Como me vi livre da dívida: Pagar um empréstimo habitação

Pagar um emprestimo habitacaoEu sei que, lamentavelmente, ao longo dos últimos anos, todos soubemos pelo menos de uma história de empréstimo bancário para compra de habitação por esse Portugal fora que teve um fim inesperado, triste ou, quiçá, trágico. Famílias separadas, colocadas em situações extremas e vidas no limbo. Nada bonito. Envio a minha solidariedade a todos os que tiveram que passar por uma experiência tão dolorosa.

Pagar um empréstimo é uma tarefa séria, difícil e trabalhosa. Afinal, tenho a certeza, ninguém contrai uma dívida de ânimo leve. O que espero com este artigo é somente inspirar outras pessoas a poupar para serem economicamente mais livres e, por consequência, mais felizes.

Posto isto, passo ao meu relato:

Nasci, cresci, estudei, namorei, decidi casar. Decidi comprar uma casa. “Quem casa, quer casa”, diz o ditado. Falei com o banco. Endividei-me para a vida. Não importava. Tenho de viver em algum sítio, não é? Mais vale ser num sítio que um dia vai ser meu. Mesmo que seja apenas daqui a 45 anos…

Este ciclo está simplificado, mas não foge muito da realidade de vários portugueses. E isto aconteceu antes da “crise”, da “austeridade” e de outras “simpatias” que foram o nosso passado mais recente. Se querias adquirir uma habitação, falavas com o teu banco e compravas uma casa pelo preço de três. Fácil, não? Arrendar uma casa não era uma solução naquele momento. Só a compra fazia sentido para nós.

O nosso prazo inicial eram os tais 45 anos. Se tudo tivesse corrido de acordo com aquele plano, eu teria 73 anos no final do empréstimo. Ufa! Espera, essa não é a esperança média de vida em Portugal? Arrepiante!

Contudo, com o passar dos anos, e graças ao facto de a nossa vida ter decorrido sem revezes de maior, as nossas finanças foram permitindo uma modificação na forma de pensar sobre o empréstimo bancário que tínhamos contraído.

As descidas acentuadas das taxas de juro a que se assistiu nos anos chamados de “crise” fizeram a nossa prestação diminuir consideravelmente. Decidimos, então, renegociar o prazo do empréstimo e baixá-lo para 10 anos. Ou seja, desta forma, conseguiríamos poupar 35 anos de juros. Impressionante!

Esta alteração do estado de espírito “temos de viver em algum sítio, por isso deixa o empréstimo correr”, para o “vamos acabar com a prisão que esta dívida representa o mais depressa possível” foi a alavanca para conseguir o impensável: pagar a casa em menos tempo do que o prazo previsto.

Como é que isto foi possível? Com uma gestão orçamental apertada. Não houve privações, apenas modificações que fizeram a diferença:

  • Vender alguns artigos no OLX, como, por exemplo, pequenos eletrodomésticos que estavam sem uso.
  • Diminuir o consumo: passei a comprar muito menos roupa, já que cheguei à conclusão que a que tínhamos era mais do que suficiente. Tenciono falar mais sobre este aspeto durante o mês dedicado à organização pessoal, mas dá uma espreitada no blogue do Project 333, para perceberes do que falo.
  • Controlar todas as despesas e eliminar excessos. Dois exemplos: deixou de fazer sentido ter um seguro automóvel “contra todos os riscos” e  por isso transformámo-lo num “contra terceiros”; também, e sobretudo porque o mercado o permitiu, aderimos a alternativas mais económicas para os serviços de luz, gás e cabo.

Há sempre pontos de poupança possíveis, é o que acredito. Ter uma dívida é que nunca pode ser algo bom.

“Debt is the worst poverty”.(A dívida é a pior pobreza.)
Thomas Fuller

P.S.: Se gostavas de aprender como podes ver-te livre de uma dívida, visita a Escola It’s (not) so simple e inscreve-te num dos cursos que disponibilizo sobre esta temática. Será um gosto ver-te por lá!

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2 thoughts on “Como me vi livre da dívida: Pagar um empréstimo habitação

    1. Que bom!
      Fico muito satisfeita por pensares nisto também.
      Muitas vezes não vemos o empréstimo da casa como uma dívida problemática, porque, lá está, temos de viver em algum lado, mas se pensarmos no quanto desperdiçamos em juros, no facto de o banco nos ter sob o seu jugo e na “prisão” que ter uma dívida representa, a coisa muda um pouco de figura.
      Já sabes, se precisares de mais dicas, diz-me 😉

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