Estar sempre ligado está a contribuir para a tua desorganização: Desconectar é a solução!

Desconectar

Corria o ano de 2011 e creio que esse foi o momento em que atingi o meu auge consumista: vi publicidade a um tablet e desejei ter um.

Quando o meu marido me perguntou o que queria para o meu aniversário, não hesitei em pedir-lho. Questionada sobre o que faria com ele, convenci-o, e a mim mesma, de que era tudo o que me faltava, para poder ver os e-mails, ir ao Facebook e, ocorreu-me naquela altura, ter receitas de cozinha sempre nas pontas dos dedos.

Dada a má experiência com o aparelho e com a empresa que mo vendeu, depois de várias semanas de sucessivas reclamações acabei por chegar à conclusão que me tinha deixado levar. O processo arrastou-se e vi-me privada do tablet durante algum tempo. Tempo suficiente para me distanciar um pouco da compra e do motivo que me tinha levado a desejá-lo.

O que me fez ansiar por aquele artigo? Achar que me ia valorizar? Que ia fazer de mim uma melhor pessoa? Lá estava, de novo, o ter a sobrepor-se ao ser.

Por que me convenci de que precisava de um tablet? Parece-me que parte de mim acreditava que poder ver os e-mails a todo o momento e estar sempre ligada no Facebook era o sinal máximo da produtividade, da organização e de estar a par dos tempos.

Pouco tempo depois de o processo de reclamação ter terminado, decidi vender o tablet. Porquê? As minhas expetativas, a imagem que criei na minha cabeça quando o desejei não se concretizaram. Não me fez mais feliz, nem me tornou mais produtiva, bem pelo contrário.

Descobri, à minha custa, que estar constantemente a verificar a minha caixa do correio e a consumir tudo o que os meus contactos do Facebook publicavam não me deixava melhor comigo própria, nem pouco mais ou menos.

Enquanto agarrada ao tablet, eu estava concentrada em ver e não em ser, em ter e não em fazer. Devia estar preocupada em ser mais feliz com o que estava ao meu lado (o meu marido e a minha filha, por exemplo), ou em cozinhar uma saborosa refeição (afinal, não tinha eu querido o tablet para ver receitas culinárias?).

Agarrada ao tablet, via o que queria e, sobretudo, o que não queria. Toneladas de publicidade no meu e-mail, ou a entrar-me pelos olhos adentro através das redes sociais. Eu não desejava nada daquilo. Estava a consumir bens e produtos que não me diziam nada, que não me acrescentavam nada, e a criar imagens dentro da minha cabeça que não queria criar. Pactuava com ideias concebidas para me impressionar e convencer a ter e a ser algo que, depois de alguma reflexão, percebi que não queria.

Agarrada ao tablet, aquela não era eu, ou, pelo menos, aquela não era quem eu realmente queria ser. Eu agarrava o tablet e acho que ele também se agarrava a mim. Optei, finalmente, por me libertar.

Foi assim que descobri o quão importante é desconectar.

Estar permanentemente ligado, conectado a redes sociais, e-mail e afins não faz bem. A ideia de que somos mais produtivos porque estamos sempre em conexão com quem nos rodeia é uma ilusão. E das piores que existem.

Sempre ligados, estamos apenas em modo “frenético”, em modo “não-me-digas-nada-que-tenho-milhões-tarefas-e-vou-tentar-fazê-las-todas-sem-conseguir-chegar-ao-fim-de-nenhuma”.

De todas a vezes que falas com alguém olhando para o ecrã do computador, ou estás com alguém mas de telemóvel em punho, estás a dizer a essa pessoa que ela não é o mais importante naquele momento. Estás a dizer-lhe que ela não tem a tua total atenção. E ninguém gosta de se sentir em segundo plano.

Para além disso, o nosso cérebro precisa de desconexão, de momentos de pausa e descanso. Nós precisamos de sossego, de momentos em que estamos só connosco próprios, com os nossos pensamentos, com as nossas sensações, com o nosso Lado Lunar, como lhe chamaria Rui Veloso.

Precisamos de conviver com os bons e os maus sentimentos, com as sensações que atravessam o nosso dia. Precisamos de ser só, e apenas, NÓS.

E, de certeza absoluta, não precisamos de estar sempre a olhar para o e-mail, por exemplo, esperando por algo que nos vá fazer pensar que somos importantes.

Temos medo de nos tornarmos redundantes, desnecessários, medo de estar a perder alguma coisa, medo de não estarmos em cima do acontecimento, de não sabermos tudo o que se passa, de não estar a par de toda e qualquer novidade.

Já reparaste na recorrência da palavra “medo”? Sim, agimos assim simplesmente por medo…

Vivemos com medo, dormimos com medo, andamos de um lado para o outro com medo. E provocamos medo nos outros: o que eu me arrepio, por exemplo, quando vejo alguém a conduzir e a olhar para o telemóvel. Que perigo para si e para os outros…

Desconecta. E aproveita os espaços de desconexão para olhar para dentro de ti e ver o mundo maravilhoso que aí vai dentro. Sem medos. Só tu e os teus pensamentos. Só tu e aquilo que sentes. Sem receio de pensar tudo aquilo que tens para pensar. E verás que a tua importância, o teu valor, vem de dentro de ti e não de algo que aparece num ecrã.

Desliga, mesmo que sejam apenas 5 ou 10 minutos por dia. O mundo não vai acabar se não vires aquele e-mail mal ele chega. Não vai vir mal nenhum ao mundo se não estiveres sempre a par do que se passa nas redes sociais.

Vive o momento, desfruta do que te rodeia, dá tudo de ti ao que está mesmo à tua frente, sobretudo às pessoas que estão ao teu lado e que merecem o melhor de ti e que estejas verdadeiramente presente.

E, sendo a experiência agradável, como tenho a certeza que será, podes ir alargando os períodos em que estás off. Pode parecer arrojado, mas o que dizes a um fim de semana inteiro em modo desligado?

Já que falo sobre desconectar, e que passo o tempo a dizer que devemos fazer menos, aproveita para anular a subscrição dos e-mails que não te acrescentam nada, de empresas que apenas querem o teu dinheiro, que te roubam tempo precioso, oportunidades valiosas para seres quem deves ser, para estares contigo como deves estar.

Como é óbvio, se achas que este singelo blogue, e as suas novidades, estão a contribuir para a tua constante conexão, estás perfeitamente à vontade para anular a subscrição da newsletter. O que importa é estares de bem contigo!

Acho que nunca é demais dizê-lo: SÊ FELIZ!

Gostava muito de saber como te sentiste depois de desconectar por um pouco. Qual o maior benefício que ganhaste?

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2 thoughts on “Estar sempre ligado está a contribuir para a tua desorganização: Desconectar é a solução!

  1. Engraçado, o teu artigo que veio de encontro ao que penso. Já há muito tempo que quero um ipad. E ando a alimentar a vontade e ao mesmo tempo a questionar-me. Porquê? Para estar ao final do dia, de rabo sentado no sofá a ver séries e filmes e ao mesmo tempo a jogar Candy Crash? A ver o que se passa no mundo virtual? Facebook? Onde toda a gente arranjou o canal ideal para a psicologia barata? Por isso tenho adiado a compra do tablet de Natal para Natal… e possivelmente por mais uns…
    Estou com a familia, de vez em quando vou ao pc espreitar o que se passa, e vejo as minhas series preferidas com tranquilidade 🙂
    beijinho Mafalda

  2. Parabéns por não te deixares levar pelo consumismo extremado, Teresa. Grande vitória!
    E obrigada pela partilha.
    Beijinhos!

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