Como parar de procrastinar de uma vez por todas

Como parar de procrastinar de uma vez por todas

Chegou o momento de divulgar o texto da edição de Junho de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.


Que levante o dedo quem nunca deixou uma tarefa, ou uma responsabilidade, arrastar-se no tempo. Alguém?

Chama-se procrastinar: deixar para depois; usar de delongas.

Oh, o que eu sou boa a procrastinar… Até arrepia!

Agora mais a sério. Quando, na minha cabeça, aquilo que eu tenho para fazer parece estar a tomar proporções que eu não consigo gerir, começo a deixar tarefas para trás apenas porque me parecem chatas, aborrecidas e demoradas.

Penso “agora não me apetece fazer isto, por isso vou juntar esta tarefa às várias que já aqui tenho para fazer mais tarde”. Os afazeres acumulam-se e a lista de pendências cresce a um ritmo alucinante. A isto se chama procrastinação deliberada. Pois, não é bonito.

Um bom exemplo é o arquivo de papéis: as faturas da farmácia, a documentação do seguro do carro, os recibos da associação de pais… Há uma pasta para guardar cada um destes documentos. Os malandros não encontram o caminho sozinhos…

Têm de ser furados com o furador, que está dentro de uma gaveta. É preciso abrir o armário onde está a dita pasta, tirar a pasta para fora, colocar lá o documento. Fechar a pasta. Arrumá-la no armário, fechar a porta do armário. Uff, que trabalheira!

Melhor será deixar este papel aqui em cima da secretária e um dia, com mais tempo e paciência, arrumo-o.

Sabem que mais? O dia com mais tempo e paciência nunca chega e, quando dou por isso, passaram 6 meses e o bom do papel continua por arquivar. Para ajudar, já que deixei um naquele sítio, acabo por deixar também muitos outros.

E, o que teria demorado no máximo 60 segundos inicialmente, acaba agora por demorar entre 30 minutos a 1 hora, já cada papel tem de ser visto e agrupado por categoria, para que vá parar à pasta certa.

Daí a importância do poder do agora: faça agora, pois custar-lhe-á muito mais depois.

E isto aplica-se a todos os aspectos da nossa vida. Portanto, a regra passa a ser: não adiar o que pode ser feito agora!

Por saber o quão difícil é combater este “bicho” chamado Procrastinação, deixo aqui os cinco passos que uso para contrariar a “dita cuja”:

1 – Determinar o que há para fazer em cada dia

Listar as tarefas mais importante que temos para completar naquele dia, aquelas que mais valor nos vão trazer, ou que mais nos irão aproximar dos nossos objetivos. Tem de ser uma lista fazível e não um rol interminável que nem um super-herói conseguiria levar a cabo!

2 – Fazer essas tarefas logo no início do dia, ou o mais cedo possível

Se aquela pessoa com quem é preciso falar só vai estar disponível da parte da tarde, fazer outras tarefas primeiro, ou optar por enviar-lhe um email, para adiantar o tema.

3 – Contar com os imprevistos

Se, entretanto, chegar uma tarefa não planeada, juntá-la à lista e definir quando será levada a cabo. Caso essa tarefa não planeada não demore mais do que 2 minutos, o melhor será fazê-la e não pensar mais nisso.

4 – A respiração pode ser a chave

Se a vontade de fazer determinada coisa se escapar, respirar fundo, observar de perto os sentimentos e os pensamentos que assomam nesse momento, aprender com isso e retomar a tarefa.

5 – Repetir os passos anteriores as vezes forem necessárias

Lutar contra a procrastinação é um “músculo” que se treina!

E é isto!

Depois de muito analisar a minha relação com a procrastinação, cheguei à conclusão que tudo se resume a medo: receio não ser bem sucedida, temo que a tarefa seja difícil, entediante, inútil… Porém, tive de me render às evidências: se tem mesmo de ser feito, porquê adiar? Na esperança de que a tarefa desapareça por si só? Não vai acontecer!

Fazer agora é sempre a melhor solução e a decisão mais sensata.

Boa “desprocrastinação”!

Devagar, que eu tenho pressa!

Hoje partilho contigo o texto da edição de Abril de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Nesta edição, descobrimos a origem do dia das mentiras, falamos sobre o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, ficamos a saber tudo sobre a Leishmaniose Canina e aprendemos mais sobre as dores nas costas.

Há ainda receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


A partir do momento em que uma criança entra nas nossas vidas, nada mais é igual.

Durante a fase inicial, há fraldas e sono, muito sono. Há loiça por lavar, pó por aspirar, roupa por tratar e uma família para alimentar.

Quando um bebé nasce, nascem também toda uma série de necessidades e novas tarefas que enchem a vidas dos novos pais de atribulações e desafios.

Nos primeiros meses, a principal preocupação dos pais é garantir que todas as suas necessidades básicas estão satisfeitas: carinho, segurança e alimentação.

No entanto, depois que se tornam móveis, e sobretudo a partir do momento em que conseguem comunicar de outra forma que não apenas o choro (nomeadamente vocalizando, ou apontando), dá-se uma mudança sem precedentes na dinâmica familiar, que irá influenciar o futuro de toda a família.

Para este pequeno explorador, tudo é novo e tremendamente interessante: os armários da cozinha, a torneiras do WC e todo e qualquer objeto cintilante e/ou barulhento.

Um bebé móvel e comunicativo é também um desafio parental de proporções épicas: a partir de agora, qualquer tarefa que envolva o bebé – vestir, tomar banho, comer ou sair de casa – ganha nuances nunca antes previstas.

Mudar de assunto, desviar a atenção, negociar, subornar e fazer promessas são artes que, por esta altura, todos os pais começam a desenvolver de forma exponencial.

Se há sapatos para calçar, imitamos animais. Quando a criança decide que não quer tomar banho, teremos de a fazer imaginar uma piscina olímpica mesmo ali dentro da banheira. Se já devíamos ter saído de casa há 15 minutos para chegar ao consultório médico a horas, prometemos brincadeira na sala de espera.

Bem, é claro que nem sempre conseguimos ter toda esta calma, ou presença de espírito… Acontece a qualquer pai.

Contudo, parece-me óbvio que todos queremos ser os melhores pais do mundo: relaxados, divertidos e no controlo das situações. Afinal de contas, o sorriso das nossas crianças ilumina o nosso mundo e qualquer lágrima nos deixa em frangalhos…

Então, para minimizar lágrimas, birras, desentendidos e rabugices de parte a parte, a máxima “devagar se vai ao longe” deve estar sempre connosco. Sim, sempre que há crianças envolvidas numa determinada situação, indo devagar vai-se mais depressa.

Contraditório? Não acho.

Vejamos:

Às 7h15 da manhã, o despertador da minha filha começa a tocar: a rádio tenta expulsá-la do vale dos sonhos a todo o custo. É quase inglório para o pobre do aparelho. Por mais que toque, por mais que berre, melhor dizendo, ela teima em não acordar.

Para que isso aconteça, será necessário que o pai, ou eu, a vamos chamar e lhe façamos festas nas costas. Quando estamos neste ponto das nossas manhãs, o relógio já está perigosamente perto da hora de saída de casa.

Ainda com os olhos fechados, reclama por ser tão cedo e já ter de estar a pé. À noite, não tem vontade que chegue a hora de dormir. Porém, de manhã, temos sempre de arrancá-la dos lençóis com uma espátula!

Quando finalmente conseguimos que ela saia da cama, tudo tem de ser cronometrado: a higiene, o vestir, etc., etc.. A maior parte das discussões matinais, das chatices entre os membros da família, acontecem exatamente nesse período: ela gosta de fazer tudo devagar e nós precisamos que ela se apresse. O conflito torna-se inevitável!

Já lá vão vários anos de convívio familiar. Afinal de contas, ela conta com 7 anos de vida e, entre os 3 anos em que frequentou o jardim-de-infância e a entrada no ensino básico, este é o quarto ano em que tem horários para cumprir. Neste meio tempo, juntámos mais um elemento à família e ele, claro está, também participa da correria matinal.

O gosto da minha filha por fazer as coisas ao seu ritmo é algo que eu compreendo. Acho inclusivamente salutar que ela prefira a calma. No entanto, eu, adulta, vivo já na era do quanto mais depressa melhor, do “estou-atrasada-e-tenho-milhões-de-coisas-para-fazer”.

Isto é algo que ela não consegue sequer conceptualizar, quanto mais compreender, ou acompanhar.

No fundo, no fundo, tenho uma tremenda inveja (da boa, ressalve-se) da calma que nos é permitido sentir quando temos 7 aninhos. Cobiço a sua lista de afazeres sem pendências astronómicas. Como ela, queria não ter emails por responder. Gostava de conseguir viver sem uma aplicação de gestão de tarefas porque tudo o que preciso de me lembrar de fazer cabe ainda dentro da minha cabeça…

Consultas médicas. Atividades extra curriculares. Aniversários. Festas. Reuniões.

São tantos os afazeres e as solicitações. Temos muitas responsabilidades e compromissos. Às vezes parece que não seremos capazes de dar conta de todos os recados…

Entre tarefas pessoais, familiares e profissionais, a nossa vida parece um carrossel que roda sem parar a uma velocidade estonteante.

Todos os dias, saltitamos entre os momentos em que temos de cuidar de nós, dos que nos são queridos, da nossa carreira, do nosso lar e de todas as outras coisas que fazem parte da nossa vida.

Corremos de um lado para o outro na esperança de conseguir cumprir todos os nossos deveres, agradar a toda a gente, não falhar prazos e evitar a sensação de que algo importante ficou por fazer por nossos descuido, ou esquecimento.

Que nunca seja por culpa minha, rogamos…

Lá no fundo, sabemos que conseguir fazer tudo aquilo a que nos propomos a cada dia não é humanamente possível. Mas estamos sempre dispostos a pelo menos tentar.

No fim do dia, quando temos a oportunidade de recapitular o bom e mau do dia que terminou, podemos sentir que fomos super-heróis, ou que tudo correu da pior forma possível. Há dias em que parece que o tempo estica e outros há em que ele simplesmente voa sem que o consigamos apanhar.

A vida moderna, que nos tornou permanentemente disponíveis, acessíveis à distância de um telefonema, de um SMS ou de um Email, parece ter dobrado as nossas tarefas. Tanta coisa para dar atenção, tantos chamados, tanto para ler, para fazer, para dizer, para responder…

Estamos exaustos! O cérebro permantemente a processar informação, a resolver problemas, a equacionar soluções, a rever o que está feito e o que ainda está por fazer…

Deitamos a cabeça na almofada, a altas horas da noite, e não conseguimos dormir enquanto o fluxo e a confusão não param. É altamente desgastante viver desta forma!

E, no entanto, não conseguimos abrandar… Não conseguimos impor outro ritmo. Não conseguimos sair do carrossel porque ele parece estar a girar cada vez mais rápido, cada vez mais veloz. Gira, gira, gira, com luzes a piscar a piscar, com vozes a gritar.

Fechamos os olhos e desejamos que pare. Procuramos pela pessoa que comanda o carrossel e esta não aparece em lado nenhum. As outras pessoas que viajam no carrossel parecem não se importar muito com a velocidade a que vamos.

De repente, pensamos: tem de haver um travão, uma alavanca de segurança. Quero descer, não posso mais continuar a este ritmo. Estou a enlouquecer, estou mal disposto. Quero sair!

A custo, detetamos a tal alavanca e caminhamos na sua direção. Depois de várias tentativas, conseguimos puxá-la. O carrossel para e nós descemos.

Depois, o carrossel retoma a viagem, exatamente ao ritmo de antes.

Só que, felizmente, já cá estamos fora. Viramos costas. Rumamos a casa. A nossa vida vai ser diferente a partir de hoje!

A partir de hoje, vamos começar a ir devagar para ir depressa.

Queres manhãs mais calmas? Prepara-as de véspera!

Preparar de véspera

Que dia é hoje? Dia de partilhar contigo o texto da edição de Março de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Este mês, iremos debruçar-nos sobre a conquista da Mulher Portuguesa, Ser Pai, Desligar o Complicómetro, a Tosse Convulsa e o Torcicolo no recém-nascido. 

Não esqueçamos, porém, as receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


Para mim, e creio que para muitas outras pessoas, sobretudo as que têm filhos em idade escolar, as manhãs são dos momentos mais stressantes do dia.

Mesmo conseguindo acordar cedo, ou tendo essa intenção, este é um período do nosso dia em que os minutos passam sempre muito depressa e, quando damos conta, já são horas de sair de casa.

Esta é, sem qualquer sombra de dúvida, a altura em que me sinto mais tensa e mais propensa a aborrecimentos: ter de estar no trabalho a uma determinada hora deixa-me com pouco espaço de manobra para demoras.

E, bem sabemos, se temos crianças pequenas a nosso encargo, a probabilidade de atrasos é mais do que muita.

Depois de ter passado muitas e muitas manhãs a correr de um lado para o outro que nem barata tonta, a soprar para não dizer impropérios e a aborrecer-me porque ninguém parecia tão interessado em despachar-se como eu, tive de adotar algumas medidas que me têm ajudado não só a diminuir a quantidade de tarefas que tenho de realizar logo pela manhã, mas também a sentir-me mais confiante e descansada.

A primeira decisão acertada foi a de antecipar a hora de despertar. Acordo agora 30 minutos mais cedo, o que me dá tempo para acordar devagar e para ter uns minutos só para mim, que uso para pensar e para mexer um pouco o corpo.

Se 30 minutos lhe parecem muitos minutos de sono “roubados”, comece por pôr o despertador apenas 15 minutos, ou mesmo só 5 minutos, mais cedo, e vai perceber que esta pequena alteração pode ser o suficiente para que consiga fazer tudo com uma calma extra e começar o dia de modo mais positivo.

Está a custar muito? Apague a televisão, ou desligue o computador, e deite-se mais cedo na noite anterior. Um bom despertar é em muito influenciado por uma boa noite de descanso.

Para além de me dar mais tempo para fazer o que é preciso, tenho também outras táticas para minimizar os stresses matinais.

Tudo se baseia na premissa de que quanto mais deixar preparado na noite anterior, melhor me sinto para enfrentar as manhãs.

Sim, preparar de véspera é a minha arma secreta! São apenas 15 a 20 minutos, por vezes até menos, que fazem a diferença e que me poupam muito mais do que isso ao amanhecer.

E o que é que eu preparo?

Vejamos:

1 – Garanto que todo o material escolar que vai ser necessário no dia seguinte está dentro da(s) mochila(s).

Não há nada pior do que ter de andar à procura de estojos, cadernos ou livros quando a única coisa que queremos é sair porta fora a tempo e horas.

É bom incutir nas crianças a noção de que o que pertence à mochila deve estar sempre lá quando não está a ser usado. Depois de fazer os trabalhos de casa, o material deve guardado.

Esta regra é de ouro: um sítio para cada coisa; cada coisa no seu sítio!

2 – Escolho a roupa para o dia seguinte.

Acho especialmente importante deixar separada a roupa que os miúdos vão usar, embora pré-determinar o que vou usar no dia seguinte me facilite bastante a vida.

No caso dos mais pequenos, seleciono a roupa de acordo com aquilo que está planeado: se há atividades físicas, por exemplo, a roupa tem de ser prática.

Para saber se devo escolher roupa mais, ou menos, quente, baseio-me na meteorologia desse mesmo dia e, se no próprio dia me parecer que há alguma peça que não se adequa, faço uma troca rápida.

O mesmo se aplica se a criança mostrar resistência em usar uma determinada roupa: trocar e evitar conflitos é sempre a melhor opção.

Deixar a roupa dos miúdos separada de véspera também permite que, por um lado, as crianças mais autónomas possam começar logo a despachar-se quando acordam e, por outro, que as que têm menos autonomia possam ser ajudadas por qualquer elemento da família.

3 – Arranjo os almoços e os lanches.

É, preparar de véspera também nos ajuda a poupar dinheiro. Quando planeamos as refeições, comemos comida mais saudável e por menos dinheiro. Só vantagens!

Separo e deixo dentro do frigorífico os almoços dos adultos, bem como aquilo que levaremos para os lanches do dia seguinte.

Quando é caso disso, aproveito para deixar já preparadas as saladas que irão acompanhar as refeições.

4 – Deixo na mesa do pequeno-almoço tudo aquilo que não precisa de refrigeração.

Loiça, guardanapos, fruta que não precisa de frio, tostas, cereais etc., etc., tudo isto pode ser deixado logo em cima da mesa, evitando que se passe o tempo a percorrer os armários, ou a despesa.

Bastará, quando forem horas de tomar a refeição mais importante do dia, retirar do frigorífico aquilo que falta.

Também é possível deixar certos pratos preparados de véspera, como papas de aveia, se for esta a nossa escolha matinal, ou, quem sabe, uma bela omelete.

Uma grande vantagem em preparar de véspera é que a tendência para escolher um pequeno-almoço mais saudável é muito maior. Quando se escolhe sem presas o que se quer comer, escolhe-se melhor.

5 – Se tiver que tomar medicamentos logo de manha, deixo-os na mesa do pequeno-almoço.

Esta é, a meu ver, a forma menos falível de nos esquecermos de tomar uma medicação. Não esquecer de deixar água junto dos ditos remédios, se se tratar de comprimidos, ou os utensílios medidores, no caso de xaropes, por exemplo.

6 – Coloco junto à porta tudo o que tem de sair de casa connosco.

Mochilas, casacos, documentos, chaves, óculos, telemóveis, malas e por aí fora: se temos de levar, tem de estar à vista!

Exceção feita, claro está, para aquilo que só tiro do frigorífico de manhã. Assim que estes itens ficam prontos, vão para junto dos outros.

Quantas e quantas vezes já tivemos de voltar atrás para buscar algo de que nos esquecemos porque não estava no sítio certo? E quantas e quantas vezes isso nos custou minutos preciosos e foi o suficiente para que perdessemos aquele autocarro que tínhamos mesmo de apanhar…

Uma boa manhã prepara-se de véspera: esta é uma lição que os últimos anos me têm ensinado. Só recorrendo a estas pequenas táticas tenho conseguido diminuir (erradicar parece-me impossível, pelo menos para já…) os aborrecimentos matinais.

Começar o dia com o pé direito exige planeamento antecipado, pois já nos bastam todos os imprevistos com a vida nos costuma presentear.

E, quando o imprevisto efetivamente acontecer, tentemos lidar com ele da melhor forma possível, sem esquecer de nos congratular por termos deixado tudo preparado de véspera.

30 dias para perder um hábito e ganhar outro

perder e ganhar hábitos em 30 diasNesta edição da rubrica It’s so Interesting, falei-te do método que aprendi com o Jonathan Foust: 30 dias, uma observação e uma restrição. No fim, teríamos um novo hábito enraizado e um vício erradicado.

Resulta? Sim!

Recomendo? Vivamente!

Como é que se faz?

Assim:

1 – Imprimes o calendário que encontras aqui.

2 – Defines o hábito que queres começar e o vício que queres deixar. É conveniente que tenhas presente o teu “porquê”: deve ficar claro na tua cabeça o motivo pelo qual queres adicionar, ou remover, determinado hábito. Caso contrário, darás por ti a falhar por falta de orientação.

3 –  Afixas num local visível. Usa as outras pessoas a teu favor: ter de justificar o porquê de não estar a colocar cruzes todos os dias dá-te uma pressão extra que te vai motivar a respeitar os teus objetivos.

4 – Fazes a tua observação e afastas a tua restrição. Sempre que cumprires, desenhas uma cruz (também podes optar por fazer cruzes diferenciadas para a observação e para a restrição – testa para perceberes como é que é mais motivador para ti).

5 – Segues durante 30 dias.

5 – Se gostaste e achas que faz sentido voltar a usar o método para outras restrições ou observações (até podem ser as mesmas), repete.

Bons hábitos!

Podes ler mais sobre hábitos e rotinas neste artigo.

Conta-me, já experimentaste este método? Como correu? Se também tens um esquema eficaz para mudar hábitos, partilha-o nos comentários. Obrigada.

Roupeiros Reais: a Catarina e a Sofia mostram-nos os seus armários!

roupeiros-reais-catarina-sofiaQuando descobri o conceito do Roupeiro Cápsula e fiz a primeira experiência nesta área fiquei logo fã.

Já várias vezes me perguntei porque não transformei o meu guarda-fatos mais cedo e como é que consegui viver durante tanto tempo no meio do caos de um armário atafulhado.

De há uns meses para cá, tenho vindo a partilhar contigo como organizo o meu roupeiro: contei-te quantas peças tenho, como cheguei a esse número e partilhei contigo um recurso precioso para te ajudar a construir o teu roupeiro mais simples.

Fui recebendo os comentários de algumas leitoras e lembrei-me de que seria super interessante partilhar a perspetiva de outras pessoas sobre este tema.

Acho que faz todo o sentido ficares a conhecer como é que outras pessoas que acreditam num estilo de vida simples vivenciam esta área das suas vidas e como encontram paz e bem-estar em guarda-fatos completamente ao seu estilo.

E foi por isso que pedi à Catarina e à Sofia, duas leitoras e bloggers que muito estimo, para nos falarem sobre os seus roupeiros e como são felizes com o que têm lá dentro.

Tenho a certeza que as suas palavras serão decisivas para quem ainda não decidiu destralhar o seu roupeiro. E haverá muitos momentos “eu também penso assim!” para quem já descomplicou o seu armário.

Preparada para uma entrevista absolutamente imperdível?

Vamos a isso!


It’s (not) so simple: Antes de mais, poderias apresentar-te aos leitores?

Ca: Olá eu sou a Catarina, autora do blogue Mundo da Alice. Um espaço onde partilho um pouco do meu mundo, onde abordo temas com os quais me identifico, da forma como encaro o meu dia a dia tentando sempre simplificar a minha vida. Respeitando sempre um dos meus maiores lemas de vida: procurar alegria e inspiração nas pequenas coisas da vida!

So: O meu pseudónimo é Sofia Mais Feliz porque foi isso que me motivou a começar a escrever o blog – ser mais feliz. Desde que iniciei esta aventura na blogosfera tenho aprendido imenso sobre a felicidade e de que forma a podemos viver mais explorando o que temos de melhor, sendo autênticas. Se tiveres curiosidade em saber mais, convido-te a ler o meu post sobre “O que aprendi desde que iniciei o blog”.

I: Como descreverias o teu estilo atual? Com que tipo de roupa é que te sentes bem? Há algum vestuário que uses apenas porque tem mesmo de ser (por motivos profissionais, por exemplo)?

So: É difícil descrever o meu estilo numa palavra, mas se o tivesse de fazer seria casual chic. Gosto de combinar peças confortáveis e elegantes que tirem o melhor partido da minha silhueta e que tenham a ver com a minha personalidade. Felizmente, não tenho dress code no trabalho, sendo que utilizo um estilo mais formal do que durante o fim-de-semana.

Ca: O meu estilo é casual e descontraído. Não sou demasiado exigente com a roupa, umas calças de ganga, um camiseiro e umas botas ou ténis está óptimo para mim. Se ficar mais fresco um casaco e está a toilette feita! E este é o formato em que me sinto melhor. No trabalho tenho de estar fardada com uma saia quase até ao joelho e uma bata. Confesso que não gosto nada mas tem de ser e nem vale a pena gastar a minha energia com isso.

I: Como organizas a tua roupa entre estações: que método de arrumação preferes e quando é que rodas a roupa que estás a usar para uma mais quente/mais fresca? Achas que essa tarefa podia ser otimizada de alguma forma?

Ca: Em casa tenho um closet, o que me facilita imenso a organização das minhas roupas e acessórios. Normalmente tenho quase tudo exposto. No fundo dos roupeiros tenho algumas caixas aonde arrumo os vestidos e tops de verão, nesta altura do ano. Quando chega o calor tiro-os e ponho lá os vestidos quentes e as camisolas mais grossas. Todo o resto está em cabides e gavetas, pronto a usar. Para mim está óptimo assim.

So: Vou rodando a roupa entre 2 armários, na Primavera e Outono. À medida que o tempo vai aquecendo ou esfriando, vou mudando gradualmente as peças. Sinto que esta tarefa poderia ser optimizada minimizando a quantidade de peças que tenho actualmente.

sofia-super-organizada

I: Quando descobres no teu roupeiro uma peça que já não usas, o que fazes com ela? Já houve alguma peça que te arrependeste de ter retirado do teu guarda-fatos?

So: Para mim é um enorme desafio eliminar uma peça de roupa que talvez volte a usar e que esteja em bom estado. Isto porque o nosso estilo é dinâmico e as modas também. Já por diversas vezes, tive peças que voltei a usar passado vários anos porque ficaram na moda ou porque simplesmente voltei-me a identificar com elas. Não sei se é uma desculpa, mas como já me aconteceu diversas vezes, tenho dificuldade em eliminar estas peças. Para as outras, costumo dá-las a pessoas que conheço, doá-las em contentores ou se estão inutilizáveis vão para o lixo.

Ca: Quando isso acontece tiro de imediato essa peça para doar, sem hesitar. E aproveito logo para dar uma volta para ver se não há mais alguma coisa que possa doar. Nunca me arrependi de dar nada, mas há uns 2/3 anos atrás lembrei-me do casaco de ganga que tive na minha adolescência, e que eu adorava. Pensei que se ainda o tivesse voltava a usá-lo. Mas também não pensei muito no assunto, pois já não o tinha e nem me lembrava que rumo lhe tinha dado.

I: Se tivesses de mudar de casa neste preciso momento e só pudesses levar uma mala de roupa contigo, o que é que não conseguirias deixar para trás?

Ca: Gosto de todas as peças que tenho, acho que se tivesse de fazer uma seleção não seria muito difícil. Seleccionava 2 ou 3 pares de calças, uns vestidos, umas camisas, algumas camisolas, 1 casaco e claro leggins para a minha prática de yoga (da qual não abdico nunca).

So: Tentaria levar comigo as roupas mais básicas e intemporais possíveis para darem com tudo: calças de ganga, calças pretas e uma saia simples; top, camisa de meia manga, camisola de manga comprida, casaco; equipamento desportivo; um par de ténis, botas, sandálias e chinelos. Ah e roupa interior, convém!

I: Se quisesses ficar conhecida por uma só peça do teu armário (uma que usas com muita frequência por ser absolutamente versátil/deslumbrante), qual seria? Podes descrevê-la?

So: Adorei esta pergunta (colocou-me a pensar :)). Não sei se estou deslumbrada por ser uma compra nova, mas talvez por uns ténis novos, todos pretos, com uns apliques brilhantes também em preto. Para mim, são a definição de casual chic, e estou certa que os poderei utilizar em imensas ocasiões diferentes. Ao mesmo tempo, acho que me representam na perfeição!

Ca: Ora aqui está uma pergunta nada fácil de responder. Sinceramente não sei muito bem, se por um lado acho que seria o meu casaco preto tipo pele, e que adoro e que combina com qualquer coisa, também há um vestido preto que acho que me favorece bastante… Não! Pensando melhor sei a resposta sim! O casaco preto sem sombra de dúvida.

catarina-deslumbra

I: Há alguma roupa da tua infância/adolescência que gostavas de ter a oportunidade de voltar a usar? Diz-nos o motivo.

So: Nem por isso 🙂

Ca: O casaco de ganga que mencionei numa das perguntas anteriores. Porque era super giro, e porque continua a ser uma peça que se usa muito e se adequa muito ao estilo que eu gosto! Sorte a minha que ao comentar isto com a minha mãe, tive uma surpresa. A senhora minha mãe que passa a vida a destralhar e não é de guardar nada tinha-o guardado, por ser uma peça que eu adorava, e que tinha usado imenso. Quando o voltei a vestir passados tantos anos e vi que ele ainda me servia fiquei feliz da vida. Adoro usá-lo!

I: As vossas respostas foram fabulosas! Catarina e Sofia, foi uma honra ter-vos aqui no It’s (not) so simple e um privilégio ficar a conhecer os vossos roupeiros! Têm alguma mensagem que gostassem de deixar aos leitores?

Ca: Não posso deixar de agradecer à Mafalda pelo convite para este desafio, no qual gostei bastante de participar. Ajudou-me a reflectir sobre o assunto e a ter mais a certeza de como cada vez mais as coisas à minha volta se vão simplificando e o que eu vou beneficiando por isso. Agradeço também por todas as partilhas que a Mafalda faz no seu blogue, sempre tão inspiradoras e enriquecedoras.

So: Acredito que tudo aquilo que nos diz respeito molda a nossa vida. E isto passa pela forma como pensamos, sentimos, mas também pela nossa postura, forma de vestir. Por isso, é importante que procuremos por coerência em tudo aquilo que nos diz respeito. Ter um armário organizado e com o qual nos identifiquemos faz parte desse processo. Encontrar o “armário certo” significa uma jornada de auto-conhecimento, desapego e consequente maior auto-estima e felicidade. Por isso lê os artigos da Mafalda, estou certa de que te ajudarão muito! Podes ainda ler o post onde falo sobre “Como reduzi o meu guarda-roupa em 4 passos”.

I: Minhas queridas, obrigada por partilharem connosco os vossos guarda-fatos simples, mas extremamente inspiradores!


Que entrevista fantástica, não concordas?

Se também gostavas de partilhar a tua perspetiva de um Roupeiro Real, envia-me um email para mafalda [at] itsnotsosimple.com. Será um prazer divulgar a tua história!

O que achaste dos armários da Catarina e da Sofia? Sentes-te tão satisfeita como elas com o que tens no guarda-fatos?