Fazer menos

holzfigur-980784_1920Já tive oportunidade de falar aqui sobre o conceito do fazer menos: no que diz respeito à rotina da casa e à manutenção doméstica, por exemplo.

Mas, afinal, o que é realmente esta coisa do fazer menos? Tornarmo-nos uns preguiçosos, deixar as coisas andar, deixar o trabalho acumular, ter criados?

Não, nada disso.

Trata-se de reavaliar as tuas tarefas, obrigações, responsabilidades, compromissos e pôr as tuas necessidades e a tua felicidade em primeiro lugar.

No mundo atual, com tantas solicitações e oportunidades, tanto em que nos podemos concentrar, tanto a que podemos dedicar o nosso tempo, a nossa energia, o nosso ser, é difícil ter a certeza do que é realmente essencial, do que faz sentido, do que tem um propósito, do que, no final das contas, nos preenche e nos faz sentir no topo do mundo.

Entre associações, grupos e comités. Entre trabalho, estudo, família, amigos e conhecidos. Entre mail, redes sociais, livros e televisão. Entre tudo isto e muito, muito mais, o que é que nos merece realmente? O que é deve receber a nossa atenção? Para onde deve ser direcionado o nosso 100%?

É difícil saber? Não! Tu sabes! A questão é que nem sempre é fácil tomar as decisões certas. E lá vamos nós mais um pouco atirados de um lado para outro, ao sabor do momento, das solicitações dos outros, daquilo que achamos que esperam de nós, às vezes atrás apenas do que achamos que é correto para ser socialmente aceite.

O que fazer? O primeiro passo é a tomada de consciência de que nos esticamos demasiado, que, efetivamente, tentamos fazer demasiado, estar em todo o lado ao mesmo tempo, cumprir todas as tarefas da nossa lista interminável, dormir menos se for necessário. E para quê?

Se olhares, de forma despersonalizada e panorâmica, para o que é a tua vida, as tuas lutas, as tuas responsabilidades atuais, aquilo que dedicas nem que seja só um bocadinho de ti, e sentires que chegou o momento de repensar, reavaliar e mudar, segue em frente e toma todas as medidas necessárias para recuperares as rédeas da tua vida e do teu tempo.

Fazer uma lista ajuda muito. Escreve num papel todos os papéis que assumes atualmente:

– Do ponto de vista pessoal, em que atividades te envolveste? Aprendizagens, como a costura, ou o Espanhol? Atividades de ordem mais física, como o ginásio, ou um qualquer desporto? Voluntariado? Que mais?

– Quais as tuas responsabilidades ao nível familiar? Há pessoas que dependem de ti? Quais as pessoas mais importantes para ti e qual o nível de relacionamento que mantens com elas?

Ao nível social (amigos, familiares mais “distantes”, conhecidos), que obrigações tens?

– E no trabalho? Como perspetivas a tua carreira e as atividades conexas em que te envolveste? Sentes-te bem a perseguir esse sonho profissional?

– Que outras responsabilidades assumiste que ocupam o teu tempo?

Tenha a tua lista 4 ou 40 itens, de certeza de que há hipóteses de otimização e melhoria. Tu queres modificar a tua vida, reclamar o teu tempo e viver de forma mais intencional e satisfatória, ou já terias parado de ler por esta altura.

Todos os dias te perguntas o porquê de tanta correria, de tanto cansaço, de tanta insatisfação, de tanta ansiedade, de tanta falta de paciência, não é? Lá no fundo, questionas-te sobre o propósito da tua vida, sobre o motivo por que fazes tudo aquilo que fazes atualmente, sobre se vale a pena tanta canseira, tanto esforço, tantas desilusões, tantas ânsias, tanto, tanto, tanto de ti.

Muitas vezes, a vida parece uma maratona, não parece? Quando eras jovem, sabias que a meta ainda estava muito longe e preocupavas-te mais em correr do que com o resto. No entanto, agora vês a meta lá ao fundo, até nem parece tão longe como isso, e os outros corredores correm ao teu lado, esforçando-se como tu, só que te parece que eles avançam sempre mais. De repente, olhas para baixo e percebes que, sem saber como, estás a correr em cima de uma passadeira rolante: ou seja, sempre em esforço, mas sem sair do mesmo sítio! E sem hipótese de parar de correr.

Será?

Vou dar-te essa hipótese: agarra-te às barras laterais da passadeira, dá um impulso e coloca os pés fora do tapete. O que aconteceu? A passadeira continua, ao mesmo ritmo, mas tu paraste. Estás ofegante e sem vontade de voltar a pisá-la, não é? Ainda ofegante, sabes que voltar ao ritmo certo para a acompanhar levar-te-á, na certa, a cair. Pode efetivamente acontecer, sobretudo se a velocidade era muito elevada.

O quero que compreendas com esta imagem? Que a sobrelotação da tua agenda, que o ter demasiado para fazer é o que te deixa nesse estado permanente de cansaço e ansiedade e é o que te faz sentir como se esta luta diária fosse um pouco inglória.

Pega na lista que fizeste há pouco e escolhe uma atividade para eliminar. Só uma. De seguida, faz o que for necessário para retirá-la de vez dos teus afazeres. Cancelar o ginásio? Vamos a isso! Deixar de seres tu a passear o cão? Delega a tarefa!

Cada pessoa, sua lista. Cada um conhece melhor que ninguém as suas responsabilidades e aquilo que realmente quer para si, para estar de bem consigo.

Eu sei que é muito difícil dizer “não”, por vezes. Só que, se não o fizermos, estamos a comprometer seriamente a nossa pessoa, o nosso bem estar e a nossa felicidade.

Portanto, hoje, só uma tarefa menos. Para te sentires uma pessoa melhor.

E, depois, continua a rever a lista e a editá-la consoante os teus objetivos. Vai fazer a diferença, garanto-te!

Sê feliz. Com menos!

Então, o que decidiste deixar de fazer? E como te sentiste depois disso? Conta-me tudo!

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