Por que é que o ser humano precisa de hábitos e rotinas?

 

Hábitos e RotinasQuando penso em hábitos e rotinas, a primeira coisa que me vem à cabeça é a minha manhã nos dias em que vou trabalhar. Lembro-me de todos os passos que tenho de dar para ter tudo pronto e poder sair de casa satisfeita e com o mínimo de sobressaltos.

Porque este mês é dedicado à organização pessoal, vou focar-me em hábitos individuais. É claro que, em muitos casos, as nossas rotinas estão interligadas, ou interdependentes, das rotinas das pessoas que vivem connosco, mas tentemos abstrair-nos disso por agora, se possível.

Como se forma um hábito? Esta é uma pergunta interessante e que faz com que tenhamos de recuar até ao tempo em que nos lembramos de ter começado uma determinada ação com a frequência necessária para que esta entrasse na nossa rotina.

Olhemos para um hábito “primário”, como beber água. O que te leva a fazê-lo? Tens uma necessidade básica, da qual depende a tua sobrevivência, que é a sede. O teu corpo pede a supressão dessa necessidade, ou, em casos extremos, entrará em colapso. Para impedir que isso aconteça, tens enraizada em ti a premência de ingerir líquidos para manter a tua hidratação. O teu corpo envia-te sinais – boca seca, dores de cabeça, ou em casos um pouco mais preocupantes, rigidez nas articulações, cãibras, dormências ou perdas de força muscular – e tu sabes como reagir a estas sensações.

Assim se formam os hábitos, dos mais primários, aos (aparentemente) mais fúteis, e até mesmo aos chamados “maus hábitos”: sentimos uma necessidade e colmatamo-la com uma determinada ação. Se o sentimento for de satisfação, quando uma situação semelhante se voltar a apresentar saberemos como agir. E eis que nasce o hábito.

O que fazes assim que te levantas de manhã? Ligas o telemóvel? Vais à casa de banho? Abres o frigorífico? Qual é o primeiro desejo que sentes a premência de satisfazer? Como é que isso se tornou parte de ti?

Quando entramos no campo do estudo das rotinas, ouvimos falar do “circuito dos hábitos” (a minha tradução do Inglês habit loop), descobrimos como estes se formam e aprendemos que o que despoleta uma determinada prática é uma sugestão, ou deixa. Seguindo essa sugestão, efetuamos uma determinada ação para obtermos a nossa recompensa. Por exemplo: são quatro da tarde, o cansaço do dia começa a instalar-se, o almoço já lá vai e apetece-te algo doce para “renovar” as tuas forças. Como satisfazer essa necessidade? Onde está o doce mais próximo? Na despensa, no café da esquina, na gaveta da tua secretária?

A deixa: são quatro da tarde e este dia está a ser difícil. O hábito: ingerir algo doce. E a recompensa? O teu corpo fica satisfeito e a tua energia renova-se, ainda que só por momentos. Pois é, por este altura, o teu cérebro já sabe que despoletar a deixa do “algo doce” levará à libertação do torpor que parecias estar a sentir e que, depois de cumprido o circuito do hábito e satisfeito o desejo, haverá a recompensa do prazer. E isso é poderosíssimo na criação de hábitos e rotinas.

Todos temos bons e maus hábitos. Todos temos hábitos que gostávamos de conseguir “perder”. Tenho uma má notícia: de acordo com os especialistas, os maus hábitos não se perdem. A parte boa é que, com o estímulo certo, é possível substituí-los por outros mais positivos.

Para muitos fumadores, a título de exemplo, a solução para deixar de fumar passa por substituir o cigarro por pastilhas elásticas, ou algo semelhante. Pelo menos foi assim que algumas pessoas que me são próximas conseguiram modificar esse comportamento. O seu corpo ansiava por algo que as fizesse relaxar, que ajudasse a diminuir a tensão. A resposta antiga era puxar de um cigarro e deixar a nicotina fazer o seu trabalho. Quando tomaram a decisão de modificar esse hábito, de cada vez que o cérebro “sugeria” uma pausa, optavam por mascar uma pastilha, observar o seu comportamento e deixar o seu organismo atingir o estado desejado de uma forma que não envolvesse o antigo hábito.

Modificar hábitos e rotinas pode ser difícil e moroso, sendo por vezes um percurso cheio de tentativas e erros. Há que observar de perto as nossas sensações, reações e a forma como o nosso cérebro se comporta perante a privação da recompensa “adorada”.

Haverá, com toda a certeza, rotinas mais fáceis de modificar do que outras. Tudo dependerá da importância que aquela recompensa tem para nós. No entanto, não é impossível. Tenho a certeza de que na tua vida já conseguiste alterar hábitos que não te traziam nada de positivo: roías as unhas na infância? O que te levou a parar? A tua vida era absolutamente sedentária e passaste a praticar desporto com regularidade? O que despoletou essa modificação?

A capacidade de mudar, de alterar o nosso curso e o nosso destino é algo de absolutamente fascinante no ser humano.

Se gostavas de saber mais sobre o tema dos hábitos, como nascem, como se enraizam e como podem ser a alavanca para o nosso sucesso, recomendo leitura do livro A Força do Hábito, de Charles Duhigg, jornalista do New York Times e vencedor de um prémio Pulitzer.

Este livro mudou a minha forma de ver as rotinas e permitiu-me introduzir alterações muito positivas no meu dia a dia, desde reduzir a procrastinação, até trocar hábitos alimentares e ser mais saudável por essa via.

Podes também saber mais sobre este tema visitando o site do autor e consultando os recursos que este disponibiliza. Aconselho sobretudo a consulta dos fluxogramas sobre a modificação e sobre a criação de hábitos. Atenção: conteúdos em Inglês!

Quer lutes com a criação de hábitos de bem-estar, como fazer exercício, ou modificar a tua alimentação, ou procures energia para acabar a tua obra prima (seja ela um livro, um quadro ou uma escultura), ou busques forças para começar o teu próprio negócio, sabe que são os hábitos e as rotinas que ditarão tanto o teu sucesso, como o teu fracasso.

O segredo está em criar as condições necessárias para a formação do hábito certo. Queres começar a escrever um diário, arranja papel e caneta e estipula um momento para o fazeres. Sonhas com o dia em que serás capaz de seguir uma dieta à risca? Estabelece o teu objetivo (centímetros a reduzir, peso a atingir, ou n.º de roupa que queres vestir), determina quais os alimentos que te serão mais benéficos e define menus que te ajudarão a chegar lá.

Tudo é possível, desde que os hábitos certos sejam estabelecidos.

Diz-me: que rotinas estás a tentar estabelecer? E que hábitos gostavas de ter, ou perder? Boas rotinas!

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *