Ter menos roupa vai ajudar-te a ser mais feliz!

menos-roupa-mais-feliz

Lidar com a nossa roupa não é fácil. Esta é, afinal, uma vertente da imagem pessoal a que a maior parte das pessoas dá bastante importância. E há muitos aspetos do nosso ser que transmitimos dessa forma: cores favoritas, estilos preferidos, seriedade, ou descontração, se estamos de bem com vida, ou se, por outro lado, algo de menos positivo aconteceu. 

Muitas vezes, também usamos esta via para julgar as outras pessoas e, dessa maneira, avaliar a sua “posição na vida” e a relevância que poderão assumir na nossa vida.

“Bem vestido”, ou “mal vestido”, são expressões que usamos com frequência para classificar outras pessoas, ou até mesmo nós próprios, numa ou noutra ocasião.

Porém, até que ponto é que isso fala sobre nós? Até que ponto isso faz sentido? E, sobretudo, parece-me, até que ponto isso faz de nós pessoas mais felizes?

Um fato da marca XPTO, uns ténis XPTZ. Uma mala em pele de crocodilo, um relógio de ouro. O que é que estamos, realmente, a tentar comunicar com o mundo: o quanto temos, o nosso bom gosto, o quê?

E fará sentido?

Quantas vezes compramos uma peça só por impulso, sem ter verdadeira noção, por exemplo, se fica bem com o que já temos no guarda-roupa? E se aquilo que comprámos só por comprar não combinar com o resto? Ou deixamos aquela peça de lado, ou teremos de fazer o resto do nosso roupeiro ir de encontro a ela, levando a que se adquira mais e mais.

Nesta época do pronto-a-vestir, do pronto a descartar, pouca coisa parece ter valor. Cresci nos anos 80 e 90. Até ao “boom” económico a que assistimos no nosso país em meados dos anos 90, pelo menos na cidade onde eu vivia, as lojas de roupa eram limitadas. A variedade não era nada por aí além, no entanto havia alguns padrões de qualidade e a roupa era valorizada e estimada.

Após esse tal “boom” económico, lojas menos dispendiosas, mas, consequentemente, de menor qualidade, fizeram a sua entrada em força e passámos a olhar para a roupa como um bem muito mais acessível, que se podia comprar em maior quantidade, porque tinha ficado consideravelmente mais barato. Podíamos ter mais e gastar o mesmo que antes.

Só que, como que no reverso da medalha, a qualidade e a durabilidade acabaram sacrificadas.

E quanto às outras consequências? Para a nossa carteira, para o nosso bem-estar e para o Ambiente? Passámos a gastar mais dinheiro nestes bens e a ter mais objetos para cuidar. E não nos esqueçamos que vivemos num planeta com recursos limitados…

É mesmo isso que queres para ti? Diminuir os teus recursos monetários, passar mais tempo a cuidar de mera roupa e contribuir para o declínio da qualidade de vida do planeta Terra? Eu acho que não. Pelo menos, eu sei que não é isso que quero para mim.

Tens a cama feita? “Pe-pe-pera lá! O que é que isso tem a ver com tudo o resto?”, perguntas. Já vais perceber.

Arranja dois sacos grandes e mantém mais uns quantos de reserva. Escolhe uma peça de mobiliário onde tenhas roupa guardada. A cómoda? Boa ideia! Abre a primeira gaveta, tira tudo para fora e põe em cima da cama (“Ah-ah!”, pensas). Vamos lá destralhar!

Separa de acordo com os seguintes critérios:

  1. Já não está em condições de ser usado.
  2. Pode ser reutilizado, ou reusado, por outra pessoa que não eu, porque já não me identifico/não me faz falta esta peça.
  3. Gosto e quero continuar a usar.
  4. Não tenho a certeza (critério opcional): guarda estes itens fora de vista durante 60 dias e reavalia ao fim desse tempo. Se não te fez falta, parece-me que pode ir para o segundo saco.

De cada vez que encheres um saco, determina como te vais ver livre dele:

  1. Se já não tem reutilização possível, recicla logo que possas.
  2. Se ainda pode vir a ter uma nova vida, dá a alguém que conheças que apreciará esses artigos, ou doa-os a uma instituição de caridade, a muito breve prazo.

Quanto à roupa que fica, se é uma peça que é do teu agrado e sentes que faz parte do teu estilo essencial, volta a guardá-la.

Repete as vezes que forem necessárias.

Como te sentes? Leve? Eu sei!

Em Fevereiro, falámos sobre destralhar (aqui e aqui) no It’s (not) so simple. E partilhei contigo um guia para Destralhar sem Dramas.

Agora aconselho-te que estendas este conceito a toda a tua roupa: a do dia a dia, os pijamas, a roupa interior, os atoalhados, a roupa de cama. E não termina apenas na roupa: pode estender-se ao calçado e aos acessórios.

Se estás em plena jornada de simplificação, não descures este aspeto.

Ter menos roupa ajuda-te a ser mais feliz, porque te permitirá libertares-te do peso que o teu vestuário tem na tua vida. Já sabes, menos coisas para cuidar, mais tempo para disfrutar do que mais gostas.

Destralha a tua roupa e sê feliz.

No próximo post levaremos a simplificação do teu roupeiro ainda mais além, ao falarmos sobre o Project 333, da Courtney Carver que, desde 2010, tem vindo a mudar a forma como muitas pessoas, eu incluída, veem a sua roupa e o modo como encaram e gerem este aspeto das suas vidas.

Até lá, gostava de saber o que é que já destralhaste e como te sentiste depois disso? E quais os teus maiores desafios neste campo?

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *