Devagar, que eu tenho pressa!

Hoje partilho contigo o texto da edição de Abril de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Nesta edição, descobrimos a origem do dia das mentiras, falamos sobre o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, ficamos a saber tudo sobre a Leishmaniose Canina e aprendemos mais sobre as dores nas costas.

Há ainda receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

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A partir do momento em que uma criança entra nas nossas vidas, nada mais é igual.

Durante a fase inicial, há fraldas e sono, muito sono. Há loiça por lavar, pó por aspirar, roupa por tratar e uma família para alimentar.

Quando um bebé nasce, nascem também toda uma série de necessidades e novas tarefas que enchem a vidas dos novos pais de atribulações e desafios.

Nos primeiros meses, a principal preocupação dos pais é garantir que todas as suas necessidades básicas estão satisfeitas: carinho, segurança e alimentação.

No entanto, depois que se tornam móveis, e sobretudo a partir do momento em que conseguem comunicar de outra forma que não apenas o choro (nomeadamente vocalizando, ou apontando), dá-se uma mudança sem precedentes na dinâmica familiar, que irá influenciar o futuro de toda a família.

Para este pequeno explorador, tudo é novo e tremendamente interessante: os armários da cozinha, a torneiras do WC e todo e qualquer objeto cintilante e/ou barulhento.

Um bebé móvel e comunicativo é também um desafio parental de proporções épicas: a partir de agora, qualquer tarefa que envolva o bebé – vestir, tomar banho, comer ou sair de casa – ganha nuances nunca antes previstas.

Mudar de assunto, desviar a atenção, negociar, subornar e fazer promessas são artes que, por esta altura, todos os pais começam a desenvolver de forma exponencial.

Se há sapatos para calçar, imitamos animais. Quando a criança decide que não quer tomar banho, teremos de a fazer imaginar uma piscina olímpica mesmo ali dentro da banheira. Se já devíamos ter saído de casa há 15 minutos para chegar ao consultório médico a horas, prometemos brincadeira na sala de espera.

Bem, é claro que nem sempre conseguimos ter toda esta calma, ou presença de espírito… Acontece a qualquer pai.

Contudo, parece-me óbvio que todos queremos ser os melhores pais do mundo: relaxados, divertidos e no controlo das situações. Afinal de contas, o sorriso das nossas crianças ilumina o nosso mundo e qualquer lágrima nos deixa em frangalhos…

Então, para minimizar lágrimas, birras, desentendidos e rabugices de parte a parte, a máxima “devagar se vai ao longe” deve estar sempre connosco. Sim, sempre que há crianças envolvidas numa determinada situação, indo devagar vai-se mais depressa.

Contraditório? Não acho.

Vejamos:

Às 7h15 da manhã, o despertador da minha filha começa a tocar: a rádio tenta expulsá-la do vale dos sonhos a todo o custo. É quase inglório para o pobre do aparelho. Por mais que toque, por mais que berre, melhor dizendo, ela teima em não acordar.

Para que isso aconteça, será necessário que o pai, ou eu, a vamos chamar e lhe façamos festas nas costas. Quando estamos neste ponto das nossas manhãs, o relógio já está perigosamente perto da hora de saída de casa.

Ainda com os olhos fechados, reclama por ser tão cedo e já ter de estar a pé. À noite, não tem vontade que chegue a hora de dormir. Porém, de manhã, temos sempre de arrancá-la dos lençóis com uma espátula!

Quando finalmente conseguimos que ela saia da cama, tudo tem de ser cronometrado: a higiene, o vestir, etc., etc.. A maior parte das discussões matinais, das chatices entre os membros da família, acontecem exatamente nesse período: ela gosta de fazer tudo devagar e nós precisamos que ela se apresse. O conflito torna-se inevitável!

Já lá vão vários anos de convívio familiar. Afinal de contas, ela conta com 7 anos de vida e, entre os 3 anos em que frequentou o jardim-de-infância e a entrada no ensino básico, este é o quarto ano em que tem horários para cumprir. Neste meio tempo, juntámos mais um elemento à família e ele, claro está, também participa da correria matinal.

O gosto da minha filha por fazer as coisas ao seu ritmo é algo que eu compreendo. Acho inclusivamente salutar que ela prefira a calma. No entanto, eu, adulta, vivo já na era do quanto mais depressa melhor, do “estou-atrasada-e-tenho-milhões-de-coisas-para-fazer”.

Isto é algo que ela não consegue sequer conceptualizar, quanto mais compreender, ou acompanhar.

No fundo, no fundo, tenho uma tremenda inveja (da boa, ressalve-se) da calma que nos é permitido sentir quando temos 7 aninhos. Cobiço a sua lista de afazeres sem pendências astronómicas. Como ela, queria não ter emails por responder. Gostava de conseguir viver sem uma aplicação de gestão de tarefas porque tudo o que preciso de me lembrar de fazer cabe ainda dentro da minha cabeça…

Consultas médicas. Atividades extra curriculares. Aniversários. Festas. Reuniões.

São tantos os afazeres e as solicitações. Temos muitas responsabilidades e compromissos. Às vezes parece que não seremos capazes de dar conta de todos os recados…

Entre tarefas pessoais, familiares e profissionais, a nossa vida parece um carrossel que roda sem parar a uma velocidade estonteante.

Todos os dias, saltitamos entre os momentos em que temos de cuidar de nós, dos que nos são queridos, da nossa carreira, do nosso lar e de todas as outras coisas que fazem parte da nossa vida.

Corremos de um lado para o outro na esperança de conseguir cumprir todos os nossos deveres, agradar a toda a gente, não falhar prazos e evitar a sensação de que algo importante ficou por fazer por nossos descuido, ou esquecimento.

Que nunca seja por culpa minha, rogamos…

Lá no fundo, sabemos que conseguir fazer tudo aquilo a que nos propomos a cada dia não é humanamente possível. Mas estamos sempre dispostos a pelo menos tentar.

No fim do dia, quando temos a oportunidade de recapitular o bom e mau do dia que terminou, podemos sentir que fomos super-heróis, ou que tudo correu da pior forma possível. Há dias em que parece que o tempo estica e outros há em que ele simplesmente voa sem que o consigamos apanhar.

A vida moderna, que nos tornou permanentemente disponíveis, acessíveis à distância de um telefonema, de um SMS ou de um Email, parece ter dobrado as nossas tarefas. Tanta coisa para dar atenção, tantos chamados, tanto para ler, para fazer, para dizer, para responder…

Estamos exaustos! O cérebro permantemente a processar informação, a resolver problemas, a equacionar soluções, a rever o que está feito e o que ainda está por fazer…

Deitamos a cabeça na almofada, a altas horas da noite, e não conseguimos dormir enquanto o fluxo e a confusão não param. É altamente desgastante viver desta forma!

E, no entanto, não conseguimos abrandar… Não conseguimos impor outro ritmo. Não conseguimos sair do carrossel porque ele parece estar a girar cada vez mais rápido, cada vez mais veloz. Gira, gira, gira, com luzes a piscar a piscar, com vozes a gritar.

Fechamos os olhos e desejamos que pare. Procuramos pela pessoa que comanda o carrossel e esta não aparece em lado nenhum. As outras pessoas que viajam no carrossel parecem não se importar muito com a velocidade a que vamos.

De repente, pensamos: tem de haver um travão, uma alavanca de segurança. Quero descer, não posso mais continuar a este ritmo. Estou a enlouquecer, estou mal disposto. Quero sair!

A custo, detetamos a tal alavanca e caminhamos na sua direção. Depois de várias tentativas, conseguimos puxá-la. O carrossel para e nós descemos.

Depois, o carrossel retoma a viagem, exatamente ao ritmo de antes.

Só que, felizmente, já cá estamos fora. Viramos costas. Rumamos a casa. A nossa vida vai ser diferente a partir de hoje!

A partir de hoje, vamos começar a ir devagar para ir depressa.

Queres manhãs mais calmas? Prepara-as de véspera!

Preparar de véspera

Que dia é hoje? Dia de partilhar contigo o texto da edição de Março de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Este mês, iremos debruçar-nos sobre a conquista da Mulher Portuguesa, Ser Pai, Desligar o Complicómetro, a Tosse Convulsa e o Torcicolo no recém-nascido. 

Não esqueçamos, porém, as receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

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Para mim, e creio que para muitas outras pessoas, sobretudo as que têm filhos em idade escolar, as manhãs são dos momentos mais stressantes do dia.

Mesmo conseguindo acordar cedo, ou tendo essa intenção, este é um período do nosso dia em que os minutos passam sempre muito depressa e, quando damos conta, já são horas de sair de casa.

Esta é, sem qualquer sombra de dúvida, a altura em que me sinto mais tensa e mais propensa a aborrecimentos: ter de estar no trabalho a uma determinada hora deixa-me com pouco espaço de manobra para demoras.

E, bem sabemos, se temos crianças pequenas a nosso encargo, a probabilidade de atrasos é mais do que muita.

Depois de ter passado muitas e muitas manhãs a correr de um lado para o outro que nem barata tonta, a soprar para não dizer impropérios e a aborrecer-me porque ninguém parecia tão interessado em despachar-se como eu, tive de adotar algumas medidas que me têm ajudado não só a diminuir a quantidade de tarefas que tenho de realizar logo pela manhã, mas também a sentir-me mais confiante e descansada.

A primeira decisão acertada foi a de antecipar a hora de despertar. Acordo agora 30 minutos mais cedo, o que me dá tempo para acordar devagar e para ter uns minutos só para mim, que uso para pensar e para mexer um pouco o corpo.

Se 30 minutos lhe parecem muitos minutos de sono “roubados”, comece por pôr o despertador apenas 15 minutos, ou mesmo só 5 minutos, mais cedo, e vai perceber que esta pequena alteração pode ser o suficiente para que consiga fazer tudo com uma calma extra e começar o dia de modo mais positivo.

Está a custar muito? Apague a televisão, ou desligue o computador, e deite-se mais cedo na noite anterior. Um bom despertar é em muito influenciado por uma boa noite de descanso.

Para além de me dar mais tempo para fazer o que é preciso, tenho também outras táticas para minimizar os stresses matinais.

Tudo se baseia na premissa de que quanto mais deixar preparado na noite anterior, melhor me sinto para enfrentar as manhãs.

Sim, preparar de véspera é a minha arma secreta! São apenas 15 a 20 minutos, por vezes até menos, que fazem a diferença e que me poupam muito mais do que isso ao amanhecer.

E o que é que eu preparo?

Vejamos:

1 – Garanto que todo o material escolar que vai ser necessário no dia seguinte está dentro da(s) mochila(s).

Não há nada pior do que ter de andar à procura de estojos, cadernos ou livros quando a única coisa que queremos é sair porta fora a tempo e horas.

É bom incutir nas crianças a noção de que o que pertence à mochila deve estar sempre lá quando não está a ser usado. Depois de fazer os trabalhos de casa, o material deve guardado.

Esta regra é de ouro: um sítio para cada coisa; cada coisa no seu sítio!

2 – Escolho a roupa para o dia seguinte.

Acho especialmente importante deixar separada a roupa que os miúdos vão usar, embora pré-determinar o que vou usar no dia seguinte me facilite bastante a vida.

No caso dos mais pequenos, seleciono a roupa de acordo com aquilo que está planeado: se há atividades físicas, por exemplo, a roupa tem de ser prática.

Para saber se devo escolher roupa mais, ou menos, quente, baseio-me na meteorologia desse mesmo dia e, se no próprio dia me parecer que há alguma peça que não se adequa, faço uma troca rápida.

O mesmo se aplica se a criança mostrar resistência em usar uma determinada roupa: trocar e evitar conflitos é sempre a melhor opção.

Deixar a roupa dos miúdos separada de véspera também permite que, por um lado, as crianças mais autónomas possam começar logo a despachar-se quando acordam e, por outro, que as que têm menos autonomia possam ser ajudadas por qualquer elemento da família.

3 – Arranjo os almoços e os lanches.

É, preparar de véspera também nos ajuda a poupar dinheiro. Quando planeamos as refeições, comemos comida mais saudável e por menos dinheiro. Só vantagens!

Separo e deixo dentro do frigorífico os almoços dos adultos, bem como aquilo que levaremos para os lanches do dia seguinte.

Quando é caso disso, aproveito para deixar já preparadas as saladas que irão acompanhar as refeições.

4 – Deixo na mesa do pequeno-almoço tudo aquilo que não precisa de refrigeração.

Loiça, guardanapos, fruta que não precisa de frio, tostas, cereais etc., etc., tudo isto pode ser deixado logo em cima da mesa, evitando que se passe o tempo a percorrer os armários, ou a despesa.

Bastará, quando forem horas de tomar a refeição mais importante do dia, retirar do frigorífico aquilo que falta.

Também é possível deixar certos pratos preparados de véspera, como papas de aveia, se for esta a nossa escolha matinal, ou, quem sabe, uma bela omelete.

Uma grande vantagem em preparar de véspera é que a tendência para escolher um pequeno-almoço mais saudável é muito maior. Quando se escolhe sem presas o que se quer comer, escolhe-se melhor.

5 – Se tiver que tomar medicamentos logo de manha, deixo-os na mesa do pequeno-almoço.

Esta é, a meu ver, a forma menos falível de nos esquecermos de tomar uma medicação. Não esquecer de deixar água junto dos ditos remédios, se se tratar de comprimidos, ou os utensílios medidores, no caso de xaropes, por exemplo.

6 – Coloco junto à porta tudo o que tem de sair de casa connosco.

Mochilas, casacos, documentos, chaves, óculos, telemóveis, malas e por aí fora: se temos de levar, tem de estar à vista!

Exceção feita, claro está, para aquilo que só tiro do frigorífico de manhã. Assim que estes itens ficam prontos, vão para junto dos outros.

Quantas e quantas vezes já tivemos de voltar atrás para buscar algo de que nos esquecemos porque não estava no sítio certo? E quantas e quantas vezes isso nos custou minutos preciosos e foi o suficiente para que perdessemos aquele autocarro que tínhamos mesmo de apanhar…

Uma boa manhã prepara-se de véspera: esta é uma lição que os últimos anos me têm ensinado. Só recorrendo a estas pequenas táticas tenho conseguido diminuir (erradicar parece-me impossível, pelo menos para já…) os aborrecimentos matinais.

Começar o dia com o pé direito exige planeamento antecipado, pois já nos bastam todos os imprevistos com a vida nos costuma presentear.

E, quando o imprevisto efetivamente acontecer, tentemos lidar com ele da melhor forma possível, sem esquecer de nos congratular por termos deixado tudo preparado de véspera.

12 resoluções de ano novo para uma vida mais saudável

12 resoluções para o novo ano_Blogue

Hoje é dia de partilhar contigo o texto que escrevi para a edição de Janeiro de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber tudo sobre esta colaboração neste post.

A primeira edição deste ano fala-nos sobre a conjuntivite na criança, a osteopatia nos idosos e desejos para 2017. Não esqueçamos, claro está, as receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar!

 

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Começo por desejar que 2017 seja maravilhoso e pleno de boas vibrações.

Quando um novo ano começa, enchemo-nos de expetativas e de esperança. Desejamos saúde, paz, amor, felicidade, dinheiro (ajuda, não é?), trabalho (mas não demasiado…), entre várias outras coisas que fazem falta nas nossas vidas.

Fazemos resoluções: ser mais organizado, perder peso, aprender uma coisa nova, ser mais simpático, ter mais calma… Às vezes, até fazemos listas daquilo que queremos que seja diferente ao longo dos próximos 12 meses. E, pelo menos durante Janeiro, esforçamo-nos por fazer tudo aquilo com que nos comprometemos.

Só que, eventualmente, chega um momento em que se torna mais difícil manter os novos padrões que pensamos para nós e lá voltamos aos nossos velhos hábitos. Tudo volta ao que era antes, fazendo-nos sentir desiludidos connosco próprios, achando que nunca iremos ser capazes de mudar, ou de atingir os nossos objetivos.

Tem mesmo de ser assim?

A temática dos hábitos, de como estes se formam, de como se mantêm, ou de como se podem perder, fascina-me. Para quem gostava de saber mais, há um livro que aconselho vivamente: A Força do Hábito, de Charles Duhigg. A sua leitura ensina-nos que é possível mudar as nossas rotinas, começando novos padrões de comportamento que estejam em concordância com o que efetivamente queremos para nós.

Deixar de fumar, emagrecer, ou conseguir, finalmente, alcançar objetivos profissionais é realmente possível. Não deixem de ler.

E porque sei que quem está desse lado pode estar, neste preciso momento, a construir a sua lista de resoluções de novo ano, aqui ficam algumas sugestões de bons hábitos para começar em 2017.

1 – Dormir mais.

Todos sabemos a importância de noites bem dormidas. Sabemos, por experiência própria inclusivamente, que quando dormimos menos, ou pior, a nosso corpo e a nossa mente se ressentem.

Apesar de ser verdade que nem todos precisamos do mesmo número de horas de descanso, há um limite que não devemos ultrapassar. Mesmo que consigamos continuar a desempenhar as nossas tarefas com poucas horas de sono, no médio/longo prazo o preço a pagar pode ser elevado!

Por isso, ainda que a lista de afazeres esteja longe de concluída, que a TV esteja a mostrar um filme interessante, ou que os emails estejam por responder, vá para a cama!

As tarefas não vão azedar, pode ver o filme noutra altura e os emails não fogem. Mas o seu cérebro sofre as consequências das horas de sono perdidas.

Opte por se deitar mais cedo e vai dormir melhor. Se for preciso, acorde um pouco mais cedo no dia seguinte e vai ver que, depois de uma boa noite de sono, tudo fica mais fácil.

2 – Cuidar mais de si.

Quando temos uma família para tomar conta, e sobretudo quando há crianças pequenas, é fácil deixarmo-nos ficar para segundo plano. E, embora isto seja bastante generoso e altruísta da nossa parte, e faça sentido em algumas situações, também pode tornar-se perigoso, principalmente quando acontece durante anos a fio.

É natural haver períodos na nossa vida em que temos de pôr as necessidades dos que amamos em primeiro lugar, mas deixar que isso se torne na norma nas nossas vidas não é bom.

Dedicar-se a aprender algo novo, ou a aperfeiçoar um passatempo, cuidar do corpo e da mente, passear (mesmo que seja só até ao fundo da rua), meditar, orar, ou agradecer o que se tem, são alguns exemplos de atividades que nos ajudam a estarmos mais perto de nós próprios, a aceitarmo-nos melhor e a sentirmo-nos mais capazes.

Se não estivermos bem interiormente, aquilo que temos para oferecer é pouco e nunca será o melhor de nós. Cuide de si, porque se ama, mas também por amor aos outros.

3 – Abrandar o ritmo.

Sei que a sua lista de afazeres é quase quilométrica: tarefas, responsabilidades várias (suas, ou de outras pessoas), recados… Chega a ser assustador pensar no quanto há para fazer, não é?

E temos sempre vontade de fazer tudo no menor espaço de tempo possível: ir às compras, passar no multibanco, deixar correspondência nos correios, visitar aquela tia que não vemos há meses, dar um pulinho à festa de anos da filha da nossa colega… Ufa, fiquei até um pouco cansada!

Em nome da nossa sanidade mental, as nossas agendas precisam de mais espaço, precisamos de parar de enchê-las de compromissos atrás de compromissos, levando a que passemos o tempo a correr de um lado para outro, sempre cansados e esbaforidos e, acima de tudo, sem a capacidade de aproveitar cada momento.

Ou seja, visitamos a tia, mas estamos já a pensar se conseguimos chegar a tempo de cantar os parabéns à pequenita. Ou queremos por força que o ATM nos aceite os postais que temos para enviar.

Faça menos e vai conseguir fazer mais. Vá mais devagar, aproveitando melhor a viagem. Esteja presente com quem está consigo e verá que a vida lhe vai sorrir muito mais.

4 – Movimentar-se.

O nosso corpo é o nosso templo. E quando o nosso templo não está bem, nós também não conseguimos estar. Qualquer desconforto físico reflete-se no nosso estado de espírito. Daí ser tão importante cuidar bem de nós, a todos os níveis.

Quando nos movimentamos, ativamos a circulação sanguínea, damos uso aos nossos músculos e às nossas articulações e melhoramos a nossa capacidade respiratória. Isto faz também com que o nosso cérebro funcione melhor. Sabemos que há poucos estados de espírito negativos que resistam a um passeio a pé, por mais pequeno que este seja.

Por isso, mexa-se! Para pôr o seu corpo a funcionar, melhorando a sua condição física, e para dar ao seu cérebro a possibilidade de ver o mundo de outra forma, mais positiva.

Dizem os entendidos que uma caminhada diária traz tremendos benefícios. Se ainda não tinha por hábito exercitar-se, comece com alguns minutos e vá aumentando gradualmente a duração e a intensidade do exercício. E colha todos os benefícios deste hábito tão saudável.

5 – Começar um diário.

Às vezes, temos problemas difíceis para resolver. Pensamos e tornamos a pensar e não conseguimos encontrar a melhor forma de os remover do nosso caminho. Então, e se escrevermos sobre eles, será que ajuda? Sim, ajuda muito.

A experiência de pôr no papel tudo o que pensamos a respeito de determinada questão, permite analisar os seus prós e os seus contras e facilita a mudança de perspetiva.

Escrever todos os dias pode ajudar-nos a lidar melhor com os desafios do dia-a-dia, desde aquele problema profissional que parece sem solução, até ao desafio familiar que nos tem tirado o sono.

Ter um diário onde depositamos os nossos pensamentos mais profundos, os nossos receios, as nossas ambições, os nossos sonhos, as nossas esperanças, as nossas conquistas e, porque também as temos, as nossas perdas, ajuda-nos a lidar melhor com as nossas mágoas, as nossas frustrações, as nossas vitórias e as nossas desilusões. E isso ajuda-nos a sermos pessoas melhores.

Não é essa a nossa principal resolução todos os anos? Ser uma pessoa melhor do que aquilo que já somos?

Escrever para fazer sentido do nosso mundo faz a diferença pela positiva. Experimente!

6 – Perder um mau hábito.

Todos temos hábitos, alguns bons e outros maus. Muitas vezes, a definição daquilo que é um mau hábito depende de quem o observa, ou daquilo que a sociedade em que nos inserimos vê como positivo ou negativo. Alguns maus hábitos são-no porque têm efeitos nefastos na nossa saúde, como abusar da cafeína. Outros, porque influenciam o nosso aspeto físico, como roer as unhas.

Por vezes, estamos conscientes do quanto os nossos hábitos nos prejudicam, outras vezes nem tanto.

Deixar um hábito negativo para trás depende apenas e só de nós: temos de perceber o hábito como perigoso, ou nocivo, e definir o motivo pelo qual o queremos deixar. Em certos casos, ajuda ter um hábito substituto, como trocar o café pelo chá. Noutros, deixar um hábito poderá ter de ser radical, exigindo muita força de vontade e concentração no objetivo final, que é deixar aquele comportamento para trás e viver melhor.

Se acha que um dos seus comportamentos o prejudica e leva a que não se sinta bem com determinado aspeto da sua vida, dedique algum tempo a compreender por que motivo o faz e por que razão o quer deixar. Defina uma estratégia de substituição, ou de remoção, e leve-a a cabo.

O orgulho que sentimos de nós próprios quando conseguimos derrotar um vício é altamente compensador.

7 – Desconectar.

Nunca antes foi tão fácil contactar quem está distante, ou saber as respostas às nossas perguntas mal as formulamos, ou estar a par do que é notícia no mundo. É verdadeiramente notável aquilo que a televisão, o telemóvel, a Internet e todos os restantes meios eletrónicos nos permitem fazer e saber.

Escrevi este texto num computador, usei um dicionário online para confirmar o uso de algumas das palavras, pesquisei na Internet pelas imagens que aqui veem, coloquei tudo num email e enviei-o à editora do jornal. Sem meios eletrónicos, isto seria muito mais moroso e trabalhoso. Como o era até há alguns anos atrás, uma época que para os nossos filhos, ou para os nossos netos, é difícil de conceber, ou de entender.

A tecnologia de que dispomos atualmente é surpreendente e, acima de tudo, viciante. Damos por nós a olhar para os nossos telemóveis de cinco em cinco minutos, ou a consultar as nossas redes sociais em permanência, ou a estudar e a ver televisão em simultâneo, ou a ler e a ouvir música.

Só que, pergunto, isso é salutar? Continuamos a ter tempo para nós próprios, para pensar os nossos pensamentos, e não naquilo que uma outra pessoa faz na televisão, ou diz numa rede social?

Considero que devem haver momentos em que pomos a tecnologia de lado e aproveitamos o presente e a companhia de quem está ao nosso lado. Devem haver alturas em que esquecemos o telemóvel que toca e ficamos connosco e com os nossos pensamentos, como forma de conseguir pô-los em ordem e fazer sentido dos acontecimentos dos nossos dias.

As mensagens podem esperar. As notícias podem esperar. Nós estamos em primeiro lugar. Desligar o telemóvel é ligar-se à vida!

8 – Beber mais água.

Tendo em consideração a elevada percentagem de água que nos compõe, e a falta que esta faz ao nosso organismo, adequar o seu consumo às nossas necessidades é sempre uma boa ideia.

De acordo com a Associação Portuguesa de Medicina Preventiva, o nosso corpo perde, através de processos naturais como a respiração, a transpiração, entre outros, cerca de 10 a 12 copos de água por dia. Se a comida nos fornece 2 a 4 copos de água, isso faz que tenhamos de consumir 6 a 8 copos de água adicionais apenas para repor o que perdemos.

A maior parte das pessoas consome menos água do que aquela que deveria e isso prejudica gravemente o seu corpo.

Beba mais água. Água é vida!

9 – Remover os excessos.

Tem a casa repleta de bibelots? Há tanta coisa dentro do porta-luvas do seu carro que é um milagre que este ainda feche? A sua mala está tão cheia que encontrar seja o que for é uma aventura? Está a precisar de remover o que está a mais.

A nossa tendência natural é para guardar tudo o que nos passa pelas mãos e que achamos que pode vir a ter utilidade. Ou, alternativamente, oferecem-nos algo e atribuímos um valor sentimental a esse objeto, como se ele dissesse algo sobre a nossa importância.

Pare um pouco para olhar para tudo o que faz parte da sua vida e que não usa: será que lhe faz assim tanta falta? Pense no tempo que cada objeto lhe rouba por ter de cuidar dele (limpá-lo, mantê-lo, garantir que não se estraga, ou que não se perde, etc.) e avalie e se vale realmente a pena tê-lo a encher o seu espaço e a sua mente.

Custa-lhe desfazer-se das suas coisas? Doe! Saber que os nossos objetos sem uso terão utilidade é uma grande satisfação.

10 – Organize-se!

Nunca sabe a que horas é a consulta do dentista? Falha as reuniões em que deveria marcar presença? Esquece-se do que tinha para comprar? Tem assuntos pendentes a que parece que perde o rasto? Está na hora de se organizar!

Dispense alguns momentos para pensar nos seus afazeres e em como os poderá gerir de forma eficaz, evitando ao máximo os esquecimentos e as falhas que tantos dissabores lhe têm causado.

Será que precisa de uma agenda? O telemóvel pode ser o aliado que lhe falta? Um bloco de notas sempre à mão é a solução?

Pare de fingir que a sua desorganização não é um problema assim tão grande, ou que não tem tempo para se organizar. Se quer ter mais tempo, organizar-se é a solução!

11 – Pare de procrastinar.

Não, não se trata só de uma palavra difícil de dizer. Procrastinar é um problema sério e afeta todas as pessoas, em menor ou em maior escala, consoante os temperamentos e o modo como cada um se organiza.

Desde deixar a entrega do IRS para o último dia (e que grande stress isso pode ser…), a adiar um checkup de saúde, até deixar-se acreditar que se está demasiado ocupado para pegar naquele projeto importante, mas aparentemente moroso, que é da nossa responsabilidade.

As consequências da procrastinação podem ser graves: pense no quão importante é detetar uma determinada condição de saúde no momento certo, ou nas multas que poderá ter de pagar se falhar um prazo, ou no quanto a sua carreira pode sair prejudicada por deixar um tema atrasar-se.

Fazer a tarefa mal ela se apresenta é altamente aconselhável, pois poderá poupar-lhe dissabores futuros, algumas angústias, já para não falar em tempo e em dinheiro.

Faça agora! Quantas vezes o “depois” de transforma em “nunca”?

12 – Pratique a gratidão.

Quando foi a última vez que teceu um elogio? Como é que isso o fez sentir? Bem, não foi? Dizer a alguém o quanto o apreciamos aumenta a nossa boa disposição: a simpatia e a empatia são qualidades maravilhosas do ser humano. E ver o efeito positivo do nosso elogio na outra pessoa faz-nos sentir bem connosco próprios.

Infelizmente, nem sempre temos apenas coisas boas para dizer. Aliás, posso até afirmar que uma grande parte do nosso dia é passada a lamentar aquilo que nos acontece, ou o que vemos acontecer aos outros. Parece ser mais fácil criticar depreciativamente do que oferecer comentários positivos. Creio que tal estará ligado à natureza humana.

Contudo, podemos treinar-nos para contrariar esta tendência, praticando a gratidão de forma diária: todos os dias, dizemos, ou escrevemos, algo por que estamos gratos: por ter uma cara-metade que nos compreende, pelo abraço apertado que recebemos do nosso filho, por ter podido dar uma bela caminhada, por ter um pequeno-almoço delicioso à nossa espera… A lista de cada um será, claro está, diferente.

O que importa é que agradecer aquilo que temos de bom na nossa vida nos ajuda a sermos mais positivos, e a positividade é, sem qualquer sombra de dúvida, uma das chaves para a felicidade.

E, digam-me lá, quem é que não quer ser feliz?

Não posso terminar sem dizer que começar 12 novos hábitos é uma tarefa de dimensões consideráveis.

É da natureza humana querer transformações rápidas e eficazes: queremos modificar os nossos comportamentos e queremos que isso aconteça no momento em tomamos essa decisão.

No entanto, é meu dever avisar: mudar é algo que se faz com pequenos passos e ao longo do tempo. Não acontece de um dia para o outro.

Temos de nos dar tempo para compreender a mudança e o porquê de esta fazer sentido. Temos de querer com todo o nosso ser que ela aconteça e fazê-la acontecer todos os dias, um dia de cada vez. Com o passar do tempo e com a nossa perseverança, a mudança irá efetivar-se.

Estas são apenas 12 sugestões que pode querer acrescentar à sua lista de resoluções. Sugiro que comece muito devagar, com um hábito de cada vez. Um por mês, por que não?

Embora possa parecer que mudar e ser uma pessoa melhor por via destas resoluções vai demorar muito tempo, o que deve pensar é que, se o fizer bem, daqui a 365 dias terá 12 novos hábitos dos quais se pode orgulhar, ao invés de 12 resoluções começadas em Janeiro que em Março já ficaram pelo caminho.

A mudança é possível, mas deve ser feita a passo de tartaruga. Deixemos as lebres para outro dia…

7 atividades simples que vão ajudar a que a família se sinta unida

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Partilho contigo o texto que escrevi para a edição de Dezembro de 2016 d’O Pequeno Saloio. Podes saber tudo sobre esta colaboração neste post.

A edição deste mês inclui textos de grande interesse sobre a influência da nossa postura na qualidade de vida e a diferença entre cefaleias e enxaquecas. Não esqueçamos também as receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar!

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Eis que chegamos ao último mês do ano.

Olhamos para trás e analisamos tudo o que de bom e de mau este ano teve. Pensamos no que queremos fazer mais e no que queremos fazer menos. No que devemos manter e no que devemos deixar para trás.

Queremos:

– Mais tempo livre de qualidade!

– Menos preocupações!

– Mais momentos em família!

– Menos stress!

– Mais tempo para nós próprios: uma tarde inteirinha de volta do nosso passatempo preferido sabia tão bem…

Por ser o mês do Natal, Dezembro traz-nos sentimentos dúbios: se, por um lado, ficamos felizes por ser uma época de maior convívio com os nossos, por outro não conseguimos esquecer a azáfama que nos espera: tratar das decorações, comprar os presentes, preparar a consoada e/ou viajar para visitar familiares mais distantes.

Paralelamente, vários outros temas da nossa vida a precisam de atenção, tanto ao nível pessoal, como profissional. Há assuntos que têm de ser fechados antes de o ano terminar, há objetivos que ainda não conseguimos cumprir e lá decidimos fazer um esforço adicional…

E, no topo de tudo, os que nos são mais próximos também pedem a nossa atenção: ver um filme com a cara-metade, jogar às escondidas com as crianças, ou almoçar com os nossos pais, por exemplo.

Não é um mês simples, este. No entanto, lá vamos dando o nosso melhor, puxando daqui, correndo um pouco dali, dormindo menos duas horas ali… Cansativo, não é? Mas se tem de ser…

Afinal, onde quero chegar com tanta conversa?

Retomando a temática da gestão de tempo, e relembrando que devemos centrar-nos no essencial e esquecer o acessório, hoje queria deixar algumas sugestões de atividades para fazer em conjunto que irão trazer união e, simultaneamente, reavivar o espírito natalício no seio de cada família.

Com tanto consumismo a acontecer à nossa volta, é fácil esquecermo-nos do verdadeiro significado da quadra em que estamos a entrar, o Advento. Esta é uma tradição de origem cristã que remonta a tempos tão antigos como o ano 380 d.C., como forma de preparação para a festa do Natal. É um tempo de meditação, de piedosa e alegre expectativa.

Recordar a verdadeira essência da família, rever a história de Jesus, praticar o altruísmo e apreciar todos os aspetos interessantes desta época parece-me bastante salutar.

Imbuída deste espírito, tenho hoje para sugerir atividades simples que poderão fazer aí em casa e que vão, com toda a certeza, unir-vos em torno daquilo que verdadeiramente importa, fortalecendo os vossos laços e permitindo que passem tempo de qualidade, porque o Natal é muito mais do que embrulhos, bolo-rei, correrias e trabalheiras!

1 – Todos juntos na cozinha!

Fazer bolos, bolinhos, bolachas e bolachinhas deixa qualquer um de bom humor. Desde que se põe as mãos na massa, até que se sente o cheiro maravilhoso que emana do forno, não há má disposição que resista!

Cozinhar é amar, não é? Quando cozinhamos, colocamos sempre o melhor de nós naquilo que confecionamos. Momentos como estes, partilhados por pais e filhos, são inesquecíveis.

Ah, e não posso deixar de sugerir umas panquecas, uns crepes ou uns waffles para o pequeno-almoço de domingo.

E que tal uma competição de doces? Ou ver quem consegue descobrir a receita mais original?

Quem não é dado à doçaria pode optar por fazer pizzas, pães, ou qualquer outra receita que seja do seu agrado.

O importante é a entreajuda e, claro, as boas memórias culinárias!

2 – As artes manuais são fenomenais!

Esta pode ser uma boa altura para renovar o stock de artigos de desenho e pintura.

Na generalidade, todos os miúdos adoram desenhar (sim, eu sei, alguns até pintam o que não devem… Ah, crianças!). Muitos adultos também gostam de dar largas à sua imaginação no papel. Por isso, juntem-se à volta de uma mesa, partilhem os materiais e façam obras dignas de uma galeria de arte!

A beleza está sempre nos olhos de quem a vê. Tenho a certeza de que tudo vai ficar lindo!

Alternativamente, podem também fazer outro tipo de manualidades, como costura, tricot, artes decorativas ou origami.

Se ainda não seguiram as sugestões que a nossa amiga Ana Soares tem deixado neste jornal, este é o momento certo para o fazerem!

E é claro que podem usar a Internet para encontrar algo que gostassem de construir, como um presépio, ou um Pai Natal, aproveitando alguns materiais sem uso que tenham por casa.

Viva a reciclagem! E viva a imaginação!

3 – Ainda sabem jogar jogos de tabuleiro?

Numa época em que parece que não sabemos viver sem computadores, consolas ou telemóveis, será que ainda nos lembramos de como se jogam jogos de tabuleiro? Monopólio, Glória, Xadrez, Trivial Pursuit, Cartas, Pictionary, Scrabble… Estes são apenas alguns exemplos.

Digam-me lá que não vos vieram à memória as tardes bem passadas a jogar em família, ou com amigos, estes jogos maravilhosos?

Rodar os dados, brincar com dinheiro a fingir, fazer palhaçadas para adivinhar charadas, ou sentir a emoção de responder acertadamente a uma pergunta difícil mexe connosco.

Será tão bom partilhar estes sentimentos com os nossos filhos e mostrar-lhes o quão divertido é interagir com outras pessoas, em tempo real, num jogo que nos prende e nos ensina tanto de novo.

4 – Quem é o melhor contador de histórias?

Ainda estou para encontrar uma criança que não goste de histórias! Eu, quando era pequena, ficava perdida a ouvir as histórias reais que as pessoas mais velhas tinham para me contar sobre o seu passado, ou o de outras pessoas que eu conhecia. Estas são algumas das melhores memórias que tenho de parentes mais velhos e saudosos.

Que tal reunir a família para contar histórias? Reais ou inventadas, quem não aprecia um belo conto?

Se nos faltar a imaginação, ou a memória, podemos sempre recorrer aos livros que temos em casa e fazer uma maratona de leitura: incutir estes hábitos nos mais pequenos é algo que dará frutos muito bonitos no futuro, garantidamente.

O livro é um grande amigo e a sabedoria e o conhecimento que este nos traz são inestimáveis.

5 – Ainda têm álbuns fotográficos?

Espero que não me interpretem mal: sou grande fã dos avanços digitais do nosso tempo. Que seria de mim sem um computador (para escrever este texto, por exemplo)? Aprecio ver um bom filme na televisão. E já estou tão habituada a estar sempre contactável que me parece estranho não poder falar com alguém ao telemóvel quando quero.

No entanto, há alturas em que me parece tudo um pouco desmedido. Estar sempre a olhar para ecrãs não pode ser saudável, pois trata-se de uma atitude muito passiva.

As fotografias não são exceção: dediquei várias horas da minha infância e adolescência a tirar fotografias e a organizá-las em álbuns. A incerteza de se uma fotografia ficaria bem tirada, esperar pela revelação, anotar onde tinha sido tirada… São coisas que desapareceram com a ascensão da fotografia digital.

As fotos agora ficam dentro de cartões de memória, guardadas nos nossos telemóveis, arquivadas nos nossos computadores, ou espalhadas nas nossas redes sociais. E será que ainda as vemos? Ainda olhamos para elas com saudade, relembrando os momentos em que foram tiradas?

Procurem pelos vossos álbuns fotográficos e dediquem algum tempo a rever essas recordações todos juntos. Relembrem pessoas que já não veem há algum tempo, mas de que têm saudades, contem as histórias por detrás de cada foto, riam com as caretas dos fotografados, ou recordem os seus belos sorrisos.

A memória do que passou é tão importante para o nosso futuro. Não podemos saber para onde vamos se não soubermos de onde viemos…

6 – A Arte, sempre a Arte.

Ir a um concerto de música, visitar um museu, assistir a uma peça de teatro… São apenas alguns exemplos. Que seria do ser humano sem a arte? Sem a sua beleza, o seu chamamento, a sua emoção?

Criar faz parte de nós. Desfrutar do que os outros criam faz-nos bem. Apreciar a beleza de um belo quadro, ouvir uma sinfonia, aplaudir uma atuação brilhante…

A arte imita a vida e a vida imita a arte.

Seremos mais ricos se nos deixamos seduzir por tanta beleza!

7 – Brincar, brincar, brincar!

Viver e não poder brincar resulta em existências por demais aborrecidas. O tempo de lazer faz com que consigamos levar melhor a vida. Se tivermos crianças ao nosso redor, sabemos o quanto elas gostam que entremos nas suas brincadeiras: as escondidas, a apanhada, os legos, os puzzles…

E as brincadeiras que implicam fingir? Imaginar que se está numa festa de chá, num baile de reis e rainhas, ou a conduzir um carro de corrida são sempre atividades do agrado dos mais pequenos.

Para poder ver as suas carinhas a iluminarem-se, qualquer adulto aceita alinhar na brincadeira e sentir-se de novo criança!

Como veem, construir boas memórias em família não tem de implicar grandes gastos, nem demoradas preparações, nem adereços elaborados, nem nada de complicado. O que realmente conta é a nossa disponibilidade. Temos de querer fazer acontecer!

Eu sei que é fácil dizer que não temos tempo disponível, que há imensas tarefas a chamar por nós, um sem fim de responsabilidades em cima dos nossos ombros e que seria tão bom se as crianças se conseguissem entreter sozinhas todo o tempo…

Mas e se nos lembrarmos que elas só serão pequenas uma vez na vida? Que só irão pedir a nossa completa atenção até um determinado momento? Que vai haver uma altura em que se sentirão grandes demais para nos pedir abraços, para se sentar ao nosso colo, para rir a bandeiras despregadas com as nossas palhaçadas, para descobrir o mundo com olhos sedentos de novidade, para nos deliciar com a sua inocência?

Será que aí conseguiremos parar para lhes dar um pouco de nós? Seremos então capazes de largar tudo e fazer uma luta de almofadas, dedicar algumas horas a ensinar-lhes como se joga à bisca, abrir a agenda para os levar a um museu, ou esquecer o mundo lá fora e fingir que somos todos uma banda rock em cima de um palco?

Em nome da família. Em nome das boas memórias. Em nome do futuro de todos.

Eu acho que sim!

Desejos de umas Festas imensamente felizes!

Como simplificar a gestão da agenda familiar

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Partilho contigo o texto que escrevi para a edição de Novembro de 2016 d’O Pequeno Saloio. Podes saber tudo sobre esta colaboração neste post.

A edição deste mês inclui artigos extremamente interessantes sobre a enurese noturna, a disfunção osteopática craniana, uma reflexão sobre por que é que as pessoas mentem, entre outros textos de grande utilidade. E não esqueçamos as receitas, os passatempos e as sugestões culturais!

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


As nossas agendas estão preenchidas com um número interminável de acontecimentos, tanto da esfera pública, como da privada. Sendo nós seres sociáveis, temos uma diversidade incrível de papéis a desempenhar nas nossas vidas pessoais, sociais, familiares e profissionais. Estes afazeres consomem, em permanência, a nossa disponibilidade.

Se lidar com a agenda individual é um desafio de dimensões consideráveis, gerir a dos vários elementos de uma família parece uma aventura cheia de peripécias: reuniões, consultas médicas, atividades extracurriculares, aniversários, festas…

É frequente algumas destas obrigações serem incompatíveis entre si, por exemplo em termos de horário, e é necessária muita “ginástica” para não falhar nenhum compromisso.

Para além disso, hoje em dia vivemos vidas extremamente velozes, com imenso para fazer e muito pouco tempo disponível. Ter compromissos em excesso resulta numa sensação de desorganização, de descontrolo e de que estamos permanentemente imersos no caos.

Paralelamente, a angústia por chegar fora de horas aos compromissos, ou de não conseguir atingir os nossos objetivos, leva a constrangimentos internos. Parece-nos que estamos a falhar perante as outras pessoas, que não sabemos respeitar as regras nem os sentimentos de quem espera por nós.

Achamos que estamos sempre na berlinda, perdendo algo importante, ou caindo nas bocas do mundo. É com esta visão extremista que o nosso subconsciente nos prega partidas, fazendo-nos sentir permanentemente em esforço e aquém das nossas capacidades.

É meu dever dizer o seguinte: todos temos o direito de nos atrasarmos de quando em vez. Todos podemos esperar, e fazer esperar, uma vez por outra. Sobretudo quando temos crianças pequenas sob a nossa alçada…

De qualquer forma, o meu propósito hoje é disponibilizar algumas estratégias para lidar melhor com agendas sobrecarregadas e (quase) descontroladas.

Consideramos a organização e o método importantes: fazemos listas em papel, usamos o computador para gerir os nossos afazeres e/ou recorremos aos nossos telemóveis. No entanto, quando damos por isso, tudo voltou a fugir do nosso controlo e recomeça o desespero.

Tendo em mente a simplificação da nossa vida, deixo aqui algumas ideias que poderão ser úteis a quem quer, de uma vez por todas, retomar as rédeas dos seus afazeres.

1 – Aprender a delegar!

A primeira coisa que devemos interiorizar é que todo o ser humano é finito. Ninguém consegue estar em todo o lado, nem fazer tudo o que há para fazer. Sou muito dada à sabedoria popular e há um provérbio que gosto de repetir, como forma de recordar (nem que seja só a mim própria!) que não se pode fazer tudo: “Quem muitos burros toca, algum deixa para trás”!

Pedir ajuda ou passar tarefas a outras pessoas não é um sinal de fraqueza: ninguém vai pensar menos de nós se chegarmos à conclusão de que não conseguimos fazer tudo o que temos à nossa frente. Quem gosta de nós terá todo o prazer em ajudar-nos!

Delegar tarefas que sabemos que outra pessoa pode fazer sem problemas, quer no âmbito profissional (atender o telefone, ou pedir um orçamento), quer no pessoal (lavar a loiça, ou dobrar a roupa), é o primeiro passo a dar.

2 – Parar de fazer tarefas sem sentido e agrupar as que são repetitivas.

Se está limpo, para quê limpar de novo? Se for possível reservar uma hora do dia só para responder a emails, façamo-lo de uma só vez!

Remover/otimizar afazeres e limpar a lista de tarefas ajuda a libertar o nosso tempo para o que realmente tem utilidade.

A revisão periódica da lista de afazeres é essencial na gestão da nossa disponibilidade. O nosso tempo é precioso e o tempo perdido jamais será recuperado! Por isso, ter a certeza de que o estamos a empregar da melhor forma é fundamental.

Afinal de contas, todos gostamos de ter o maior número de ocasiões para realizar as atividades que realmente nos dão prazer, como passear, brincar com os nossos filhos, ler um bom livro, etc.. Quando estamos sobrecarregados com compromissos, nada disto é possível!

3 – Deixar a agenda respirar!

Não, não se trata de pô-la ao ar, nem de carregá-la na mão, ao invés de na mala…

Depois de remover as tarefas inúteis, devemos começar a olhar para a nossa agenda e a geri-la de outra forma. Não enchê-la em demasia é o segredo para salvaguardar a preciosidade do nosso tempo e manter a nossa sanidade mental.

Devemos passar a deixar mais espaço entre cada compromisso e a definir apenas um número razoável de afazeres para cada dia.

É bastante provável que uma lista com 20 itens fique por concluir. Já uma lista com 3 itens será mais fácil de completar. No final do dia, saber que essas 3 tarefas foram cumpridas vai dar-nos muito mais alento.

Não conseguir chegar ao fim da nossa lista faz-nos sentir desmotivados e, dessa forma, torna-se mais fácil ceder à procrastinação. E nós não queremos isso!

4 – Implementar um sistema de gestão da agenda familiar.

Gerir os compromissos pessoais é tendencialmente mais fácil: usamos uma agenda em papel, confiamos no telemóvel, ou depositamos uma confiança cega nos nossos neurónios. Esta última é só para quem tem mesmo muito boa memória. Se for o seu caso, como o invejo! Mas uma inveja boa, ressalve-se…

No entanto, quando há mais pessoas envolvidas, estes sistemas não têm tão bons resultados.

Algumas pessoas usam calendários virtuais partilhados e essa poderá ser uma opção a explorar, sobretudo para alguém dado às tecnologias e com acesso à Internet. Nesse caso, recomendo o uso do Google Calendar, uma ferramenta versátil e potente e que atualmente uso para guardar os aniversários importantes e para registar compromissos futuros.

Porém, a gestão dos compromissos da minha família ficaria incompleta se não usássemos um outro método: um quadro branco!

Não se trata de nada de muito elaborado: escolhemos um modelo económico e com as dimensões certas para afixar na lateral do frigorífico, que é um local que vemos todos os dias. Adicionámos um marcador próprio e, desta forma muito simples, ficou mais fácil gerir as consultas dos miúdos, os aniversários da família e dos amigos, as festas, os eventos importantes da escola e tudo o resto.

Quando precisamos de saber se temos algo agendado para uma determinada data, basta olhar para o quadro e confirmar se estamos disponíveis. E agora é muito mais fácil lembrarmo-nos dos nossos compromissos!

Como mantenho o método em funcionamento? No início do mês apago as anotações anteriores e, com a ajuda de um calendário, atualizo para o mês corrente: escrevo os dias, quem faz anos e as marcações que já temos. Acrescento as novas solicitações à medida que nos vão chegando.

Para mim, o sucesso deste método assenta na sua visibilidade: ajuda a que os compromissos sejam mais fáceis de recordar e, para além disso, todos os envolvidos podem vê-lo e interagir com ele. Bom, por enquanto, e lá em casa, só os adultos é que o fazem. Mas, à medida que as crianças forem crescendo, passarão também a usá-lo.

O facto de haver um sistema para administrar a agenda familiar vai também dar aos mais novos as fundações de que precisam para aprenderem a gerir o seu próprio tempo da melhor forma.

Se ainda não o faz, comece o quanto antes a simplificar a sua agenda e verá os benefícios que irá recolher dessa experiência.