiado parecidas.

Desde que adotei uma vida mais simples, vou muito menos às compras: passar horas num pronto-a-vestir, ou a saltitar de loja em loja num shopping, deixou de ser apelativo para mim. Descobri que há coisas bem melhores para fazer com o meu tempo e com a minha energia mental.

Antes eu achava que as pessoas me valorizavam pela roupa que eu usava: pela variedade, pela qualidade, pela beleza. Pensava que a forma como me vestia transmitia algo mais. Não é que efetivamente não o faça. No entanto, tudo depende sempre de quem olha. E qualquer julgamento que outra pessoa possa fazer a meu respeito só por olhar para a minha roupa dirá mais sobre ela do que sobre mim. Eu não sou a minha roupa e a minha roupa não sou eu!

Hoje em dia, visto-me para mim, para o meu prazer, porque gosto de me ver com determinadas peças, ou porque aprecio uma determinada cor.

Construir um roupeiro cápsula tem a ver com tudo isto: estar em sintonia com o nosso gosto pessoal, com aquilo que nós achamos que nos fica bem, com a roupa que nos faz sentir como estando no nosso melhor e que se adapta a todos os nossos contextos diários: trabalho, ou lazer, e situações mais, ou menos, formais.

Conta-me, como vai a construção do teu roupeiro cápsula?

Para te ajudar nesta tarefa, elaborei uma Ficha de Trabalho intitulada “Cria o Teu Roupeiro Cápsula” que podes descarregar aqui .

Caso precises de mais dicas, comenta o post.

A série Roupeiro Cápsula vai continuar, por isso não percas os próximos artigos!

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4 thoughts on “Roupeiros cápsula: como cheguei às 27 peças

    1. Olá Sofia.
      Para mim também é um tema muito interessante
      E gosto sobretudo dos efeitos que este aspecto tem no resto da minha vida.
      Obrigada pela visita.
      Bjs.

    1. Olá Sofia
      Quando experimentei o conceito do Project 333 tinha realmente as 33. Mas depois de ter experimentado e ter gostado tanto, fui adaptando o que tinha e não voltei a contar as peças. Só agora, quando comecei esta série, é que contei e fiquei surpreendida por o número ser este. Pensava ter muito mais! Quando se gosta de tudo o que se tem, mesmo o que parece pouco é mais do que suficiente.
      No entanto, para mim não é o número que importa, mas sim como nos sentimos com o que temos e usamos e o que ganhamos com a simplificação inerente.
      Obrigada!
      Beijos grandes.

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