Devagar, que eu tenho pressa!

Hoje partilho contigo o texto da edição de Abril de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Nesta edição, descobrimos a origem do dia das mentiras, falamos sobre o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, ficamos a saber tudo sobre a Leishmaniose Canina e aprendemos mais sobre as dores nas costas.

Há ainda receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


A partir do momento em que uma criança entra nas nossas vidas, nada mais é igual.

Durante a fase inicial, há fraldas e sono, muito sono. Há loiça por lavar, pó por aspirar, roupa por tratar e uma família para alimentar.

Quando um bebé nasce, nascem também toda uma série de necessidades e novas tarefas que enchem a vidas dos novos pais de atribulações e desafios.

Nos primeiros meses, a principal preocupação dos pais é garantir que todas as suas necessidades básicas estão satisfeitas: carinho, segurança e alimentação.

No entanto, depois que se tornam móveis, e sobretudo a partir do momento em que conseguem comunicar de outra forma que não apenas o choro (nomeadamente vocalizando, ou apontando), dá-se uma mudança sem precedentes na dinâmica familiar, que irá influenciar o futuro de toda a família.

Para este pequeno explorador, tudo é novo e tremendamente interessante: os armários da cozinha, a torneiras do WC e todo e qualquer objeto cintilante e/ou barulhento.

Um bebé móvel e comunicativo é também um desafio parental de proporções épicas: a partir de agora, qualquer tarefa que envolva o bebé – vestir, tomar banho, comer ou sair de casa – ganha nuances nunca antes previstas.

Mudar de assunto, desviar a atenção, negociar, subornar e fazer promessas são artes que, por esta altura, todos os pais começam a desenvolver de forma exponencial.

Se há sapatos para calçar, imitamos animais. Quando a criança decide que não quer tomar banho, teremos de a fazer imaginar uma piscina olímpica mesmo ali dentro da banheira. Se já devíamos ter saído de casa há 15 minutos para chegar ao consultório médico a horas, prometemos brincadeira na sala de espera.

Bem, é claro que nem sempre conseguimos ter toda esta calma, ou presença de espírito… Acontece a qualquer pai.

Contudo, parece-me óbvio que todos queremos ser os melhores pais do mundo: relaxados, divertidos e no controlo das situações. Afinal de contas, o sorriso das nossas crianças ilumina o nosso mundo e qualquer lágrima nos deixa em frangalhos…

Então, para minimizar lágrimas, birras, desentendidos e rabugices de parte a parte, a máxima “devagar se vai ao longe” deve estar sempre connosco. Sim, sempre que há crianças envolvidas numa determinada situação, indo devagar vai-se mais depressa.

Contraditório? Não acho.

Vejamos:

Às 7h15 da manhã, o despertador da minha filha começa a tocar: a rádio tenta expulsá-la do vale dos sonhos a todo o custo. É quase inglório para o pobre do aparelho. Por mais que toque, por mais que berre, melhor dizendo, ela teima em não acordar.

Para que isso aconteça, será necessário que o pai, ou eu, a vamos chamar e lhe façamos festas nas costas. Quando estamos neste ponto das nossas manhãs, o relógio já está perigosamente perto da hora de saída de casa.

Ainda com os olhos fechados, reclama por ser tão cedo e já ter de estar a pé. À noite, não tem vontade que chegue a hora de dormir. Porém, de manhã, temos sempre de arrancá-la dos lençóis com uma espátula!

Quando finalmente conseguimos que ela saia da cama, tudo tem de ser cronometrado: a higiene, o vestir, etc., etc.. A maior parte das discussões matinais, das chatices entre os membros da família, acontecem exatamente nesse período: ela gosta de fazer tudo devagar e nós precisamos que ela se apresse. O conflito torna-se inevitável!

Já lá vão vários anos de convívio familiar. Afinal de contas, ela conta com 7 anos de vida e, entre os 3 anos em que frequentou o jardim-de-infância e a entrada no ensino básico, este é o quarto ano em que tem horários para cumprir. Neste meio tempo, juntámos mais um elemento à família e ele, claro está, também participa da correria matinal.

O gosto da minha filha por fazer as coisas ao seu ritmo é algo que eu compreendo. Acho inclusivamente salutar que ela prefira a calma. No entanto, eu, adulta, vivo já na era do quanto mais depressa melhor, do “estou-atrasada-e-tenho-milhões-de-coisas-para-fazer”.

Isto é algo que ela não consegue sequer conceptualizar, quanto mais compreender, ou acompanhar.

No fundo, no fundo, tenho uma tremenda inveja (da boa, ressalve-se) da calma que nos é permitido sentir quando temos 7 aninhos. Cobiço a sua lista de afazeres sem pendências astronómicas. Como ela, queria não ter emails por responder. Gostava de conseguir viver sem uma aplicação de gestão de tarefas porque tudo o que preciso de me lembrar de fazer cabe ainda dentro da minha cabeça…

Consultas médicas. Atividades extra curriculares. Aniversários. Festas. Reuniões.

São tantos os afazeres e as solicitações. Temos muitas responsabilidades e compromissos. Às vezes parece que não seremos capazes de dar conta de todos os recados…

Entre tarefas pessoais, familiares e profissionais, a nossa vida parece um carrossel que roda sem parar a uma velocidade estonteante.

Todos os dias, saltitamos entre os momentos em que temos de cuidar de nós, dos que nos são queridos, da nossa carreira, do nosso lar e de todas as outras coisas que fazem parte da nossa vida.

Corremos de um lado para o outro na esperança de conseguir cumprir todos os nossos deveres, agradar a toda a gente, não falhar prazos e evitar a sensação de que algo importante ficou por fazer por nossos descuido, ou esquecimento.

Que nunca seja por culpa minha, rogamos…

Lá no fundo, sabemos que conseguir fazer tudo aquilo a que nos propomos a cada dia não é humanamente possível. Mas estamos sempre dispostos a pelo menos tentar.

No fim do dia, quando temos a oportunidade de recapitular o bom e mau do dia que terminou, podemos sentir que fomos super-heróis, ou que tudo correu da pior forma possível. Há dias em que parece que o tempo estica e outros há em que ele simplesmente voa sem que o consigamos apanhar.

A vida moderna, que nos tornou permanentemente disponíveis, acessíveis à distância de um telefonema, de um SMS ou de um Email, parece ter dobrado as nossas tarefas. Tanta coisa para dar atenção, tantos chamados, tanto para ler, para fazer, para dizer, para responder…

Estamos exaustos! O cérebro permantemente a processar informação, a resolver problemas, a equacionar soluções, a rever o que está feito e o que ainda está por fazer…

Deitamos a cabeça na almofada, a altas horas da noite, e não conseguimos dormir enquanto o fluxo e a confusão não param. É altamente desgastante viver desta forma!

E, no entanto, não conseguimos abrandar… Não conseguimos impor outro ritmo. Não conseguimos sair do carrossel porque ele parece estar a girar cada vez mais rápido, cada vez mais veloz. Gira, gira, gira, com luzes a piscar a piscar, com vozes a gritar.

Fechamos os olhos e desejamos que pare. Procuramos pela pessoa que comanda o carrossel e esta não aparece em lado nenhum. As outras pessoas que viajam no carrossel parecem não se importar muito com a velocidade a que vamos.

De repente, pensamos: tem de haver um travão, uma alavanca de segurança. Quero descer, não posso mais continuar a este ritmo. Estou a enlouquecer, estou mal disposto. Quero sair!

A custo, detetamos a tal alavanca e caminhamos na sua direção. Depois de várias tentativas, conseguimos puxá-la. O carrossel para e nós descemos.

Depois, o carrossel retoma a viagem, exatamente ao ritmo de antes.

Só que, felizmente, já cá estamos fora. Viramos costas. Rumamos a casa. A nossa vida vai ser diferente a partir de hoje!

A partir de hoje, vamos começar a ir devagar para ir depressa.

Queres manhãs mais calmas? Prepara-as de véspera!

Preparar de véspera

Que dia é hoje? Dia de partilhar contigo o texto da edição de Março de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Este mês, iremos debruçar-nos sobre a conquista da Mulher Portuguesa, Ser Pai, Desligar o Complicómetro, a Tosse Convulsa e o Torcicolo no recém-nascido. 

Não esqueçamos, porém, as receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


Para mim, e creio que para muitas outras pessoas, sobretudo as que têm filhos em idade escolar, as manhãs são dos momentos mais stressantes do dia.

Mesmo conseguindo acordar cedo, ou tendo essa intenção, este é um período do nosso dia em que os minutos passam sempre muito depressa e, quando damos conta, já são horas de sair de casa.

Esta é, sem qualquer sombra de dúvida, a altura em que me sinto mais tensa e mais propensa a aborrecimentos: ter de estar no trabalho a uma determinada hora deixa-me com pouco espaço de manobra para demoras.

E, bem sabemos, se temos crianças pequenas a nosso encargo, a probabilidade de atrasos é mais do que muita.

Depois de ter passado muitas e muitas manhãs a correr de um lado para o outro que nem barata tonta, a soprar para não dizer impropérios e a aborrecer-me porque ninguém parecia tão interessado em despachar-se como eu, tive de adotar algumas medidas que me têm ajudado não só a diminuir a quantidade de tarefas que tenho de realizar logo pela manhã, mas também a sentir-me mais confiante e descansada.

A primeira decisão acertada foi a de antecipar a hora de despertar. Acordo agora 30 minutos mais cedo, o que me dá tempo para acordar devagar e para ter uns minutos só para mim, que uso para pensar e para mexer um pouco o corpo.

Se 30 minutos lhe parecem muitos minutos de sono “roubados”, comece por pôr o despertador apenas 15 minutos, ou mesmo só 5 minutos, mais cedo, e vai perceber que esta pequena alteração pode ser o suficiente para que consiga fazer tudo com uma calma extra e começar o dia de modo mais positivo.

Está a custar muito? Apague a televisão, ou desligue o computador, e deite-se mais cedo na noite anterior. Um bom despertar é em muito influenciado por uma boa noite de descanso.

Para além de me dar mais tempo para fazer o que é preciso, tenho também outras táticas para minimizar os stresses matinais.

Tudo se baseia na premissa de que quanto mais deixar preparado na noite anterior, melhor me sinto para enfrentar as manhãs.

Sim, preparar de véspera é a minha arma secreta! São apenas 15 a 20 minutos, por vezes até menos, que fazem a diferença e que me poupam muito mais do que isso ao amanhecer.

E o que é que eu preparo?

Vejamos:

1 – Garanto que todo o material escolar que vai ser necessário no dia seguinte está dentro da(s) mochila(s).

Não há nada pior do que ter de andar à procura de estojos, cadernos ou livros quando a única coisa que queremos é sair porta fora a tempo e horas.

É bom incutir nas crianças a noção de que o que pertence à mochila deve estar sempre lá quando não está a ser usado. Depois de fazer os trabalhos de casa, o material deve guardado.

Esta regra é de ouro: um sítio para cada coisa; cada coisa no seu sítio!

2 – Escolho a roupa para o dia seguinte.

Acho especialmente importante deixar separada a roupa que os miúdos vão usar, embora pré-determinar o que vou usar no dia seguinte me facilite bastante a vida.

No caso dos mais pequenos, seleciono a roupa de acordo com aquilo que está planeado: se há atividades físicas, por exemplo, a roupa tem de ser prática.

Para saber se devo escolher roupa mais, ou menos, quente, baseio-me na meteorologia desse mesmo dia e, se no próprio dia me parecer que há alguma peça que não se adequa, faço uma troca rápida.

O mesmo se aplica se a criança mostrar resistência em usar uma determinada roupa: trocar e evitar conflitos é sempre a melhor opção.

Deixar a roupa dos miúdos separada de véspera também permite que, por um lado, as crianças mais autónomas possam começar logo a despachar-se quando acordam e, por outro, que as que têm menos autonomia possam ser ajudadas por qualquer elemento da família.

3 – Arranjo os almoços e os lanches.

É, preparar de véspera também nos ajuda a poupar dinheiro. Quando planeamos as refeições, comemos comida mais saudável e por menos dinheiro. Só vantagens!

Separo e deixo dentro do frigorífico os almoços dos adultos, bem como aquilo que levaremos para os lanches do dia seguinte.

Quando é caso disso, aproveito para deixar já preparadas as saladas que irão acompanhar as refeições.

4 – Deixo na mesa do pequeno-almoço tudo aquilo que não precisa de refrigeração.

Loiça, guardanapos, fruta que não precisa de frio, tostas, cereais etc., etc., tudo isto pode ser deixado logo em cima da mesa, evitando que se passe o tempo a percorrer os armários, ou a despesa.

Bastará, quando forem horas de tomar a refeição mais importante do dia, retirar do frigorífico aquilo que falta.

Também é possível deixar certos pratos preparados de véspera, como papas de aveia, se for esta a nossa escolha matinal, ou, quem sabe, uma bela omelete.

Uma grande vantagem em preparar de véspera é que a tendência para escolher um pequeno-almoço mais saudável é muito maior. Quando se escolhe sem presas o que se quer comer, escolhe-se melhor.

5 – Se tiver que tomar medicamentos logo de manha, deixo-os na mesa do pequeno-almoço.

Esta é, a meu ver, a forma menos falível de nos esquecermos de tomar uma medicação. Não esquecer de deixar água junto dos ditos remédios, se se tratar de comprimidos, ou os utensílios medidores, no caso de xaropes, por exemplo.

6 – Coloco junto à porta tudo o que tem de sair de casa connosco.

Mochilas, casacos, documentos, chaves, óculos, telemóveis, malas e por aí fora: se temos de levar, tem de estar à vista!

Exceção feita, claro está, para aquilo que só tiro do frigorífico de manhã. Assim que estes itens ficam prontos, vão para junto dos outros.

Quantas e quantas vezes já tivemos de voltar atrás para buscar algo de que nos esquecemos porque não estava no sítio certo? E quantas e quantas vezes isso nos custou minutos preciosos e foi o suficiente para que perdessemos aquele autocarro que tínhamos mesmo de apanhar…

Uma boa manhã prepara-se de véspera: esta é uma lição que os últimos anos me têm ensinado. Só recorrendo a estas pequenas táticas tenho conseguido diminuir (erradicar parece-me impossível, pelo menos para já…) os aborrecimentos matinais.

Começar o dia com o pé direito exige planeamento antecipado, pois já nos bastam todos os imprevistos com a vida nos costuma presentear.

E, quando o imprevisto efetivamente acontecer, tentemos lidar com ele da melhor forma possível, sem esquecer de nos congratular por termos deixado tudo preparado de véspera.

30 dias para perder um hábito e ganhar outro

perder e ganhar hábitos em 30 diasNesta edição da rubrica It’s so Interesting, falei-te do método que aprendi com o Jonathan Foust: 30 dias, uma observação e uma restrição. No fim, teríamos um novo hábito enraizado e um vício erradicado.

Resulta? Sim!

Recomendo? Vivamente!

Como é que se faz?

Assim:

1 – Imprimes o calendário que encontras aqui.

2 – Defines o hábito que queres começar e o vício que queres deixar. É conveniente que tenhas presente o teu “porquê”: deve ficar claro na tua cabeça o motivo pelo qual queres adicionar, ou remover, determinado hábito. Caso contrário, darás por ti a falhar por falta de orientação.

3 –  Afixas num local visível. Usa as outras pessoas a teu favor: ter de justificar o porquê de não estar a colocar cruzes todos os dias dá-te uma pressão extra que te vai motivar a respeitar os teus objetivos.

4 – Fazes a tua observação e afastas a tua restrição. Sempre que cumprires, desenhas uma cruz (também podes optar por fazer cruzes diferenciadas para a observação e para a restrição – testa para perceberes como é que é mais motivador para ti).

5 – Segues durante 30 dias.

5 – Se gostaste e achas que faz sentido voltar a usar o método para outras restrições ou observações (até podem ser as mesmas), repete.

Bons hábitos!

Podes ler mais sobre hábitos e rotinas neste artigo.

Conta-me, já experimentaste este método? Como correu? Se também tens um esquema eficaz para mudar hábitos, partilha-o nos comentários. Obrigada.

Roupeiros Reais: a Catarina e a Sofia mostram-nos os seus armários!

roupeiros-reais-catarina-sofiaQuando descobri o conceito do Roupeiro Cápsula e fiz a primeira experiência nesta área fiquei logo fã.

Já várias vezes me perguntei porque não transformei o meu guarda-fatos mais cedo e como é que consegui viver durante tanto tempo no meio do caos de um armário atafulhado.

De há uns meses para cá, tenho vindo a partilhar contigo como organizo o meu roupeiro: contei-te quantas peças tenho, como cheguei a esse número e partilhei contigo um recurso precioso para te ajudar a construir o teu roupeiro mais simples.

Fui recebendo os comentários de algumas leitoras e lembrei-me de que seria super interessante partilhar a perspetiva de outras pessoas sobre este tema.

Acho que faz todo o sentido ficares a conhecer como é que outras pessoas que acreditam num estilo de vida simples vivenciam esta área das suas vidas e como encontram paz e bem-estar em guarda-fatos completamente ao seu estilo.

E foi por isso que pedi à Catarina e à Sofia, duas leitoras e bloggers que muito estimo, para nos falarem sobre os seus roupeiros e como são felizes com o que têm lá dentro.

Tenho a certeza que as suas palavras serão decisivas para quem ainda não decidiu destralhar o seu roupeiro. E haverá muitos momentos “eu também penso assim!” para quem já descomplicou o seu armário.

Preparada para uma entrevista absolutamente imperdível?

Vamos a isso!


It’s (not) so simple: Antes de mais, poderias apresentar-te aos leitores?

Ca: Olá eu sou a Catarina, autora do blogue Mundo da Alice. Um espaço onde partilho um pouco do meu mundo, onde abordo temas com os quais me identifico, da forma como encaro o meu dia a dia tentando sempre simplificar a minha vida. Respeitando sempre um dos meus maiores lemas de vida: procurar alegria e inspiração nas pequenas coisas da vida!

So: O meu pseudónimo é Sofia Mais Feliz porque foi isso que me motivou a começar a escrever o blog – ser mais feliz. Desde que iniciei esta aventura na blogosfera tenho aprendido imenso sobre a felicidade e de que forma a podemos viver mais explorando o que temos de melhor, sendo autênticas. Se tiveres curiosidade em saber mais, convido-te a ler o meu post sobre “O que aprendi desde que iniciei o blog”.

I: Como descreverias o teu estilo atual? Com que tipo de roupa é que te sentes bem? Há algum vestuário que uses apenas porque tem mesmo de ser (por motivos profissionais, por exemplo)?

So: É difícil descrever o meu estilo numa palavra, mas se o tivesse de fazer seria casual chic. Gosto de combinar peças confortáveis e elegantes que tirem o melhor partido da minha silhueta e que tenham a ver com a minha personalidade. Felizmente, não tenho dress code no trabalho, sendo que utilizo um estilo mais formal do que durante o fim-de-semana.

Ca: O meu estilo é casual e descontraído. Não sou demasiado exigente com a roupa, umas calças de ganga, um camiseiro e umas botas ou ténis está óptimo para mim. Se ficar mais fresco um casaco e está a toilette feita! E este é o formato em que me sinto melhor. No trabalho tenho de estar fardada com uma saia quase até ao joelho e uma bata. Confesso que não gosto nada mas tem de ser e nem vale a pena gastar a minha energia com isso.

I: Como organizas a tua roupa entre estações: que método de arrumação preferes e quando é que rodas a roupa que estás a usar para uma mais quente/mais fresca? Achas que essa tarefa podia ser otimizada de alguma forma?

Ca: Em casa tenho um closet, o que me facilita imenso a organização das minhas roupas e acessórios. Normalmente tenho quase tudo exposto. No fundo dos roupeiros tenho algumas caixas aonde arrumo os vestidos e tops de verão, nesta altura do ano. Quando chega o calor tiro-os e ponho lá os vestidos quentes e as camisolas mais grossas. Todo o resto está em cabides e gavetas, pronto a usar. Para mim está óptimo assim.

So: Vou rodando a roupa entre 2 armários, na Primavera e Outono. À medida que o tempo vai aquecendo ou esfriando, vou mudando gradualmente as peças. Sinto que esta tarefa poderia ser optimizada minimizando a quantidade de peças que tenho actualmente.

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I: Quando descobres no teu roupeiro uma peça que já não usas, o que fazes com ela? Já houve alguma peça que te arrependeste de ter retirado do teu guarda-fatos?

So: Para mim é um enorme desafio eliminar uma peça de roupa que talvez volte a usar e que esteja em bom estado. Isto porque o nosso estilo é dinâmico e as modas também. Já por diversas vezes, tive peças que voltei a usar passado vários anos porque ficaram na moda ou porque simplesmente voltei-me a identificar com elas. Não sei se é uma desculpa, mas como já me aconteceu diversas vezes, tenho dificuldade em eliminar estas peças. Para as outras, costumo dá-las a pessoas que conheço, doá-las em contentores ou se estão inutilizáveis vão para o lixo.

Ca: Quando isso acontece tiro de imediato essa peça para doar, sem hesitar. E aproveito logo para dar uma volta para ver se não há mais alguma coisa que possa doar. Nunca me arrependi de dar nada, mas há uns 2/3 anos atrás lembrei-me do casaco de ganga que tive na minha adolescência, e que eu adorava. Pensei que se ainda o tivesse voltava a usá-lo. Mas também não pensei muito no assunto, pois já não o tinha e nem me lembrava que rumo lhe tinha dado.

I: Se tivesses de mudar de casa neste preciso momento e só pudesses levar uma mala de roupa contigo, o que é que não conseguirias deixar para trás?

Ca: Gosto de todas as peças que tenho, acho que se tivesse de fazer uma seleção não seria muito difícil. Seleccionava 2 ou 3 pares de calças, uns vestidos, umas camisas, algumas camisolas, 1 casaco e claro leggins para a minha prática de yoga (da qual não abdico nunca).

So: Tentaria levar comigo as roupas mais básicas e intemporais possíveis para darem com tudo: calças de ganga, calças pretas e uma saia simples; top, camisa de meia manga, camisola de manga comprida, casaco; equipamento desportivo; um par de ténis, botas, sandálias e chinelos. Ah e roupa interior, convém!

I: Se quisesses ficar conhecida por uma só peça do teu armário (uma que usas com muita frequência por ser absolutamente versátil/deslumbrante), qual seria? Podes descrevê-la?

So: Adorei esta pergunta (colocou-me a pensar :)). Não sei se estou deslumbrada por ser uma compra nova, mas talvez por uns ténis novos, todos pretos, com uns apliques brilhantes também em preto. Para mim, são a definição de casual chic, e estou certa que os poderei utilizar em imensas ocasiões diferentes. Ao mesmo tempo, acho que me representam na perfeição!

Ca: Ora aqui está uma pergunta nada fácil de responder. Sinceramente não sei muito bem, se por um lado acho que seria o meu casaco preto tipo pele, e que adoro e que combina com qualquer coisa, também há um vestido preto que acho que me favorece bastante… Não! Pensando melhor sei a resposta sim! O casaco preto sem sombra de dúvida.

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I: Há alguma roupa da tua infância/adolescência que gostavas de ter a oportunidade de voltar a usar? Diz-nos o motivo.

So: Nem por isso 🙂

Ca: O casaco de ganga que mencionei numa das perguntas anteriores. Porque era super giro, e porque continua a ser uma peça que se usa muito e se adequa muito ao estilo que eu gosto! Sorte a minha que ao comentar isto com a minha mãe, tive uma surpresa. A senhora minha mãe que passa a vida a destralhar e não é de guardar nada tinha-o guardado, por ser uma peça que eu adorava, e que tinha usado imenso. Quando o voltei a vestir passados tantos anos e vi que ele ainda me servia fiquei feliz da vida. Adoro usá-lo!

I: As vossas respostas foram fabulosas! Catarina e Sofia, foi uma honra ter-vos aqui no It’s (not) so simple e um privilégio ficar a conhecer os vossos roupeiros! Têm alguma mensagem que gostassem de deixar aos leitores?

Ca: Não posso deixar de agradecer à Mafalda pelo convite para este desafio, no qual gostei bastante de participar. Ajudou-me a reflectir sobre o assunto e a ter mais a certeza de como cada vez mais as coisas à minha volta se vão simplificando e o que eu vou beneficiando por isso. Agradeço também por todas as partilhas que a Mafalda faz no seu blogue, sempre tão inspiradoras e enriquecedoras.

So: Acredito que tudo aquilo que nos diz respeito molda a nossa vida. E isto passa pela forma como pensamos, sentimos, mas também pela nossa postura, forma de vestir. Por isso, é importante que procuremos por coerência em tudo aquilo que nos diz respeito. Ter um armário organizado e com o qual nos identifiquemos faz parte desse processo. Encontrar o “armário certo” significa uma jornada de auto-conhecimento, desapego e consequente maior auto-estima e felicidade. Por isso lê os artigos da Mafalda, estou certa de que te ajudarão muito! Podes ainda ler o post onde falo sobre “Como reduzi o meu guarda-roupa em 4 passos”.

I: Minhas queridas, obrigada por partilharem connosco os vossos guarda-fatos simples, mas extremamente inspiradores!


Que entrevista fantástica, não concordas?

Se também gostavas de partilhar a tua perspetiva de um Roupeiro Real, envia-me um email para mafalda [at] itsnotsosimple.com. Será um prazer divulgar a tua história!

O que achaste dos armários da Catarina e da Sofia? Sentes-te tão satisfeita como elas com o que tens no guarda-fatos?

Como simplificar a gestão da agenda familiar

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Partilho contigo o texto que escrevi para a edição de Novembro de 2016 d’O Pequeno Saloio. Podes saber tudo sobre esta colaboração neste post.

A edição deste mês inclui artigos extremamente interessantes sobre a enurese noturna, a disfunção osteopática craniana, uma reflexão sobre por que é que as pessoas mentem, entre outros textos de grande utilidade. E não esqueçamos as receitas, os passatempos e as sugestões culturais!

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


As nossas agendas estão preenchidas com um número interminável de acontecimentos, tanto da esfera pública, como da privada. Sendo nós seres sociáveis, temos uma diversidade incrível de papéis a desempenhar nas nossas vidas pessoais, sociais, familiares e profissionais. Estes afazeres consomem, em permanência, a nossa disponibilidade.

Se lidar com a agenda individual é um desafio de dimensões consideráveis, gerir a dos vários elementos de uma família parece uma aventura cheia de peripécias: reuniões, consultas médicas, atividades extracurriculares, aniversários, festas…

É frequente algumas destas obrigações serem incompatíveis entre si, por exemplo em termos de horário, e é necessária muita “ginástica” para não falhar nenhum compromisso.

Para além disso, hoje em dia vivemos vidas extremamente velozes, com imenso para fazer e muito pouco tempo disponível. Ter compromissos em excesso resulta numa sensação de desorganização, de descontrolo e de que estamos permanentemente imersos no caos.

Paralelamente, a angústia por chegar fora de horas aos compromissos, ou de não conseguir atingir os nossos objetivos, leva a constrangimentos internos. Parece-nos que estamos a falhar perante as outras pessoas, que não sabemos respeitar as regras nem os sentimentos de quem espera por nós.

Achamos que estamos sempre na berlinda, perdendo algo importante, ou caindo nas bocas do mundo. É com esta visão extremista que o nosso subconsciente nos prega partidas, fazendo-nos sentir permanentemente em esforço e aquém das nossas capacidades.

É meu dever dizer o seguinte: todos temos o direito de nos atrasarmos de quando em vez. Todos podemos esperar, e fazer esperar, uma vez por outra. Sobretudo quando temos crianças pequenas sob a nossa alçada…

De qualquer forma, o meu propósito hoje é disponibilizar algumas estratégias para lidar melhor com agendas sobrecarregadas e (quase) descontroladas.

Consideramos a organização e o método importantes: fazemos listas em papel, usamos o computador para gerir os nossos afazeres e/ou recorremos aos nossos telemóveis. No entanto, quando damos por isso, tudo voltou a fugir do nosso controlo e recomeça o desespero.

Tendo em mente a simplificação da nossa vida, deixo aqui algumas ideias que poderão ser úteis a quem quer, de uma vez por todas, retomar as rédeas dos seus afazeres.

1 – Aprender a delegar!

A primeira coisa que devemos interiorizar é que todo o ser humano é finito. Ninguém consegue estar em todo o lado, nem fazer tudo o que há para fazer. Sou muito dada à sabedoria popular e há um provérbio que gosto de repetir, como forma de recordar (nem que seja só a mim própria!) que não se pode fazer tudo: “Quem muitos burros toca, algum deixa para trás”!

Pedir ajuda ou passar tarefas a outras pessoas não é um sinal de fraqueza: ninguém vai pensar menos de nós se chegarmos à conclusão de que não conseguimos fazer tudo o que temos à nossa frente. Quem gosta de nós terá todo o prazer em ajudar-nos!

Delegar tarefas que sabemos que outra pessoa pode fazer sem problemas, quer no âmbito profissional (atender o telefone, ou pedir um orçamento), quer no pessoal (lavar a loiça, ou dobrar a roupa), é o primeiro passo a dar.

2 – Parar de fazer tarefas sem sentido e agrupar as que são repetitivas.

Se está limpo, para quê limpar de novo? Se for possível reservar uma hora do dia só para responder a emails, façamo-lo de uma só vez!

Remover/otimizar afazeres e limpar a lista de tarefas ajuda a libertar o nosso tempo para o que realmente tem utilidade.

A revisão periódica da lista de afazeres é essencial na gestão da nossa disponibilidade. O nosso tempo é precioso e o tempo perdido jamais será recuperado! Por isso, ter a certeza de que o estamos a empregar da melhor forma é fundamental.

Afinal de contas, todos gostamos de ter o maior número de ocasiões para realizar as atividades que realmente nos dão prazer, como passear, brincar com os nossos filhos, ler um bom livro, etc.. Quando estamos sobrecarregados com compromissos, nada disto é possível!

3 – Deixar a agenda respirar!

Não, não se trata de pô-la ao ar, nem de carregá-la na mão, ao invés de na mala…

Depois de remover as tarefas inúteis, devemos começar a olhar para a nossa agenda e a geri-la de outra forma. Não enchê-la em demasia é o segredo para salvaguardar a preciosidade do nosso tempo e manter a nossa sanidade mental.

Devemos passar a deixar mais espaço entre cada compromisso e a definir apenas um número razoável de afazeres para cada dia.

É bastante provável que uma lista com 20 itens fique por concluir. Já uma lista com 3 itens será mais fácil de completar. No final do dia, saber que essas 3 tarefas foram cumpridas vai dar-nos muito mais alento.

Não conseguir chegar ao fim da nossa lista faz-nos sentir desmotivados e, dessa forma, torna-se mais fácil ceder à procrastinação. E nós não queremos isso!

4 – Implementar um sistema de gestão da agenda familiar.

Gerir os compromissos pessoais é tendencialmente mais fácil: usamos uma agenda em papel, confiamos no telemóvel, ou depositamos uma confiança cega nos nossos neurónios. Esta última é só para quem tem mesmo muito boa memória. Se for o seu caso, como o invejo! Mas uma inveja boa, ressalve-se…

No entanto, quando há mais pessoas envolvidas, estes sistemas não têm tão bons resultados.

Algumas pessoas usam calendários virtuais partilhados e essa poderá ser uma opção a explorar, sobretudo para alguém dado às tecnologias e com acesso à Internet. Nesse caso, recomendo o uso do Google Calendar, uma ferramenta versátil e potente e que atualmente uso para guardar os aniversários importantes e para registar compromissos futuros.

Porém, a gestão dos compromissos da minha família ficaria incompleta se não usássemos um outro método: um quadro branco!

Não se trata de nada de muito elaborado: escolhemos um modelo económico e com as dimensões certas para afixar na lateral do frigorífico, que é um local que vemos todos os dias. Adicionámos um marcador próprio e, desta forma muito simples, ficou mais fácil gerir as consultas dos miúdos, os aniversários da família e dos amigos, as festas, os eventos importantes da escola e tudo o resto.

Quando precisamos de saber se temos algo agendado para uma determinada data, basta olhar para o quadro e confirmar se estamos disponíveis. E agora é muito mais fácil lembrarmo-nos dos nossos compromissos!

Como mantenho o método em funcionamento? No início do mês apago as anotações anteriores e, com a ajuda de um calendário, atualizo para o mês corrente: escrevo os dias, quem faz anos e as marcações que já temos. Acrescento as novas solicitações à medida que nos vão chegando.

Para mim, o sucesso deste método assenta na sua visibilidade: ajuda a que os compromissos sejam mais fáceis de recordar e, para além disso, todos os envolvidos podem vê-lo e interagir com ele. Bom, por enquanto, e lá em casa, só os adultos é que o fazem. Mas, à medida que as crianças forem crescendo, passarão também a usá-lo.

O facto de haver um sistema para administrar a agenda familiar vai também dar aos mais novos as fundações de que precisam para aprenderem a gerir o seu próprio tempo da melhor forma.

Se ainda não o faz, comece o quanto antes a simplificar a sua agenda e verá os benefícios que irá recolher dessa experiência.