Fim do desafio de saúde e bem-estar: como está a tua qualidade de vida?

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E eis que chegamos ao fim de mais um desafio.

Então, como vai essa saúde?

Espero que tenhas gostado desta viagem pelos caminhos de uma vida mais saudável, com conselhos sobre alimentação, meditação e exercício.

(Ah, antes de continuar, deixa-me apenas dizer que no final deste artigo encontras mais uma surpresa It’s (not) so simple.)

Não queria acabar este mês sem falar um pouco mais sobre bem-estar, nomeadamente sobre qualidade de vida, um tema que me tem sido bastante caro nos últimos tempos.

É fácil para alguém a quem não falta nada falar sobre qualidade de vida, não é? Tenho uma família que amo e que me ama também, tenho uma casa a que chamo de minha e tenho um trabalho interessante. O dinheiro que ganhamos faz face às despesas e conseguimos poupar para qualquer eventualidade.

No entanto, porque me persegue esta sensação de insatisfação? A sensação de que me falta mais qualquer coisa. De que a vida não pode ser apenas isto. Que viver a semana à espera do fim-de-semana e o ano à espera das férias não faz o sentido que deveria.

Sentes o mesmo?

Tenho saúde, amor e paz. Tenho dois filhos lindos e maravilhosos e um marido fantástico, mas, ainda assim, consigo arranjar motivos para me queixar da vida que levo: da correria matinal, de ter de passar tanto tempo em transportes, de não ter tempo nem paciência para os miúdos depois de um dia de labuta, de me deitar com a sensação de que não fiz tudo o que queria, nem vivi tudo o que deveria.

O que é isto, afinal?

Vi demasiados filmes e só consigo pensar onde está o “e viveram felizes para sempre”?

É complicado definir o que é verdadeiramente qualidade de vida. No entanto, isto parece ser algo de que todos falamos nos últimos tempos.

Ter tempo para dedicar a si, aos que se ama, para passear e ver lugares novos, para se cultivar, para novas aprendizagens, para cuidar da alma e do corpo, para viver com a maior calma possível… Parece-me que estas são algumas das coisas que alguém na minha situação (saudável, sem dificuldades financeiras, etc., etc.) valorizaria e usaria como bitola para medir a sua qualidade de vida.

Porquê a minha insatisfação, então? Porque sou apenas humana e o descontentamento faz parte do meu código genético? Porque não sei me contentar com o que tenho? Porque acho que “a galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha”?

Do que se trata, realmente?

Com o nível de simplificação que já consegui atingir na minha vida, e com o que ainda planeio para o meu futuro, deveria conseguir encarar este tema com outros olhos. Deveria ser capaz de pensar que isto é apenas uma viagem e que o caminho é para ser aproveitado. Deveria conseguir pensar que as dificuldades e os desafios fazem parte da vida, são saudáveis e ajudam-me a crescer. Só que, ainda assim, não parece ser suficiente.

Maio não foi um mês muito fácil ao nível pessoal. Estive um pouco como que em crise de identidade.

Não sei se saberás, mas, até ao final de Abril, este blogue tinha uma página de Facebook ativa, com várias publicações semanais.

A determinada altura, dei por mim a dar demasiada importância e a medir o meu “sucesso”, e o deste cantinho, pelos “likes” e os “shares” que tinha, ou não tinha.

O Facebook é um pouco ingrato para administradores de páginas, devo dizer. O facto de estar permanente “pespegar” na nossa cara qual o alcance e a interação com as nossas publicações não é simpático: há sempre números à vista, que descem e sobem às vezes sem percebermos muito bem como. Pesquisei sobre como ocultar as estatísticas, sem sucesso. E, um dia, disse para mim mesma que não queria mais saber daqueles números que eu não conseguia controlar, ou tolerar, e fiz o que era preciso para manter a página, mas sem a atualizar.

Devo dizer que também me via a braços com um problema de disciplina: ou geria a página, ou criava conteúdo de valor para o blogue e esta última opção tem sempre prevalência sobre a primeira.

E, apesar de não lamentar a minha decisão e achar que o que fiz foi mesmo o melhor para o blogue e para mim, ainda assim entrei em crise interna: senti-me sem valor, inferior e estúpida. Até entre família me senti em baixo. E isso não foi nem bonito, nem saudável. Ainda por cima num mês dedicado ao bem-estar. Irónico, não?

Este foi um mês em que senti algumas das minhas fraquezas internas expostas. Não sei se estou a atravessar uma crise com o aproximar acelerado dos “entas”, se estou a tornar-me uma pessoa mais negativa e insatisfeita, ou se é o apenas o verdadeiro eu a vir ao de cima. Algo é, mas ainda estou para descobrir.

Entretanto, comecei a ler um livro que uma Prima me emprestou, chamado Aprenda a dizer não sem se sentir culpado. É de tal forma interessante que já vou na terceira leitura e tive de encomendar a minha própria cópia para poder tomar notas e sublinhar, tal a utilidade que encontro no que lá é ensinado.

Este livro tocou um ponto muito sensível: não é que eu não saiba dizer que não, porque cada vez mais sei a importância de deixar ir o que não interessa, mas revi-me nas histórias das pessoas que não sabem defender-se dos outros e das suas imposições, sobretudo quando se consegue sentir a sua fúria e se faz o que for preciso para a controlar e contornar.

Estou a tentar usar o livro para me ajudar, a pouco e pouco, mudar determinadas atitudes e valorizar-me mais.

Já agora, prometo falar mais sobre o que aprendi, bem como as técnicas da autora, quando terminarem os desafios It’s (not) so simple.

Ora, isto já se vai alongando e começo a fugir ao tema inicial.

Retomemos a rota.

Qualidade de vida é, percebo agora, sentirmo-nos bem connosco próprios e com as nossas opções. É ter liberdade de escolha e de pensamento, mesmo que não possamos ter e/ou fazer tudo quanto gostaríamos, porque assim é a vida. Haverá sempre constrangimentos, outras pessoas e outras visões a ter em consideração.

O que interessa é o que nos diz a nossa alma e o nosso coração no final de cada dia. Olhar para dentro de nós e sentir que fizemos escolhas com as quais vivemos bem E, se tivermos de escolher algo que vai de encontro ao bem-estar de outra pessoa importante para nós, em detrimento da nossa total satisfação, não há problema. Da próxima vez, será diferente.

Qualidade de vida é também aprender a conviver melhor com os nossos desafios: eu detesto a correria diária, o ter de fazer os possíveis e os impossíveis para sair de casa a tempo de manhã, e o regressar ao final do dia, cansada, mortinha por chegar a casa e estar com os meus um pouquinho, que é mesmo só um pouquinho, às vezes também a correr, por já ser tarde e serem horas das crianças descansarem.

Este é, atualmente, o meu maior desafio: mas quantos e quantos não se debatem com este tema? E tem solução? Não uma que seja muito fácil, ou prudente.

Se não posso mudar a situação, tenho de me adaptar a ela e arranjar formas de minorar os seus efeitos e de transformá-la em algo de positivo.

E haverá sempre dias em que será mais fácil lidar com a questão e outros em que serei assaltada por um pouco de negativismo. Faz parte. E a única coisa a fazer é seguir em frente. Amanhã será melhor, espero eu.

Escrevo isto e, ainda assim, não estou convencida que consiga esta transformação.

Tentarei!

E tu, quais os desafios que te impedem de ver a tua verdadeira qualidade de vida? Ou serás tu uma pessoa mais positiva que eu e que vive com toda a qualidade possível? Gostava de saber o que te vai na alma.

Já agora, termino partilhando contigo algo que criei para fechar este desafio de saúde e bem-estar: aqui podes descarregar uma ficha de trabalho que elaborei para te ajudar a tomar algumas decisões relacionadas com a melhoria do teu bem-estar e saúde.

Assumir compromissos é sempre meio caminho andado para modificar comportamentos e atingir os objetivos desejados. Assim, e inspirada por uma escritora de que gosto muito, a Alexandra Frazen, e pelo seu trabalho Commitment, criei esta ficha para ti.

Espero que te seja útil e que seja preciosa na conquista dos objetivos que há muito tens em mente para ti.

Até breve, com muita saúde, imenso bem-estar e “montes” de qualidade de vida!

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4 thoughts on “Fim do desafio de saúde e bem-estar: como está a tua qualidade de vida?

  1. Minha doce Mafalda,
    Não tenho tido muito tempo para nada ultimamente, mas não esqueço este cantinho no qual descubro sempre algo novo, e que faço por experimentar ao meu ritmo adaptando da forma que consigo. Este mês de maio, o meu favorito dos 12, tem sido de loucos, mas quero agradecer-te por insistires na partilha de temas tão importantes a todos nós, principalmente pela forma como os expões e organizas. Aliás, transmites-me tanta organização que me ajuda a querer ser ainda mais organizada 🙂
    Acredito que com duas crianças pequenas seja menos fácil, mas pelo que leio por aqui e pelo que sinto, consegues transformar um dia cinzento num final colorido.
    Apenas te quero pedir que continues, eu vou acompanhando a escrita, dicas sempre que consiga até me sentir mais organizada ehehehe e estável para voltar a fazer algo que eu adoro, ler e escrever, bem como partilhar o que sei.

  2. Querida Sandra,
    Muito obrigada pelo teu comentário!
    É sempre altamente motivador saber que consigo ajudar outras pessoas a superar os seus desafios.
    Fico a ansiar pelos teus escritos também, assim que te seja possível. O teu “cantinho” tem muito potencial, que espero que consigas explorar ao máximo.
    Beijos grandes e tudo de bom!

  3. Olá,

    Já visito este blog há uns 2 ou 3 meses mas ainda não tinha comentado. Antes de mais parabéns pelos conteúdo. Também estou num caminho de “descoberta e melhoramento pessoal”. Por este motivo este blog tem sido uma óptima fonte de conhecimento. Gosto muito do que partilhas e da forma simples e organizada com o escreves. Obrigada!

    Também sinto muitas vezes que me falta algo. Contudo, este sentimento já foi maior. Antes de o meu filho nascer sentia isto muitas vezes. Com o nascimento do meu filho, e principalmente de há 6 meses para cá (ele tem 25 meses) decidi que eu tinha que encontrar a melhor forma de ser mãe dele que eu pudesse… Com isto descobri que precisava de cuidar de mim e de estar no meu melhor para lhe dar o melhor de mim. Isto levou a que começasse a equacionar diversas coisas. O que me leva a sentir isto? Do que preciso? Para onde quero ir? Este processo tem-me permitido encontrar-me comigo mesma (devagarinho mas vou andando…). E isso tem-me feito preencher essa sensação de falta. Aprender mais e aprofundar o “mindfullness” tem ajudado muito também.

    1. Olá Catarina.
      Que honra ter-te desse lado!
      Tens muita razão no que dizes sobre só conseguirmos ser uma boa mãe quando nos sentimos bem connosco. E é fácil esquecer isso, infelizmente. Exige atenção plena, efetivamente.
      Ah, 25 meses. Estas idades são tão boas. O meu mais novo tem 22 meses e é um período delicioso: cada dia uma descoberta, para ambas as partes. Aproveita ao máximo!
      Beijinhos.

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