Criatividade: solta a tua veia artística sem receios!

CriatividadeO que é que sentes que te deixa realmente feliz? Que atividade te faz esquecer o passar do tempo? O que te faz sentir uma maior autenticidade? Quando é que a tua imaginação voa sem limites? O que é que te deixa de sorriso aberto?

Ah, criar! Fomos feitos para isso, não achas?

E, no entanto, temos tanto medo de não o fazer bem feito, ou que trocem das nossas criações, que nos retraímos e deixamos a nossa arte escondida na gaveta, ou, pior, dentro de nós. Bom, felizmente há sempre pessoas corajosas que se expõem e nos enchem de inspiração com as suas criações.

Eu fiz (ainda faço?) parte do grupo dos que têm medo de se expôr…

O meu percurso criativo? Ei-lo:

Até ao final do liceu, não aconteceu nada de muito relevante a esse nível: ler era a minha paixão e li tudo o que me apareceu à frente. Se o que estivesse a ler fosse muito absorvente, até deixava de dormir para poder ler mais umas páginas! Houve também uma quantidade considerável de trabalhos manuais na escola, mas nada me encheu realmente as medidas. Ah, descobri o ponto-cruz e ainda fiz alguns trabalhos, só que aldrabava um bocado o método… Foi-me útil durante a faculdade, pois usava o ponto-cruz como forma de relaxar.

No final do liceu, por altura dos exames finais, não sei o que se apoderou de mim, mas comecei a sentir uma vontade incrível de escrever poemas. E escrevi. Nada de muito extraordinário (pelo menos, na minha perspetiva), tratava-se apenas de juntar palavras no papel, dar-lhes sentido, e procurar formas de rimar. E continuei verão fora.

Ainda escrevi mais algumas coisitas no início da faculdade, mas nada de muito importante.

O fim da faculdade trouxe mais vontade de escrever: entre outras coisas, comecei o esboço daquilo que gostava que fosse o meu primeiro (de muitos?) romances. Entre episódios da vida real e alguma imaginação, tenho algumas páginas escritas que, por falta de (ahem!) tempo tem estado na gaveta todos estes anos.

Sim, eu sei que o tempo nada tem a ver com isto…

Na época em que dei aulas, aproveitei para explorar outra faceta da minha veia artística: aprendi algumas artes decorativas. Pintei em madeira, gesso, marfinite e tecido. Gostei especialmente de pintar em tecido e, para grande espanto meu, acho que até tinha algum jeito, pois cheguei a receber encomendas e tudo.

O sonho da escrita não ficou esquecido: houve até uma época em que participei num concurso de escrita, mas não ganhei nada.

Durante alguns anos, ainda mantive um blogue, onde escrevia textos soltos, mas, com o passar do tempo, fui deixando-o decair.

Arranjei um emprego de “gente crescida”, constituí família e tentei esquecer-me da minha veia artística. Até as artes decorativas foram postas de parte… Mesmo quando pintava, dizia para mim própria “os artistas morrem de fome”, ou “os artistas não sabem fazer dinheiro”. E via tudo aquilo como um hobbie e nada que devesse levar muito a sério.

Não é nada fácil sobreviver como artista. Não estou aqui para enganar ninguém. É um assunto sério. A dedicação à arte tem de ser extrema e o artista terá de estar preparado para tudo.

No meu caso, no entanto, havia despesas para pagar e comida para pôr na mesa. Havia responsabilidades assumidas e temo com veemência a possibilidade de não ter como fazer face aos meus compromissos financeiros. E isso foi parte do motivo que, bem lá no fundo, me fez esquecer o quanto gosto de criar e, em particular, de escrever.

Antes de começar o It’s (not) so simple, há cerca de 6 meses, fiz várias tentativas de recomeçar a escrever. Comecei alguns blogues que acabaram por ser apenas tubos de ensaio para este cantinho que agora lês. Também peguei no meu projeto de romance, ainda que não o adiantasse grande coisa. E tentei passar os meus poemas da “idade da pedra” para formato digital, porém uma avaria no computador gorou os meus planos…

Mas, um dia, tive de ser mais radical e assumir que a escrita fazia realmente falta na minha vida. Posso agradecer a outra blogger e escritora, a Rachel Toalson, por me inspirar: ela tem 6 filhos, o mais novo é mais novo do que o meu mais novo (ihih), e, mesmo assim, consegue ter tempo para escrever livros e “blogar”. Pensei para mim: se ela o faz, tenho de parar de inventar desculpas e de usar os meus filhos como “bode expiatório” para não ser e não fazer aquilo que realmente me preenche! 

E aqui estamos nós…

Sei que, tal como eu, sentes que tens algo preso dentro de ti. Algo que te faz sentir uma pessoa mais viva, mais preenchida. Seja isso escrever, desenhar, pintar, fotografar, cantar, tocar música, ou qualquer outra atividade de cariz mais artístico. Eu sei! E sei-o simplesmente porque se passa o mesmo comigo.

Não acredito que tenhamos sido postos neste mundo apenas para fazer tarefas aborrecidas e repetitivas, para obedecer a um patrão, para cumprir um horário de trabalho  e para inventar desculpas para não fazer o que devemos fazer, ou o que o nosso coração pede que façamos.

Tem de haver mais do que isso.

Mesmo com companheiros de vida, filhos, uma casa para cuidar e todas as outras coisas que ocupam o nosso tempo, os nossos dias, os nossos pensamentos e nos fazem sentir como se nos fossemos perder no meio do tanto que há para fazer.

O que tens de fazer? Como em tudo na vida, ESCOLHER.

Uma casa limpa, ou um quadro pintado por ti?

A loiça lavada, ou um belo poema acabado de escrever?

Responder a emails, ou tirar um pouco do teu tempo para fotografar a natureza como gostas?

Junta a tua arte a esta lista e verás que aquilo que te inspira e te enche de alegria é mais valioso do que muitas outras tarefas que inventamos para nos ocuparmos e não fazermos o que realmente deve ser feito.

O que funcionou para mim? Como consegui arranjar mais algum tempo para escrever? Deixo-te os meus “truques”:

  1. Pedir ajuda! Pedi ao meu marido que assumisse a tarefa de lavar a loiça e que me ajudasse ainda mais com a dobragem da roupa e com a preparação de refeições.
  2. Sistematizar tarefas: estipular o que será feito, em que dias, e tentar não fugir ao plano. Podes ler mais sobre o meu esquema de distribuição de tarefas domésticas aqui.
  3. Aceitar, de uma vez por todas, que feito é melhor do que perfeito. Há cotão no chão? Não faz mal! Tens de arrumar a roupa sem a dobrar? Qual é a crise? E passa a despejar o lixo apenas quando for realmente necessário! Baixar os padrões relativamente àquilo que pode ser considerado uma casa limpa é crucial. Ou seja, há que fechar os olhos a determinadas situações que nos podem até causar aborrecimento, mas, aqui, é a nossa criatividade e a nossa pessoa que está em jogo!
  4. Toda a ajuda é bem-vinda! A tua sogra quer passar-te a roupa a ferro? Diz que sim! A tua mãe foi lá por casa e aspirou o chão? Agradece! Ai, o que seria de mim sem a ajuda da minha mãezinha e da minha sogrinha… Preciosas!
  5. Definir prioridades relativamente à obra em curso. O que é mais importante no início: fazer, ou promover, criar ou pesquisar? É fácil perdermo-nos no tanto que gostávamos de fazer. Eu sei que me perdi um pouco quando comecei a dar demasiada importância à página do Facebook deste blogue. Criar, pelo menos no início, é sempre mais importante do que as atividades periféricas (divulgar, partilhar, seguir, etc.). Cada coisa a seu tempo! Primeiro, tens de te encontrar e saber o que queres realmente que o mundo veja. O resto vem depois.

Haveria talvez mais itens a acrescentar a esta lista, no entanto estes parecem-me ser os essenciais para quem quer efetivamente começar a dar asas à sua imaginação e criatividade.

Então, vamos lá por mãos á obra:

  • Se queres escrever, começa um diário, dá início ao teu grande romance, anota os teus versos e forma belos poemas, ou, quem sabe, começa um blogue! E não te esqueças de me enviar o URL.
  • Se a tua paixão é a fotografia, agarra na máquina (e não precisas de nada muito elaborado para começar – usa o que tiveres à mão e vê como corre) e vai por aí à procura da melhor foto do mundo. Até te posso lançar o desafio de me enviares uma que poderei usar no It’s (not) so simple!
  • Se queres passar o resto da tua vida a desenhar, começa já! Qualquer papel e lápis são suficientes. Vais melhorando as ferramentas à medida que aperfeiçoares a tua arte. Aguardo por um desenho teu, já sabes!

Adapta os conceitos acima àquilo que queres desenvolver para ti. O céu é o limite e a tua imaginação e criatividade merecem o melhor resultado possível.

Ah, claro que não tens de fazer isto com o intuito de divulgar, vender ou tornares-te popular.

Criar pode ser algo que precisas apenas para te sentires bem e dar ainda mais significado à tua vida. Pode ser um escape, pode ser uma fonte de relaxamento, pode até ser uma forma de lidares melhor com certas partes de ti, como acontece quando decidimos começar um diário e descobrimos que, escrevendo, conseguimos dar mais sentido aos nossos pensamentos e, por vezes, às nossas frustrações.

Cria nem que seja apenas para celebrar a tua capacidade de criar!

Então, o que vais criar hoje?

Sê feliz!

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