A simplicidade e a ecologia

A simplicidade e a ecologia

Chegou o momento de divulgar o texto da edição de Maio de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Nesta edição, explicam-nos o que é ser bombeiro, aprendemos mais sobre a esclerose múltipla (com um testemunho impressionante…) e celebramos o dia da marinha.

Há ainda receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


A escola faz destas coisas por nós: chama a nossa atenção para temas que antes seríamos incapazes de ver.

Para mim, a ecologia e o apreço pelo nosso planeta foi um deles.

Em casa, sempre me ensinaram que não se atirava lixo para o chão e que os animais e as plantas que nos rodeavam deviam ser respeitados.

No entanto, só na escola me apercebi do impacto das nossas ações e atitudes nesta esfera azul que habitamos: falámos sobre a destruição de habitats, a extinção de espécies, o buraco na camada de ozono, as chuvas ácidas e sobre muito mais daquilo que o nosso planeta sofre e suporta.

Desde aí, tornei-me defensora da adopção de atitudes mais ecológicas e aderi à separação de lixo mal esta se começou a fazer no nosso país.

Estava a fazer a minha parte para ter um ambiente melhor e para preservar o nosso mundo para as gerações vindouras.

Porém, só muitos anos mais tarde, ao abraçar uma vida mais simples, me apercebi da verdadeira influência de toda e qualquer ação do ser humano sobre aquilo que o rodeia, nomeadamente o uso e abuso que fazemos dos escassos recursos que temos ao nosso alcance.

Porque o ano escolar que está agora perigosamente perto do fim teve a ecologia como tema, não queria deixar que ele terminasse sem prestar a devida homenagem a este assunto que eu acho tão nobre.

Viver de forma mais simples é um passo importante para ajudar a preservar o nosso ambiente porque:

  1. Quando optamos por ter menos coisas na nossa vida, usamos menos recursos e/ou matérias-primas.
  2. Assumimos de forma consciente que aquilo que possuímos tem o seu devido valor e deve ser estimado de modo a que o seu tempo de vida se prolongue e não tenhamos de gastar tanto.
  3. Passamos a analisar o impacto das nossas ações no meio ambiente e a tomar decisões mais ponderadas.

Como podemos ser ainda mais amigos do ambiente?

Alguns conselhos simples:

1 – Adequar melhor o nosso consumo às nossas verdadeiras necessidades.

Será que precisamos mesmo de ter, por exemplo, tantas peças de roupa no armário? Se pensarmos bem, há muitas deles que nem sequer vestimos.

E, muitas vezes, até avançamos para a compra de peças novas sem que as que já tínhamos estejam a necessitar de substituição.

Comprar só quando se precisa verdadeiramente de alguma coisa é importante para poupar todo o tipo de recursos, inclusive monetários. Mais um casaco? Prefiro ter o seu valor em dinheiro no mealheiro, ou investir o montante numa experiência que me traga mais valor como pessoa, como viajar.

2 – Diminuir a quantidade de embalagens que trazemos para casa.

Isto resulta em muito menos lixo e menos preocupações. A melhor opção são sempre os produtos não embalados, ou com o menos possível.

Se não for possível evitar a embalagem, dar preferência aos materiais mais fáceis de reciclar: papel, ou vidro, devem ter prioridade sobre plástico, metal ou esferovite.

3 – Se essa for uma possibilidade, optar por comprar alimentos a granel.

Podemos inclusivamente usar os nossos próprios recipientes para os transportar: uma sacola para o pão, frascos para as especiarias, latas para os cereais, ou sacos reutilizados para transportar a fruta e os legumes.

4 – Não esquecer o próprio saco quando se vai às compras.

Deste modo, evita-se a aquisição de (mais) um saco. E é boa ideia ter um saco reutilizável sempre à mão, na mala, ou na bagageira do carro.

5 – Diminuir a quantidade de papel no nosso dia-a-dia.

Comecemos por recusar todos os papéis sem utilidade: talões de compra, segundas vias, ou a publicidade que nos tentam oferecer na rua.

De seguida, poderemos aderir à fatura digital para as faturas do gás, luz, água, cabo, etc., guardando-as apenas digitalmente.

A caixa do correio também deve estar na nossa mira: podemos colocar-lhe um autocolante de recusa de publicidade não endereçada. Se os anunciantes forem sérios, deixarão as caixas em paz e livres de lixo.

As subscrições de revistas, jornais, ou newsletters sem interesse poderão ser canceladas. Que diferença faz menos um jornal, ou uma revista, para desfolhar, pousar, tentar arrumar e enviar para a reciclagem mais tarde!

Por fim, podemos evitar os post-its, ou qualquer outro pequeno papel, já que são tão fáceis de perder. Anotar tudo no sítio correto é a solução: agenda, telemóvel, quadro branco, ou qualquer que seja o método escolhido.

Só quando a última árvore tiver morrido

E o último rio estiver envenenado

E o último peixe tiver sido pescado

Iremos perceber que o dinheiro não se come.

Provérbio dos Índios Cree – Povo indígena da América do Norte

Que este dia nunca chegue…

Escolhamos ser simples e amar o planeta!

Devagar, que eu tenho pressa!

Hoje partilho contigo o texto da edição de Abril de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Nesta edição, descobrimos a origem do dia das mentiras, falamos sobre o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, ficamos a saber tudo sobre a Leishmaniose Canina e aprendemos mais sobre as dores nas costas.

Há ainda receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


A partir do momento em que uma criança entra nas nossas vidas, nada mais é igual.

Durante a fase inicial, há fraldas e sono, muito sono. Há loiça por lavar, pó por aspirar, roupa por tratar e uma família para alimentar.

Quando um bebé nasce, nascem também toda uma série de necessidades e novas tarefas que enchem a vidas dos novos pais de atribulações e desafios.

Nos primeiros meses, a principal preocupação dos pais é garantir que todas as suas necessidades básicas estão satisfeitas: carinho, segurança e alimentação.

No entanto, depois que se tornam móveis, e sobretudo a partir do momento em que conseguem comunicar de outra forma que não apenas o choro (nomeadamente vocalizando, ou apontando), dá-se uma mudança sem precedentes na dinâmica familiar, que irá influenciar o futuro de toda a família.

Para este pequeno explorador, tudo é novo e tremendamente interessante: os armários da cozinha, a torneiras do WC e todo e qualquer objeto cintilante e/ou barulhento.

Um bebé móvel e comunicativo é também um desafio parental de proporções épicas: a partir de agora, qualquer tarefa que envolva o bebé – vestir, tomar banho, comer ou sair de casa – ganha nuances nunca antes previstas.

Mudar de assunto, desviar a atenção, negociar, subornar e fazer promessas são artes que, por esta altura, todos os pais começam a desenvolver de forma exponencial.

Se há sapatos para calçar, imitamos animais. Quando a criança decide que não quer tomar banho, teremos de a fazer imaginar uma piscina olímpica mesmo ali dentro da banheira. Se já devíamos ter saído de casa há 15 minutos para chegar ao consultório médico a horas, prometemos brincadeira na sala de espera.

Bem, é claro que nem sempre conseguimos ter toda esta calma, ou presença de espírito… Acontece a qualquer pai.

Contudo, parece-me óbvio que todos queremos ser os melhores pais do mundo: relaxados, divertidos e no controlo das situações. Afinal de contas, o sorriso das nossas crianças ilumina o nosso mundo e qualquer lágrima nos deixa em frangalhos…

Então, para minimizar lágrimas, birras, desentendidos e rabugices de parte a parte, a máxima “devagar se vai ao longe” deve estar sempre connosco. Sim, sempre que há crianças envolvidas numa determinada situação, indo devagar vai-se mais depressa.

Contraditório? Não acho.

Vejamos:

Às 7h15 da manhã, o despertador da minha filha começa a tocar: a rádio tenta expulsá-la do vale dos sonhos a todo o custo. É quase inglório para o pobre do aparelho. Por mais que toque, por mais que berre, melhor dizendo, ela teima em não acordar.

Para que isso aconteça, será necessário que o pai, ou eu, a vamos chamar e lhe façamos festas nas costas. Quando estamos neste ponto das nossas manhãs, o relógio já está perigosamente perto da hora de saída de casa.

Ainda com os olhos fechados, reclama por ser tão cedo e já ter de estar a pé. À noite, não tem vontade que chegue a hora de dormir. Porém, de manhã, temos sempre de arrancá-la dos lençóis com uma espátula!

Quando finalmente conseguimos que ela saia da cama, tudo tem de ser cronometrado: a higiene, o vestir, etc., etc.. A maior parte das discussões matinais, das chatices entre os membros da família, acontecem exatamente nesse período: ela gosta de fazer tudo devagar e nós precisamos que ela se apresse. O conflito torna-se inevitável!

Já lá vão vários anos de convívio familiar. Afinal de contas, ela conta com 7 anos de vida e, entre os 3 anos em que frequentou o jardim-de-infância e a entrada no ensino básico, este é o quarto ano em que tem horários para cumprir. Neste meio tempo, juntámos mais um elemento à família e ele, claro está, também participa da correria matinal.

O gosto da minha filha por fazer as coisas ao seu ritmo é algo que eu compreendo. Acho inclusivamente salutar que ela prefira a calma. No entanto, eu, adulta, vivo já na era do quanto mais depressa melhor, do “estou-atrasada-e-tenho-milhões-de-coisas-para-fazer”.

Isto é algo que ela não consegue sequer conceptualizar, quanto mais compreender, ou acompanhar.

No fundo, no fundo, tenho uma tremenda inveja (da boa, ressalve-se) da calma que nos é permitido sentir quando temos 7 aninhos. Cobiço a sua lista de afazeres sem pendências astronómicas. Como ela, queria não ter emails por responder. Gostava de conseguir viver sem uma aplicação de gestão de tarefas porque tudo o que preciso de me lembrar de fazer cabe ainda dentro da minha cabeça…

Consultas médicas. Atividades extra curriculares. Aniversários. Festas. Reuniões.

São tantos os afazeres e as solicitações. Temos muitas responsabilidades e compromissos. Às vezes parece que não seremos capazes de dar conta de todos os recados…

Entre tarefas pessoais, familiares e profissionais, a nossa vida parece um carrossel que roda sem parar a uma velocidade estonteante.

Todos os dias, saltitamos entre os momentos em que temos de cuidar de nós, dos que nos são queridos, da nossa carreira, do nosso lar e de todas as outras coisas que fazem parte da nossa vida.

Corremos de um lado para o outro na esperança de conseguir cumprir todos os nossos deveres, agradar a toda a gente, não falhar prazos e evitar a sensação de que algo importante ficou por fazer por nossos descuido, ou esquecimento.

Que nunca seja por culpa minha, rogamos…

Lá no fundo, sabemos que conseguir fazer tudo aquilo a que nos propomos a cada dia não é humanamente possível. Mas estamos sempre dispostos a pelo menos tentar.

No fim do dia, quando temos a oportunidade de recapitular o bom e mau do dia que terminou, podemos sentir que fomos super-heróis, ou que tudo correu da pior forma possível. Há dias em que parece que o tempo estica e outros há em que ele simplesmente voa sem que o consigamos apanhar.

A vida moderna, que nos tornou permanentemente disponíveis, acessíveis à distância de um telefonema, de um SMS ou de um Email, parece ter dobrado as nossas tarefas. Tanta coisa para dar atenção, tantos chamados, tanto para ler, para fazer, para dizer, para responder…

Estamos exaustos! O cérebro permantemente a processar informação, a resolver problemas, a equacionar soluções, a rever o que está feito e o que ainda está por fazer…

Deitamos a cabeça na almofada, a altas horas da noite, e não conseguimos dormir enquanto o fluxo e a confusão não param. É altamente desgastante viver desta forma!

E, no entanto, não conseguimos abrandar… Não conseguimos impor outro ritmo. Não conseguimos sair do carrossel porque ele parece estar a girar cada vez mais rápido, cada vez mais veloz. Gira, gira, gira, com luzes a piscar a piscar, com vozes a gritar.

Fechamos os olhos e desejamos que pare. Procuramos pela pessoa que comanda o carrossel e esta não aparece em lado nenhum. As outras pessoas que viajam no carrossel parecem não se importar muito com a velocidade a que vamos.

De repente, pensamos: tem de haver um travão, uma alavanca de segurança. Quero descer, não posso mais continuar a este ritmo. Estou a enlouquecer, estou mal disposto. Quero sair!

A custo, detetamos a tal alavanca e caminhamos na sua direção. Depois de várias tentativas, conseguimos puxá-la. O carrossel para e nós descemos.

Depois, o carrossel retoma a viagem, exatamente ao ritmo de antes.

Só que, felizmente, já cá estamos fora. Viramos costas. Rumamos a casa. A nossa vida vai ser diferente a partir de hoje!

A partir de hoje, vamos começar a ir devagar para ir depressa.

Esperar pelas Festas…

O melhor da festa e esperar por elaHá um ditado que diz:

O melhor da festa é esperar por ela!

Fazemos planos, seguimos listas, antecipamos o que pode acontecer, sobre o que vamos falar, o que os outros vão pensar, ou sentir, o quão divertida determinada situação pode ser, ou o quão stressante uma outra será. Fazemos filmes na nossa cabeça e ansiamos, ó se ansiamos, pela chegada do grande dia.

Depois, quando o momento tão aguardado finalmente se apresenta, passa tão rápido, que nos fica a sensação de que não o conseguimos aproveitar como deve ser…

No fim, quando paramos para pensar no que aconteceu, comparamos o que esperávamos com o que verdadeiramente se passou, vemos as diferenças e é provável que o que correu melhor que o esperado nos alegre e que o que não correu bem fique no nosso rol de lamentações.

É mesmo assim. Faz parte da vida.

E as Festas que aí vêm não são excepção.

Como diminuir a angústia da espera? Dou-te 3 estratégias:

1 – Adequa melhor as tuas expectativas e deixa-te surpreender.

Nem sempre é fácil, mas evita afligir-te excessivamente com o que achas que pode vir a correr mal, ou esperar que uma determinada situação corra às mil maravilhas. Isso pode implicar que tenhas de baixar as tuas expectativas.

Abraça o fator surpresa.

Concentra-te mais no que tens para fazer em cada momento e menos nos potenciais desfechos. Muitos deles nunca se irão verificar!

Mark Twain disse:

Tive várias preocupações na minha vida, a maioria das quais nunca aconteceu.

2 – Dá tudo o que tens, com sinceridade.

Muitas vezes damos por nós  a “fazer das tripas coração”, como o povo tão bem lhe chama. Ter sempre a disposição certa para encarar o que temos pela frente não é simples. Mas, em nome dos sentimentos que tens pelos que te rodeiam, dá-te com sinceridade e com compaixão.

Este é o detalhe que faz toda a diferença para a nossa alma: estás apenas a fazer o melhor que sabes e isso é precioso!

3 – A respiração é a chave.

Se lidar com uma situação estiver a ser particularmente difícil, respira fundo as vezes que forem precisas para que consigas encontrar dentro de ti a calma necessária. Leva a mão ao coração como forma de te ligares ao que verdadeiramente importa para ti.

Liberta-te dos sentimentos negativos. A vida é demasiado curta para travar lutas desnecessárias.

Deixa-te levar pelo momento. Sorri um pouco mais e preocupa-te um pouco menos. Já sabes que no fim tudo vai correr bem!

Vive este Natal com intensidade, mas sem angústias.

Dá-te aos que amas, no entanto não te esqueças de reservar algum tempo para ti, para que consigas recarregar energias.

Às vezes bastam apenas uns minutos a ver o mundo passar através da janela, ou o tempo de preparação de uma chávena de chá, para que consigas mudar o teu estado de espírito.

Desejo-te um Natal tremendamente feliz, com momentos muito simples, mas plenos de significado. Espero que consigas encher a tua alma e o teu coração de recordações valiosas, daquelas que nos acompanham pela vida fora.

Um santo Natal para ti e para os teus.

30 dias para perder um hábito e ganhar outro

perder e ganhar hábitos em 30 diasNesta edição da rubrica It’s so Interesting, falei-te do método que aprendi com o Jonathan Foust: 30 dias, uma observação e uma restrição. No fim, teríamos um novo hábito enraizado e um vício erradicado.

Resulta? Sim!

Recomendo? Vivamente!

Como é que se faz?

Assim:

1 – Imprimes o calendário que encontras aqui.

2 – Defines o hábito que queres começar e o vício que queres deixar. É conveniente que tenhas presente o teu “porquê”: deve ficar claro na tua cabeça o motivo pelo qual queres adicionar, ou remover, determinado hábito. Caso contrário, darás por ti a falhar por falta de orientação.

3 –  Afixas num local visível. Usa as outras pessoas a teu favor: ter de justificar o porquê de não estar a colocar cruzes todos os dias dá-te uma pressão extra que te vai motivar a respeitar os teus objetivos.

4 – Fazes a tua observação e afastas a tua restrição. Sempre que cumprires, desenhas uma cruz (também podes optar por fazer cruzes diferenciadas para a observação e para a restrição – testa para perceberes como é que é mais motivador para ti).

5 – Segues durante 30 dias.

5 – Se gostaste e achas que faz sentido voltar a usar o método para outras restrições ou observações (até podem ser as mesmas), repete.

Bons hábitos!

Podes ler mais sobre hábitos e rotinas neste artigo.

Conta-me, já experimentaste este método? Como correu? Se também tens um esquema eficaz para mudar hábitos, partilha-o nos comentários. Obrigada.

7 atividades simples que vão ajudar a que a família se sinta unida

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Partilho contigo o texto que escrevi para a edição de Dezembro de 2016 d’O Pequeno Saloio. Podes saber tudo sobre esta colaboração neste post.

A edição deste mês inclui textos de grande interesse sobre a influência da nossa postura na qualidade de vida e a diferença entre cefaleias e enxaquecas. Não esqueçamos também as receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar!

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


Eis que chegamos ao último mês do ano.

Olhamos para trás e analisamos tudo o que de bom e de mau este ano teve. Pensamos no que queremos fazer mais e no que queremos fazer menos. No que devemos manter e no que devemos deixar para trás.

Queremos:

– Mais tempo livre de qualidade!

– Menos preocupações!

– Mais momentos em família!

– Menos stress!

– Mais tempo para nós próprios: uma tarde inteirinha de volta do nosso passatempo preferido sabia tão bem…

Por ser o mês do Natal, Dezembro traz-nos sentimentos dúbios: se, por um lado, ficamos felizes por ser uma época de maior convívio com os nossos, por outro não conseguimos esquecer a azáfama que nos espera: tratar das decorações, comprar os presentes, preparar a consoada e/ou viajar para visitar familiares mais distantes.

Paralelamente, vários outros temas da nossa vida a precisam de atenção, tanto ao nível pessoal, como profissional. Há assuntos que têm de ser fechados antes de o ano terminar, há objetivos que ainda não conseguimos cumprir e lá decidimos fazer um esforço adicional…

E, no topo de tudo, os que nos são mais próximos também pedem a nossa atenção: ver um filme com a cara-metade, jogar às escondidas com as crianças, ou almoçar com os nossos pais, por exemplo.

Não é um mês simples, este. No entanto, lá vamos dando o nosso melhor, puxando daqui, correndo um pouco dali, dormindo menos duas horas ali… Cansativo, não é? Mas se tem de ser…

Afinal, onde quero chegar com tanta conversa?

Retomando a temática da gestão de tempo, e relembrando que devemos centrar-nos no essencial e esquecer o acessório, hoje queria deixar algumas sugestões de atividades para fazer em conjunto que irão trazer união e, simultaneamente, reavivar o espírito natalício no seio de cada família.

Com tanto consumismo a acontecer à nossa volta, é fácil esquecermo-nos do verdadeiro significado da quadra em que estamos a entrar, o Advento. Esta é uma tradição de origem cristã que remonta a tempos tão antigos como o ano 380 d.C., como forma de preparação para a festa do Natal. É um tempo de meditação, de piedosa e alegre expectativa.

Recordar a verdadeira essência da família, rever a história de Jesus, praticar o altruísmo e apreciar todos os aspetos interessantes desta época parece-me bastante salutar.

Imbuída deste espírito, tenho hoje para sugerir atividades simples que poderão fazer aí em casa e que vão, com toda a certeza, unir-vos em torno daquilo que verdadeiramente importa, fortalecendo os vossos laços e permitindo que passem tempo de qualidade, porque o Natal é muito mais do que embrulhos, bolo-rei, correrias e trabalheiras!

1 – Todos juntos na cozinha!

Fazer bolos, bolinhos, bolachas e bolachinhas deixa qualquer um de bom humor. Desde que se põe as mãos na massa, até que se sente o cheiro maravilhoso que emana do forno, não há má disposição que resista!

Cozinhar é amar, não é? Quando cozinhamos, colocamos sempre o melhor de nós naquilo que confecionamos. Momentos como estes, partilhados por pais e filhos, são inesquecíveis.

Ah, e não posso deixar de sugerir umas panquecas, uns crepes ou uns waffles para o pequeno-almoço de domingo.

E que tal uma competição de doces? Ou ver quem consegue descobrir a receita mais original?

Quem não é dado à doçaria pode optar por fazer pizzas, pães, ou qualquer outra receita que seja do seu agrado.

O importante é a entreajuda e, claro, as boas memórias culinárias!

2 – As artes manuais são fenomenais!

Esta pode ser uma boa altura para renovar o stock de artigos de desenho e pintura.

Na generalidade, todos os miúdos adoram desenhar (sim, eu sei, alguns até pintam o que não devem… Ah, crianças!). Muitos adultos também gostam de dar largas à sua imaginação no papel. Por isso, juntem-se à volta de uma mesa, partilhem os materiais e façam obras dignas de uma galeria de arte!

A beleza está sempre nos olhos de quem a vê. Tenho a certeza de que tudo vai ficar lindo!

Alternativamente, podem também fazer outro tipo de manualidades, como costura, tricot, artes decorativas ou origami.

Se ainda não seguiram as sugestões que a nossa amiga Ana Soares tem deixado neste jornal, este é o momento certo para o fazerem!

E é claro que podem usar a Internet para encontrar algo que gostassem de construir, como um presépio, ou um Pai Natal, aproveitando alguns materiais sem uso que tenham por casa.

Viva a reciclagem! E viva a imaginação!

3 – Ainda sabem jogar jogos de tabuleiro?

Numa época em que parece que não sabemos viver sem computadores, consolas ou telemóveis, será que ainda nos lembramos de como se jogam jogos de tabuleiro? Monopólio, Glória, Xadrez, Trivial Pursuit, Cartas, Pictionary, Scrabble… Estes são apenas alguns exemplos.

Digam-me lá que não vos vieram à memória as tardes bem passadas a jogar em família, ou com amigos, estes jogos maravilhosos?

Rodar os dados, brincar com dinheiro a fingir, fazer palhaçadas para adivinhar charadas, ou sentir a emoção de responder acertadamente a uma pergunta difícil mexe connosco.

Será tão bom partilhar estes sentimentos com os nossos filhos e mostrar-lhes o quão divertido é interagir com outras pessoas, em tempo real, num jogo que nos prende e nos ensina tanto de novo.

4 – Quem é o melhor contador de histórias?

Ainda estou para encontrar uma criança que não goste de histórias! Eu, quando era pequena, ficava perdida a ouvir as histórias reais que as pessoas mais velhas tinham para me contar sobre o seu passado, ou o de outras pessoas que eu conhecia. Estas são algumas das melhores memórias que tenho de parentes mais velhos e saudosos.

Que tal reunir a família para contar histórias? Reais ou inventadas, quem não aprecia um belo conto?

Se nos faltar a imaginação, ou a memória, podemos sempre recorrer aos livros que temos em casa e fazer uma maratona de leitura: incutir estes hábitos nos mais pequenos é algo que dará frutos muito bonitos no futuro, garantidamente.

O livro é um grande amigo e a sabedoria e o conhecimento que este nos traz são inestimáveis.

5 – Ainda têm álbuns fotográficos?

Espero que não me interpretem mal: sou grande fã dos avanços digitais do nosso tempo. Que seria de mim sem um computador (para escrever este texto, por exemplo)? Aprecio ver um bom filme na televisão. E já estou tão habituada a estar sempre contactável que me parece estranho não poder falar com alguém ao telemóvel quando quero.

No entanto, há alturas em que me parece tudo um pouco desmedido. Estar sempre a olhar para ecrãs não pode ser saudável, pois trata-se de uma atitude muito passiva.

As fotografias não são exceção: dediquei várias horas da minha infância e adolescência a tirar fotografias e a organizá-las em álbuns. A incerteza de se uma fotografia ficaria bem tirada, esperar pela revelação, anotar onde tinha sido tirada… São coisas que desapareceram com a ascensão da fotografia digital.

As fotos agora ficam dentro de cartões de memória, guardadas nos nossos telemóveis, arquivadas nos nossos computadores, ou espalhadas nas nossas redes sociais. E será que ainda as vemos? Ainda olhamos para elas com saudade, relembrando os momentos em que foram tiradas?

Procurem pelos vossos álbuns fotográficos e dediquem algum tempo a rever essas recordações todos juntos. Relembrem pessoas que já não veem há algum tempo, mas de que têm saudades, contem as histórias por detrás de cada foto, riam com as caretas dos fotografados, ou recordem os seus belos sorrisos.

A memória do que passou é tão importante para o nosso futuro. Não podemos saber para onde vamos se não soubermos de onde viemos…

6 – A Arte, sempre a Arte.

Ir a um concerto de música, visitar um museu, assistir a uma peça de teatro… São apenas alguns exemplos. Que seria do ser humano sem a arte? Sem a sua beleza, o seu chamamento, a sua emoção?

Criar faz parte de nós. Desfrutar do que os outros criam faz-nos bem. Apreciar a beleza de um belo quadro, ouvir uma sinfonia, aplaudir uma atuação brilhante…

A arte imita a vida e a vida imita a arte.

Seremos mais ricos se nos deixamos seduzir por tanta beleza!

7 – Brincar, brincar, brincar!

Viver e não poder brincar resulta em existências por demais aborrecidas. O tempo de lazer faz com que consigamos levar melhor a vida. Se tivermos crianças ao nosso redor, sabemos o quanto elas gostam que entremos nas suas brincadeiras: as escondidas, a apanhada, os legos, os puzzles…

E as brincadeiras que implicam fingir? Imaginar que se está numa festa de chá, num baile de reis e rainhas, ou a conduzir um carro de corrida são sempre atividades do agrado dos mais pequenos.

Para poder ver as suas carinhas a iluminarem-se, qualquer adulto aceita alinhar na brincadeira e sentir-se de novo criança!

Como veem, construir boas memórias em família não tem de implicar grandes gastos, nem demoradas preparações, nem adereços elaborados, nem nada de complicado. O que realmente conta é a nossa disponibilidade. Temos de querer fazer acontecer!

Eu sei que é fácil dizer que não temos tempo disponível, que há imensas tarefas a chamar por nós, um sem fim de responsabilidades em cima dos nossos ombros e que seria tão bom se as crianças se conseguissem entreter sozinhas todo o tempo…

Mas e se nos lembrarmos que elas só serão pequenas uma vez na vida? Que só irão pedir a nossa completa atenção até um determinado momento? Que vai haver uma altura em que se sentirão grandes demais para nos pedir abraços, para se sentar ao nosso colo, para rir a bandeiras despregadas com as nossas palhaçadas, para descobrir o mundo com olhos sedentos de novidade, para nos deliciar com a sua inocência?

Será que aí conseguiremos parar para lhes dar um pouco de nós? Seremos então capazes de largar tudo e fazer uma luta de almofadas, dedicar algumas horas a ensinar-lhes como se joga à bisca, abrir a agenda para os levar a um museu, ou esquecer o mundo lá fora e fingir que somos todos uma banda rock em cima de um palco?

Em nome da família. Em nome das boas memórias. Em nome do futuro de todos.

Eu acho que sim!

Desejos de umas Festas imensamente felizes!