Fim do sexto desafio: E a felicidade?

mafalda-e-a-felicidade

Imagem retirada daqui.

E se for?

Pois é, cá estamos nós. Chegámos ao fim dos 6 desafios It’s (not) so simple. Conta-me, que tal te sentes?

Eu cá estou no meio de um misto de sentimentos: contente por ter chegado ao fim de todos estes desafios inteira… E um pouco triste por terem acabado. E também um pouco zonza ao aperceber-me de que já se passaram mais de 180 dias e 2016 já vai a meio. Como? Tão rápido?!

Quero fazer um ponto de situação relativamente ao que estes 6 meses de desafios me ensinaram e me trouxeram, mas já lá irei.

Não quero terminar sem falar um pouco sobre felicidade.

Feliz, felizardo, infeliz, felizmente, felicidades,  infelizmente… Quantas vezes ao dia usamos palavras desta “família”?

E quantas vezes te perguntas se és, ou não, feliz?

O que é que achas que te faz feliz? Ou que é que achas que te faz falta para seres feliz? É complexo? Talvez, ou talvez não.

Quando eu era mais jovem, durante a adolescência para ser mais específica, achava que só seria feliz quando tivesse um bom emprego, a minha própria casa, o meu próprio carro, um marido, dois filhos. Acreditava que não havia grande vida antes de conseguir atingir esses objetivos.

Não sei explicar muito bem porque achava isso: não sei se me foi incutido enquanto crescia, como forma de me manter no trilho certo, sem me desviar por caminhos “menos próprios”, se já nasci com esta “pré-configuração”, ou se fui absorvendo as influências da sociedade em que cresci e pelo que fui lendo, ou vendo na televisão.

Não sei dizer.

A única coisa que sei é que, de uma forma ou de outra, passei parte da minha vida a achar que não era (completamente) feliz: que me faltava qualquer coisa, que ainda tinha de lutar mais um pouco, que tinha de me esforçar muito, muito mais, que tinha de procurar mais, viver mais, comprar mais coisas, sei lá.

Eu sei que a adolescência é um período difícil e conturbado nas nossas vidas. Estamos a tentar perceber quem somos e como é que funciona o mundo à nossa volta. E estamos também a tentar aprender com quem nos rodeia como é que nos conseguimos manter à tona e “ser alguém”.

Tenho pena de, naquele tempo, não me conseguir dar conta de que eu já tinha tudo para ser feliz: tinha uma boa família e amigos, todos os dias aprendia coisas novas e maravilhosas e tinha tempo para praticamente tudo. Passei grande parte do meu tempo livre a ler, uma das atividades de que mais gosto na vida. 

E, ainda assim, não parecia suficiente.

Eu sei que a insatisfação é uma característica do ser humano com a qual por vezes é difícil lidar. É natural que queiramos sempre mais um pouco do que o que já temos: faz parte do nosso instinto de sobrevivência, parece-me. E, se pensar bem, acho que consigo perceber que tudo na vida tem um tempo e torna-se natural que, numa fase da nossa vida cheia de tanta energia, achemos que a nossa função é perseguir algo que esteja para além de nós.

Consigo ficar em paz com isso.

Mas, e agora? Agora que tenho tudo o que ambicionei? Sou uma felizarda?

Sim! E não…

“Então, em que ficamos?”, perguntas.

Tenho uma família fenomenal, não me faltam bens materiais (antes pelo contrário, desde que simplifiquei, parece-me que até tenho coisas a mais e passo o tempo a destralhá-las…), trabalho e até consigo (às vezes nem sei bem como) ter tempo para fazer o que realmente gosto: passar tempo com os meus, ler, escrever, aprender, passear…

Sou feliz? SIM. Sou muito mais feliz do que era há alguns anos, sobretudo depois de ter aprendido que SER é melhor do que TER.

Nesse caso, por que é que ainda tenho sentimentos dúbios neste campo? Porque acho que, dentro de nós, há sempre algo que nos diz que havia espaço para melhorar certos aspetos.

Por exemplo, gostava de poder trabalhar menos horas para poder dedicar mais tempo à minha família. Só que, tenho de ser realista, isso não é algo que eu possa mudar com facilidade: as minhas responsabilidades financeiras não vão desaparecer de um momento para o outro.

O que tenho de fazer, então? Modificar a forma como olho para este assunto: devo concentrar-me no meu trabalho e cumprir todas as minhas tarefas para que não tenha de levar trabalho para casa, por exemplo, e, dessa forma, quando estiver com os meus, posso dedicar-me inteiramente a eles.

E, assim, vou construindo a minha felicidade à volta das possíveis limitações que encontro no meu dia-a-dia.

Ser feliz, descobri nos últimos anos, é bem mais fácil do que eu alguma vez achei: não implica, necessariamente, luxos, nem fama, nem nada dessas coisas que às vezes nos querem fazer pensar que são extremamente importantes, como ter o último grito da tecnologia na palma da mão, ou um carro de alta cilindrada, ou qualquer outro bem material que a publicidade nos possa querer impingir.

A felicidade passa por nos aceitarmos como somos, com todos os nossos defeitos e virtudes, por aceitar quem nos rodeia, aprendendo a lidar com as diferenças, e por procurar sempre o lado bom daquilo que nos acontece.

Não digo que seja fácil fazer tudo isto. Não é. Mas, se fosse, a vida não teria graça, não concordas? Também precisamos de ser desafiados, por vezes. Precisamos de aprender a usar as nossas capacidades, sejam estas inatas, ou não, para fazer sentido do mundo, das pessoas com quem temos de lidar, das situações pelas quais passamos.

Ser feliz, quer acredites ou não, depende de ti: a chave está na forma como te vês e como vês o mundo. É tudo uma questão de perspetiva.

Groucho Marx disse: “Eu, e não os acontecimentos, tenho o poder de me fazer sentir feliz ou infeliz hoje. Posso escolher como é que quero estar. O ontem está morto, o amanhã ainda não chegou. Tenho apenas este dia, o de hoje, e vou ser feliz enquanto ele decorrer.”

E ele tem razão!

Se gostavas de ler mais sobre felicidade, aconselho-te dois blogues de que gosto muito: o da Sofia Mais Felizaindamaisfeliz.blogspot.pt, e o da Mafalda S.manualdafelicidade.blogspot.pt.

Bom, e voltando ao fim dos nossos desafios, vou terminar com um pequeno balanço.

Passei os últimos 6 meses a rever temas muito importantes para mim:

  1. Organização financeira: as despesas estavam um pouco à deriva, mas, agora, as finanças lá de casa entraram na ordem e temos conseguido poupar muito mais. Que tal estão as tuas?
  2. Organização doméstica: tomar conta do lar tem tanto que se lhe diga que uma pessoa fica cansada só de pensar em tudo o que tem para fazer. Quando comecei o desafio, lutava sobretudo com a questão das refeições caseiras. Agora, posso dizer com satisfação que essa área já “encarrilou” e estamos no caminho certo. As refeições fora de casa diminuíram consideravelmente e isso deixa-me muito satisfeita. Como está a organização da tua casa?
  3. Organização pessoal: tenho destralhado bastante lá em casa (roupas, brinquedos, duplicados…). Continuo a gostar muito de destralhar. A sensação de leveza que se segue deixa-me nas nuvens. E, claro, continuo a usar o método infalível do quadro branco e da preparação de véspera para manter tudo a fluir da melhor forma possível. Como tens otimizado a tua organização?
  4. Produtividade: este foi um grande desafio! Tudo o que envolva encarar questões como a procrastinação, a gestão de tarefas e o controlo da caixa de emails é o suficiente para nos deixar de cabelos em pé. Cá vou continuando a lutar para procrastinar o menos possível e para manter as ferramentas que me ajudam a ser mais produtiva. Diria que estou a ter sucesso nesta minha “empreitada”. E tu?
  5. A tua saúde: meditação, exercício, alimentação e qualidade de vida. Às vezes achamos que vamos ser jovens e saudáveis para sempre, não é? Por isso fácil esquecermo-nos de cuidar devidamente de nós e do nosso corpo. Ainda estou a lutar para incorporar mais exercício físico na minha rotina, mas creio estar no bom caminho. Como está a tua saúde?
  6. Verdadeiro TU: quando comecei estes desafios queria ser capaz de me encontrar, de me perceber, de me levar mais além. Acho que consegui. Sou agora uma pessoa mais atenta e tento fazer as coisas com um pouco mais de calma. Também tenho aprendido a abraçar melhor a minha criatividade e a minha introversão. Por outro lado, estou ainda a tentar descobrir que conhecimentos quero desenvolver a seguir, mas tudo a seu tempo. E, finalmente, posso dizer que sou mais feliz! Diz-me, onde está o verdadeiro TU?

Foram meses muito interessantes, estes. E estou verdadeiramente grata por ter tido a tua companhia. Espero ter contribuído para melhorar a tua vida. Sei que a minha está muito melhor.

Agora, gostaria de ter o teu feedback relativamente ao que fizeste nestes últimos tempos nos que a estes temas diz respeito. E, se achares que te posso ajudar a superar algum outro desafio, entra em contacto comigo. Fico à espera! Obrigada.

Take care!

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *