Destralhar: Ter mais espaço e mais VIDA

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Tralha – tra·lha [Informal]  Acervo de várias coisas.

Acumula-se com grande facilidade, é uma certeza. Entra em nossa casa a toda a hora, às vezes sem que se dê por isso.

Acabamos por comprar muita coisa em duplicado, em triplicado, até, julgando que nos poderá fazer muita falta. Será mesmo que alguma vez irei precisar de 3 (!!!) conchas de sopa em simultâneo?

Quando comecei a ler sobre minimalismo e simplificação, a parte que falava sobre ver-me livre da tralha (ou destralhar, um dos meus verbos preferidos – eu destralho, tu destralhas…) para ter mais espaço e, consequentemente, mais vida, seduziu-me de imediato.

Não me considerava uma “acumuladora”, porém, concordo, tinha muita coisa em casa que me atravancava a vida. Remover o excesso era já algo que fazia esporadicamente, desde a adolescência. Tenho recordação de passar algumas horas a escarafunchar nos armários e a deitar papéis velhos fora (trabalhos escolares antigos, entre outras coisas). Naquela época, eu era também responsável por deitar fora as revistas e os jornais mais antigos, por exemplo.

Só que, claro, isto é um sinal de que há um hábito demasiado afincado de guardar e de que há um medo de que as coisas nos venham a fazer falta, nem sabemos muito bem para quê, por vezes. Afinal, um provérbio muito popular entre nós é “guarda o que não presta e acharás o que é preciso”. Que até é verdade em algumas ocasiões, porém não podemos, percebi nos últimos anos, regular-nos só por isso.

Bom, ler sobre libertar-me do excesso acendeu uma luz no meu cérebro e tocou num ponto muito sensível: quanto mais tralha eu tiver, mais tralha tenho de limpar e manter. E eu, perdoa a minha sinceridade (ou talvez não), detesto limpar e manter… É desgastante!

Do cérebro, para a boca, da boca para as mãos:  A TRALHA TEM DE IR EMBORA!

E assim foi:

  1. Vendi muita coisa que já não nos fazia falta através do OLX: desde telemóveis sem uso, a peças decorativas que já não apreciava.
  2. Dei a instituições de caridade artigos de cozinha que tinha a mais e roupa que já não usava/gostava.
  3. Troquei peças que já não tinham lugar na minha vida por outras coisa que me faziam mais falta, ou tinham maior utilidade naquele momento: durante algum tempo fui membro do site Troca-se e troquei algumas coisas por livros que gostava de ler e que nunca tinha tido oportunidade. Quando terminei de ler esses livros, passei-os a outras pessoas.
  4. E, claro, havia coisas que já não estavam em condições de serem reutilizadas, logo, foram para a reciclagem.

As diferenças começaram a notar-se em toda a casa, e em diversos aspetos da minha vida, mas, sem qualquer sombra de dúvida, onde senti uma alteração maior foi na cozinha. A minha cozinha é pequena e parecia sempre atafulhada. Para o tamanho que tem, o espaço de arrumação disponível é razoável. Só que, quando temos por hábito guardar praticamente tudo, o espaço nunca chega, por mais que se organize.

Eu estava já numa fase em que tinha os detergentes da roupa no chão dessa divisão, pois não havia outro sítio para os guardar. A acompanhar os detergentes, tinha diversos garrafões de água guardados para uma falta de água da companhia. Quando penso nisso, não consigo perceber que medo tão terrível eu tinha que faltasse a água. As falhas tinham sido pouquíssimas e eu teria, talvez, uns 5 garrafões para fazer face à seca tremenda que se poderia fazer sentir! Louco, eu sei.

Como também tinha por hábito comprar muitas mercearias de cada vez (o tal medo de que as coisas faltem), o espaço nos armários começava a escassear e havia já sumos e garrafas de cerveja a ocupar nichos vazios no chão.

Foi uma lição importante: comprar uma grande quantidade de algo e perder espaço em casa, porque se tem tudo aquilo para guardar, não vale a poupança.

Pois bem, eu digo NÃO:

  1. A correio/publicidade não solicitados.
  2. A comprar em grandes quantidades só porque parece um “grande negócio”.
  3. A guardar coisas só porque sim, ou porque achamos que pode vir a fazer falta, mesmo não sabendo quando, nem por que motivo.
  4. A perder tempo precioso à procura de tralha.
  5. A brindes sem qualquer utilidade.
  6. A duplicados e/ou triplicados. Alguém falou em quadriplicados?
  7. A deixar que sejam os objetos a ditar como passamos a nossa vida.

O ideal, agora que já gostas tanto de destralhar como eu? Fazer os possíveis por impedir que ele passe a porta de entrada lá de casa:

  1. Todos os papéis sem interesse/utilidade devem ir para a reciclagem de imediato.
  2. Precisas mesmo do tupperware que o fabricante de iogurtes, por exemplo, te quer impingir? Aplicável a qualquer outro brinde que venha com algo que compres. Lembra-te, ninguém dá nada a ninguém
  3. Compra apenas o que te faz falta. Aproveitar certas promoções pode ser tentador (é, os publicitários sabem muito bem o que estão a fazer), mas acabarás com a casa cheia, a carteira mais vazia, espaço necessário ocupado e mais tralha a “pesar-te”.

E agora que já sabes como diminuir a tralha que entra em tua casa, é tempo de passar à tralha que já lá tem lugar “cativo”.

Esse será o tema do próximo post, onde irei disponibilizar um guia prático para destralhares a tua casa. Até lá!

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