As refeições: para alimentar a reflexão!

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Vivemos numa época em que este é um tema absolutamente controverso: o que é comida saudável? Que alimentos são certos, ou errados? Tenho de fazer dieta, ou posso comer tudo o que quero? Qual a melhor forma de me alimentar e de alimentar a minha família? Só a comida caseira é saudável? A fast-food é permitida de vez em quando? E as refeições pré-preparadas, tentadoras, não são?

Grandes dilemas!

O estudo Balança Alimentar Portuguesa, publicado pelo INE em Novembro de 2010, indica que no “período decorrido entre 2003 e 2008 acentuaram-se os desequilíbrios da dieta alimentar portuguesa. Excesso de calorias e gorduras saturadas, disponibilidades deficitárias em frutos, hortícolas e leguminosas secas e recurso excessivo aos grupos alimentares de “Carne, pescado, ovos” e de “Óleos e gorduras” caracterizaram a alimentação em Portugal, nesse período. “

E, num estudo de Julho de 2015 da Direção-Geral da Saúde de Portugal, intitulado A Saúde dos Portugueses, ficamos a saber que a má alimentação é o que nos tira mais anos de vida!

Pois é, nutrir o nosso corpo de forma adequada tem muito que se lhe diga. Se a isto adicionarmos a responsabilidade de nutrir também os que nos são mais próximos, tudo parece ficar ainda mais complicado.

Ter tempo e imaginação para cozinhar todos os dias é um desafio de proporções quase épicas. Eu que o diga, já que esta é, sem sombra de dúvida, a área da minha vida doméstica que está mais distante daquilo que idealizo para a minha família e para mim.

Até ao nascimento do mais pequeno, o assunto estava dentro dos parâmetros que eu considero normais. “O que é isso?”, perguntas tu. Bom, conseguíamos ter as refeições organizadas de forma a haver comida suficiente para os adultos almoçarem nos escritórios respetivos e para todos jantarem em casa durante a semana.

A correria diária dita que cheguemos a casa bastante tarde e já não conseguimos ter energia para cozinhar àquela hora. O facto de a cozinha ficar caótica depois disso também não ajuda.

As únicas duas soluções viáveis são comer fora (comprando comida já feita fora de casa, ou recorrendo a restaurantes, entenda-se), ou deixar as refeições preparadas no fim de semana. A alternativa ideal é, logicamente, a segunda, por motivos de saúde e, claro está, por motivos económicos, pois ainda há um orçamento para gerir e cumprir.

Naquele tempo, conseguíamos cozinhar, ao sábado e ao domingo, em quantidade suficiente para as várias refeições. Esporadicamente, também como forma de sair um pouco da rotina, jantávamos fora de casa.

O mais novo nasce e “perdemos o comboio” das refeições caseiras. Não é logo, logo, óbvio, porque estive alguns meses de licença de maternidade, mas, assim que regresso ao trabalho, não consigo descobrir em mim nem tempo, nem energia, nem disponibilidade para os tachos e para as panelas.

E esta é uma situação que se “arrasta” desde esse momento. Encontrámos uma alternativa interessante, A Marmita, porém não é a solução que queremos para nós no médio/longo prazo. Estamos a tentar que, de forma muito gradual, consigamos voltar a cozinhar mais.

Tenho feito os possíveis por usar a aprendizagem que advém desta situação para tentar lidar melhor com o facto de as crianças pequenas serem exigentes, absorventes e, claro está, maravilhosamente doces. Utilizo esta experiência para aprender a perdoar-me por não ser “perfeita” e por não conseguir fazer tudo e chegar a todo o lado. Sou humana e apenas faço todos os possíveis por dar o melhor de mim.

E se há coisa que aprendi é que o melhor de mim é estar lá quando precisam de mim, estar presente e dar a atenção necessária.

Eu sei que este deveria ser um post sobre refeições caseiras e talvez esperasses receitas, mágicas ou não, sobre como alimentar toda a família por pouco dinheiro, ou como cozinhar para um batalhão em apenas 11 minutos e trinta e sete segundos, só que não é isso que tenho para te dar, porque também ainda não encontrei essas receitas.

Quero apenas relembrar-te de que os ideiais de perfeição que temos nas nossas cabeças nos podem estar a fazer sofrer sem necessidade e que te deves tentar libertar das suas amarras. Estás apenas a dar o teu melhor. Como podes saber? O sorriso de quem te ama dir-te-á.

Procura o sorriso.

Sê feliz. Sê saudável.

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