Project 333, ou o que diabo são Roupeiros Cápsula?

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Em Fevereiro, no âmbito do tema da organização doméstica, falámos sobre destralhar (aqui e aqui). E partilhei contigo um guia para Destralhar sem Dramas. Este conceito é, obviamente, extensível à roupa. Toda ela: a do dia a dia, a roupa interior, os atoalhados, a roupa da cama… E não termina apenas na roupa: calçado e acessórios também se incluem.

Se estás em plena jornada de simplificação, não deves descurar este aspeto.

Houve um tempo em que éramos apenas 3 e a situação da roupa já era preocupante: os nossos “trapos” ameaçavam deixar de caber lá em casa. Com a arrecadação incluída! Alternar a roupa entre estações implicava umas quantas viagens a esta divisão, algo que não me agradava particularmente e me fazia protelar a troca da roupa de inverno pela de verão e vice-versa. Até que chegava momento em que não tinha mais como fugir, pois não ia, com toda a certeza, usar camisolas de gola alta em Agosto!

Alturas havia em que perdia a noção de onde andavam certas peças, sobretudo casacos de inverno. Ainda tentei implementar um sistema de listas de “artigos que estão na arrecadação”, mas depressa percebi que este era difícil de manter e, consequentemente, inútil.

Deu-se, então, a época do “grande destralhamento” (em 2012/2013) e estipulei que toda a roupa que precisássemos durante o ano tinha de caber na mobília lá de casa. E, já agora, que não podia comprar mais móveis. E também não valia guardar camisolas no aparador, nem nada do género.

Foram vários os sacos que enchi com roupa para dar. Onde é que tudo aquilo estava guardado? Acredita, nem eu própria sei! Entre a roupa dos três, o calçado e todos os acessórios que tínhamos acumulado, era deveras impressionante como é que todos aqueles pertences tinham cabido numa só casa.

Durante a minha senda de simplificação têxtil, descobri um conceito que achei surpreendente: o Project 333. E, consequentemente, os capsule wardrobes, ou roupeiros cápsula, traduzindo à letra.

Courtney Carver, autora do blogue Be More with Less e confessamente uma das minhas grandes inspirações, criou este projeto em 2010. Depressa este se tornou um sucesso e inspirou pessoas de vários pontos do planeta a reduzir a quantidade de roupa nos seus armários e a simplificar a sua forma de vestir e, por consequência, as suas vidas.

Este é um projeto que começa por te ajudar a modificar o teu armário, mas, cedo percebes, acaba por mudar todo o resto da tua vida: as manhãs, por exemplo, tornam-se mais fáceis, já que o “por Deus, o que é que vou vestir hoje?!” deixa de ser a primeira pergunta que fazes quando abres o roupeiro. Sim, o stress do “tanta roupa, mas nada para vestir” pode passar a ser uma coisa do passado.

Quando vês o quão simples se torna gerir esta área da tua vida, não tens como não concordar que simplificar outras dimensões da tua realidade é o caminho para uma vida melhor.

Tempos houve em que sonhei com um closet, um daqueles roupeiros em que entras lá dentro e consegues ver toda a tua roupa. No entanto, agora só quero móveis desimpedidos e arejados. (Não, não estão vazios.) Só assim consigo ver tudo o que tenho para vestir. E confesso que gosto do que vejo.

Um pequeno segredo: a maior parte das manhãs visto-me na penumbra, sobretudo quando é muito cedo e o bebé ainda está a dormir. Caso não tivesse simplificado o meu roupeiro, creio que isso não seria possível. Contudo, como sei exatamente o que vou vestir e como sei de cor onde cada peça está, consigo vestir-me em 3 minutos sem complicações. Resultado: mais tempo para dar atenção aos miúdos e para saborear o pequeno-almoço.

E devo estes belíssimos resultados ao Project 333.

A génese: vestir apenas 33 itens durante 3 meses. O que conta para os 33? Roupa, acessórios, jóias, vestuário exterior e calçado. Escolhes as 33 peças de que mais gostas para usar nos próximos 90 dias. Qualquer altura é boa para começar e, mesmo que haja flutuações climatéricas durante esse período, é permitido alternar peças (remover e adicionar, desde que não sejam mais do que 33).

Eu sei, estás a rever a tua roupa mentalmente e a pensar que este conceito é pura loucura. Creio que esse também foi o meu primeiro pensamento. Mas decidi dar o benefício da dúvida e fazer uma lista das peças que tencionava usar nos 3 meses seguintes.

Fiquei surpreendida por o número ser muito aproximado. Uns cortes daqui e uns acrescentos dali e a lista ficou completa. Comecei a experiência no dia seguinte e fiquei fã. Fazia todo o sentido!

Aproveitei para me livrar de mais alguma roupa de que já não precisava e, em troca, ganhei um guarda-fatos organizado e fácil de gerir.

Esta mudança levou a que diminuísse consideravelmente a compra de roupa. Dantes, estava sempre ansiosa por que começasse a época de saldos. Parte de mim acreditava que a felicidade passava por ter roupa nova para estrear em certos momentos do ano. Parte de mim achava também que, já que trabalhava tanto para ganhar dinheiro, era mais do que justo gastá-lo em mim, em roupas novas, que me fariam sentir melhor comigo própria. E parte de mim pensava que fazer compras era uma forma divertida de passar o tempo.

Naquele tempo, as minhas ações e a minha forma de pensar eram o produto acabado da sociedade consumista. Havia dinheiro no banco e não se previam adversidades. Eu sentia o chamado da novidade, da emoção de ter algo novo que podia chamar meu, que tinha comprado com o meu “suor”. Deixava-me afetar pelo poder da publicidade e tinha entrado no jogo das aparências. O ter estava a sobrepor-se ao ser.

No entanto, decidi pausar o que estava a viver e a sentir e refletir sobre o rumo que estava a dar à minha vida. Por que motivo, perguntei-me, ter mais e mais se estava a tornar tão importante? Por que é que comprar mais roupa na próxima época de saldos se tinha tornado um objetivo? E o que acontecia ao que já tinha?

É muito curiosa esta nossa mentalidade: gostamos de ter roupa nova, de estrear roupa, de ter mais peças e mais por onde escolher. Compramos um novo par de sapatos e dizemos “ah, deixo os novos para ‘melhor’ e continuo a usar os mais antigos”. O problema é que teremos sempre apenas dois pés. Se bem pensarmos, as possibilidades de usar todos os pares que temos, ou alguma vez teremos, são limitadas.

Foram as respostas às minhas perguntas que encontrei no movimento simplista/minimalista e foi o Project 333 que me deu o impulso que eu realmente precisava para transformar a minha vida.

Se te sentes como eu me sentia quando abria o roupeiro de manhã e tentava decidir o que vestir (acabando por vestir quase sempre o mesmo…), se queres dar ordem ao caos que o excesso de roupa provoca na tua vida e se tens a certeza de que este é o momento certo para começar a poupar tempo, dinheiro e energia mental, esta iniciativa é para ti.

O Project 333 vai garantidamente mudar a tua vida. Para melhor. E para mais simples!

Gostava de saber tudo sobre o teu caminho de simplificação do guarda-roupa. Conseguiste chegar às 33 peças? Menos, mais? Conta-me tudo!

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