Devagar, que eu tenho pressa!

Hoje partilho contigo o texto da edição de Abril de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber mais sobre esta colaboração neste post.

Nesta edição, descobrimos a origem do dia das mentiras, falamos sobre o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, ficamos a saber tudo sobre a Leishmaniose Canina e aprendemos mais sobre as dores nas costas.

Há ainda receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar.

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


A partir do momento em que uma criança entra nas nossas vidas, nada mais é igual.

Durante a fase inicial, há fraldas e sono, muito sono. Há loiça por lavar, pó por aspirar, roupa por tratar e uma família para alimentar.

Quando um bebé nasce, nascem também toda uma série de necessidades e novas tarefas que enchem a vidas dos novos pais de atribulações e desafios.

Nos primeiros meses, a principal preocupação dos pais é garantir que todas as suas necessidades básicas estão satisfeitas: carinho, segurança e alimentação.

No entanto, depois que se tornam móveis, e sobretudo a partir do momento em que conseguem comunicar de outra forma que não apenas o choro (nomeadamente vocalizando, ou apontando), dá-se uma mudança sem precedentes na dinâmica familiar, que irá influenciar o futuro de toda a família.

Para este pequeno explorador, tudo é novo e tremendamente interessante: os armários da cozinha, a torneiras do WC e todo e qualquer objeto cintilante e/ou barulhento.

Um bebé móvel e comunicativo é também um desafio parental de proporções épicas: a partir de agora, qualquer tarefa que envolva o bebé – vestir, tomar banho, comer ou sair de casa – ganha nuances nunca antes previstas.

Mudar de assunto, desviar a atenção, negociar, subornar e fazer promessas são artes que, por esta altura, todos os pais começam a desenvolver de forma exponencial.

Se há sapatos para calçar, imitamos animais. Quando a criança decide que não quer tomar banho, teremos de a fazer imaginar uma piscina olímpica mesmo ali dentro da banheira. Se já devíamos ter saído de casa há 15 minutos para chegar ao consultório médico a horas, prometemos brincadeira na sala de espera.

Bem, é claro que nem sempre conseguimos ter toda esta calma, ou presença de espírito… Acontece a qualquer pai.

Contudo, parece-me óbvio que todos queremos ser os melhores pais do mundo: relaxados, divertidos e no controlo das situações. Afinal de contas, o sorriso das nossas crianças ilumina o nosso mundo e qualquer lágrima nos deixa em frangalhos…

Então, para minimizar lágrimas, birras, desentendidos e rabugices de parte a parte, a máxima “devagar se vai ao longe” deve estar sempre connosco. Sim, sempre que há crianças envolvidas numa determinada situação, indo devagar vai-se mais depressa.

Contraditório? Não acho.

Vejamos:

Às 7h15 da manhã, o despertador da minha filha começa a tocar: a rádio tenta expulsá-la do vale dos sonhos a todo o custo. É quase inglório para o pobre do aparelho. Por mais que toque, por mais que berre, melhor dizendo, ela teima em não acordar.

Para que isso aconteça, será necessário que o pai, ou eu, a vamos chamar e lhe façamos festas nas costas. Quando estamos neste ponto das nossas manhãs, o relógio já está perigosamente perto da hora de saída de casa.

Ainda com os olhos fechados, reclama por ser tão cedo e já ter de estar a pé. À noite, não tem vontade que chegue a hora de dormir. Porém, de manhã, temos sempre de arrancá-la dos lençóis com uma espátula!

Quando finalmente conseguimos que ela saia da cama, tudo tem de ser cronometrado: a higiene, o vestir, etc., etc.. A maior parte das discussões matinais, das chatices entre os membros da família, acontecem exatamente nesse período: ela gosta de fazer tudo devagar e nós precisamos que ela se apresse. O conflito torna-se inevitável!

Já lá vão vários anos de convívio familiar. Afinal de contas, ela conta com 7 anos de vida e, entre os 3 anos em que frequentou o jardim-de-infância e a entrada no ensino básico, este é o quarto ano em que tem horários para cumprir. Neste meio tempo, juntámos mais um elemento à família e ele, claro está, também participa da correria matinal.

O gosto da minha filha por fazer as coisas ao seu ritmo é algo que eu compreendo. Acho inclusivamente salutar que ela prefira a calma. No entanto, eu, adulta, vivo já na era do quanto mais depressa melhor, do “estou-atrasada-e-tenho-milhões-de-coisas-para-fazer”.

Isto é algo que ela não consegue sequer conceptualizar, quanto mais compreender, ou acompanhar.

No fundo, no fundo, tenho uma tremenda inveja (da boa, ressalve-se) da calma que nos é permitido sentir quando temos 7 aninhos. Cobiço a sua lista de afazeres sem pendências astronómicas. Como ela, queria não ter emails por responder. Gostava de conseguir viver sem uma aplicação de gestão de tarefas porque tudo o que preciso de me lembrar de fazer cabe ainda dentro da minha cabeça…

Consultas médicas. Atividades extra curriculares. Aniversários. Festas. Reuniões.

São tantos os afazeres e as solicitações. Temos muitas responsabilidades e compromissos. Às vezes parece que não seremos capazes de dar conta de todos os recados…

Entre tarefas pessoais, familiares e profissionais, a nossa vida parece um carrossel que roda sem parar a uma velocidade estonteante.

Todos os dias, saltitamos entre os momentos em que temos de cuidar de nós, dos que nos são queridos, da nossa carreira, do nosso lar e de todas as outras coisas que fazem parte da nossa vida.

Corremos de um lado para o outro na esperança de conseguir cumprir todos os nossos deveres, agradar a toda a gente, não falhar prazos e evitar a sensação de que algo importante ficou por fazer por nossos descuido, ou esquecimento.

Que nunca seja por culpa minha, rogamos…

Lá no fundo, sabemos que conseguir fazer tudo aquilo a que nos propomos a cada dia não é humanamente possível. Mas estamos sempre dispostos a pelo menos tentar.

No fim do dia, quando temos a oportunidade de recapitular o bom e mau do dia que terminou, podemos sentir que fomos super-heróis, ou que tudo correu da pior forma possível. Há dias em que parece que o tempo estica e outros há em que ele simplesmente voa sem que o consigamos apanhar.

A vida moderna, que nos tornou permanentemente disponíveis, acessíveis à distância de um telefonema, de um SMS ou de um Email, parece ter dobrado as nossas tarefas. Tanta coisa para dar atenção, tantos chamados, tanto para ler, para fazer, para dizer, para responder…

Estamos exaustos! O cérebro permantemente a processar informação, a resolver problemas, a equacionar soluções, a rever o que está feito e o que ainda está por fazer…

Deitamos a cabeça na almofada, a altas horas da noite, e não conseguimos dormir enquanto o fluxo e a confusão não param. É altamente desgastante viver desta forma!

E, no entanto, não conseguimos abrandar… Não conseguimos impor outro ritmo. Não conseguimos sair do carrossel porque ele parece estar a girar cada vez mais rápido, cada vez mais veloz. Gira, gira, gira, com luzes a piscar a piscar, com vozes a gritar.

Fechamos os olhos e desejamos que pare. Procuramos pela pessoa que comanda o carrossel e esta não aparece em lado nenhum. As outras pessoas que viajam no carrossel parecem não se importar muito com a velocidade a que vamos.

De repente, pensamos: tem de haver um travão, uma alavanca de segurança. Quero descer, não posso mais continuar a este ritmo. Estou a enlouquecer, estou mal disposto. Quero sair!

A custo, detetamos a tal alavanca e caminhamos na sua direção. Depois de várias tentativas, conseguimos puxá-la. O carrossel para e nós descemos.

Depois, o carrossel retoma a viagem, exatamente ao ritmo de antes.

Só que, felizmente, já cá estamos fora. Viramos costas. Rumamos a casa. A nossa vida vai ser diferente a partir de hoje!

A partir de hoje, vamos começar a ir devagar para ir depressa.

Esperar pelas Festas…

O melhor da festa e esperar por elaHá um ditado que diz:

O melhor da festa é esperar por ela!

Fazemos planos, seguimos listas, antecipamos o que pode acontecer, sobre o que vamos falar, o que os outros vão pensar, ou sentir, o quão divertida determinada situação pode ser, ou o quão stressante uma outra será. Fazemos filmes na nossa cabeça e ansiamos, ó se ansiamos, pela chegada do grande dia.

Depois, quando o momento tão aguardado finalmente se apresenta, passa tão rápido, que nos fica a sensação de que não o conseguimos aproveitar como deve ser…

No fim, quando paramos para pensar no que aconteceu, comparamos o que esperávamos com o que verdadeiramente se passou, vemos as diferenças e é provável que o que correu melhor que o esperado nos alegre e que o que não correu bem fique no nosso rol de lamentações.

É mesmo assim. Faz parte da vida.

E as Festas que aí vêm não são excepção.

Como diminuir a angústia da espera? Dou-te 3 estratégias:

1 – Adequa melhor as tuas expectativas e deixa-te surpreender.

Nem sempre é fácil, mas evita afligir-te excessivamente com o que achas que pode vir a correr mal, ou esperar que uma determinada situação corra às mil maravilhas. Isso pode implicar que tenhas de baixar as tuas expectativas.

Abraça o fator surpresa.

Concentra-te mais no que tens para fazer em cada momento e menos nos potenciais desfechos. Muitos deles nunca se irão verificar!

Mark Twain disse:

Tive várias preocupações na minha vida, a maioria das quais nunca aconteceu.

2 – Dá tudo o que tens, com sinceridade.

Muitas vezes damos por nós  a “fazer das tripas coração”, como o povo tão bem lhe chama. Ter sempre a disposição certa para encarar o que temos pela frente não é simples. Mas, em nome dos sentimentos que tens pelos que te rodeiam, dá-te com sinceridade e com compaixão.

Este é o detalhe que faz toda a diferença para a nossa alma: estás apenas a fazer o melhor que sabes e isso é precioso!

3 – A respiração é a chave.

Se lidar com uma situação estiver a ser particularmente difícil, respira fundo as vezes que forem precisas para que consigas encontrar dentro de ti a calma necessária. Leva a mão ao coração como forma de te ligares ao que verdadeiramente importa para ti.

Liberta-te dos sentimentos negativos. A vida é demasiado curta para travar lutas desnecessárias.

Deixa-te levar pelo momento. Sorri um pouco mais e preocupa-te um pouco menos. Já sabes que no fim tudo vai correr bem!

Vive este Natal com intensidade, mas sem angústias.

Dá-te aos que amas, no entanto não te esqueças de reservar algum tempo para ti, para que consigas recarregar energias.

Às vezes bastam apenas uns minutos a ver o mundo passar através da janela, ou o tempo de preparação de uma chávena de chá, para que consigas mudar o teu estado de espírito.

Desejo-te um Natal tremendamente feliz, com momentos muito simples, mas plenos de significado. Espero que consigas encher a tua alma e o teu coração de recordações valiosas, daquelas que nos acompanham pela vida fora.

Um santo Natal para ti e para os teus.

Deixar ir…

É sabido que sou uma fã acérrima de destralhar.

Tento manter a quantidade de tralha sempre controlada, seja ela roupa, bibelots, brinquedos, livros, ou o que quer que me entre pela porta dentro.

Ao nível mental, tento libertar-me de maus pensamentos, de comparações desnecessárias e de problemas que nada me acrescentam.

No dia-a-dia, risco afazeres sem sentido, sistematizo o envio e o recebimento de emails, defino planos de tarefas e tento que a agenda respire tanto quanto possível.

No entanto, há muitos, mesmo muitos, momentos em que sinto que tenho demasiado para fazer: tarefas obrigatórias, das quais depende o fluir dos acontecimentos, ou tarefas que não é possível, pelo menos por agora, simplificar mais.

Ter muito para fazer, sentir que não há espaço para parar, para relaxar, deixa-me ansiosa. Faz-me reagir de forma brusca e ríspida.

Isto acontece sobretudo ao nível pessoal e familiar: deixo de conseguir ser calma, ponderada e esqueço-me com maior facilidade dos sentimentos das outras pessoas e do efeito que o meu estado de espírito tem nos meus relacionamentos.

A minha irritação sobe para níveis que, se os visse de fora, os consideraria perigosos e quem está perto de mim sofre os efeitos colaterais destes sentimentos.

Paralelamente, torno-me menos tolerante para comigo mesma e penso desfavoravelmente a meu respeito: sou uma fraude, que, afinal, não percebe nada de vida simples, de mindfulness, de organização… Passo o tempo a dizer aos outros que devem viver com mais calma, que devem descomplicar as suas vidas, mas, afinal, a minha própria vida é um caos que tento a todo o custo esconder…

Eventualmente, quando o stress acalma, este estado de espírito desvanece-se e consigo olhar para o tema com outros olhos.

Sim, é verdade que simplifiquei muito a minha vida: tenho muito menos tralha, menos preocupações e consegui mudar a minha forma de ver certos assuntos, deixando os antigos padrões de perfeição de parte. Isso foi fundamental.

Por outro lado, o facto de a família ter crescido neste meio tempo, acrescentou mais alguma confusão a todas as equações e isso é algo complicado de gerir para alguém que acha que consegue fazer tudo e chegar a todo o lado.

Escrevo com o último fim-de-semana em mente.

Ah, o fim-de-semana! Passamos a semana toda a sonhar com ele e o sábado e domingo a lutar para ter tudo feito.

Ao fim-de-semana quero descansar, quero passar tempo de qualidade com a família e/ou com amigos, quero brincar com os meus filhos, quero preparar a semana que se segue, quero cuidar da casa, quero, quero, quero…

Quero muito, não é?

Porém, chego sempre ao domingo à noite com a sensação de que me fartei de trabalhar, de que passei o tempo a zangar-me com os miúdos e de que não consegui fazer nem metade do que queria.

Quando consigo parar para respirar e refletir um pouco sobre o tempo passado, consigo ver que, se tivesse mantido o ritmo de há alguns anos atrás e não tivesse efetivamente simplificado a minha vida dentro do que me tem sido permitido, hoje tudo seria muito mais difícil e angustiante.

Se o quarto dos miúdos continuasse atafulhado de brinquedos, limpar o pó demoraria entre 2 a 3 vezes mais do que demora hoje.

Se eu não aceitasse que não posso ter a casa sempre imaculada, passaria muito mais tempo tensa e triste.

Se eu não tivesse a aprendido a deixar o meus filhos serem um pouco mais crianças, com a sua desarrumação e com os seus disparates, estaria permanentemente zangada, o que levaria a muito mais lágrimas e desatino, para ambas as partes.

Quando estou calma, consigo olhar para trás e ver o quanto simplifiquei, o quanto mudei, o quanto cresci.

Quando estou calma, percebo que tomei a opção certa, ainda que, muitas vezes, tudo pareça muito difícil e a única coisa que me apetece é sair porta fora e correr para um lugar onde ninguém grite, ninguém suje a casa de migalhas, ninguém me impeça de descansar quando preciso desesperadamente de o fazer… Será que existe um lugar assim?

O que faço para me recentrar? Paro e destralho. Removo, edito, retiro. Risco, esqueço, deito fora. Sem medo. Sem olhar para trás. Deixo ir…

Quero fazer menos e ter menos para poder fazer mais daquilo que realmente gosto.

Menos é mais!

Escolho deixar ir. Ainda que haja momentos em que tal seja extremamente difícil, ou roce o impossível.

Pode sê-lo hoje, mas talvez deixe de o ser amanhã. Tenho essa esperança.

Simplificar continua a ser o caminho. Ainda que, muitas vezes, não seja nada simples.

Todos os caminhos têm as suas sinuosidades. É inevitável. Mas este é o que escolhi e estou confiante na minha escolha.

Os desafios fazem parte da vida e eu continuo firme no meu de simplificar para ser (ainda) mais feliz.

Eu tu, como lidas com o tanto que há para fazer? Consegues manter sempre a calma, ou também tens momentos em que se houvesse um autocarro para “Paraíso Sem Problemas” o apanhavas?

It’s so Interesting! – Agosto 2016

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Cá estamos nós para mais uma dose de recomendações interessantes.

Preparada para mais agradáveis surpresas e descobertas? Vamos a isso!

1- Começo pela que acho ser a melhor de todas. Sei que tens feito um esforço para conseguir meditar. Acordas, decides fazê-lo, sentas-te no local mais calmo da tua casa, fazes figas para que ninguém te interrompa e fechas os olhos. A torrente de pensamentos é avassaladora, não é? Queres que a tua mente se acalme, que pare de correr de um lado para o outro, mas, por mais que tentes, isso não acontece. Ao fim daquilo que pareceu uma eternidade, desistes. Eu sei, é normal que isto aconteça quando tentamos começar a prática. Também me debato com esta questão. Por isso, um dia pesquisei por meditação guiada e acabei por descobrir este senhor: Jonathan Foust. Se te sentes confortável com a compreensão oral da língua inglesa, vais adorá-lo! É divertido, perspicaz e parece que nos consegue ler de uma ponta à outra. Pensamos: “Ah, afinal não sou só eu que sinto isto!” E “hum, bem me parecia que não podia ser só eu a ser assim!”. Se queres conhecer o seu percurso, desde os 24 anos que viveu num ashram, até à sua experiência com orientação espiritual, yoga e meditação, visita o seu site. Podes ouvir os podcasts das palestras em que ele oferece à sua audiência meditações guiadas sobre mindfulness, tomada de consciência sobre a nossa própria pessoa e sobre os que nos rodeiam, aprender a viver o momento presente, lidar com a mudança, entre outros temas verdadeiramente interessantes. Há algum tempo que não o ouvia e voltei a descarregar os seus podcasts há cerca de 6 semanas. Ainda bem que o fiz, pois precisava mesmo de me recentrar ao som das suas sábias palavras. Já sabes, altamente recomendado!

2- Agora, falemos sobre um livro que eu considero de leitura obrigatória para quem luta para se conseguir focar nas suas tarefas e nos seus objetivos: Essencialismo, de Greg Mackeown. Se sentes que a tua agenda está sempre a ser interrompida pelas necessidades de outras pessoas, se achas que tens demasiado trabalho mas que, simultaneamente, não estás a usar todo o teu potencial, este livro é muito importante para ti. Trata-se de buscar o que é absolutamente essencial e eliminar o que não é, de optar por fazer menos, mas melhor, em todas as áreas da nossa vida. Assoberbada em tarefas? LÊ. ESTE. LIVRO!

3- Segue-se um texto que tinha mesmo de partilhar contigo: Allison Fallon, uma escritora e blogger americana que aprecio bastante, escreveu, esta semana, um artigo tocante, pungente e direto sobre como o corpo feminino é olhado na sociedade atual e o mal que isso faz às mulheres. Um excerto: “We think we want to be skinny, that this would solve all of our problems. But this is not what we really want. Men don’t want “skinny” women and women don’t actually want to be skinny. We’ve been fooled to believe this is what we want.” Se também lutas por acreditar, com todo o teu ser, que o teu valor está no que tens dentro de ti e não no teu aspeto físico, não deixes de ler.

4- Passemos a algo completamente diferente. Destralhaste, descobriste uma t-shirt que já está demasiado velha para a poderes vestir e cujo padrão adoras? Tenho uma sugestão para ti: transforma-a num saco! E sem precisar de coser nem um centímetro de tecido. Dois tutoriais diferentes: este e este. Eu usei o método do primeiro vídeo para transformar uma t-shirt velha do maridão no saco em que agora levo o almoço e o lanche para o trabalho.

5- E fechamos com uma utilidade/curiosidade: uma forma de nunca mais te esqueceres da chaves de casa! Verás, depois, que este site, Manual do Mundo, está cheio de ideias engraçadas para facilitar a tua vida. Tem também sugestões de prendas invulgares e até, para quem gosta, partidas espirituosas. Espreita!

Espero que tenham todas sido sugestões do teu agrado. Já sabes que, se tiveres uma ideia que te pareça que deve figurar desta rubrica, entra em contacto, ou comenta o post.

Diz-me, o que mais gostaste de descobrir?

6 lições que estes 6 meses de desafios me ensinaram

Se não vai simplificar a tua vida_Itsnotsosimple

No dia 7 de Janeiro, lancei o desafio: 180 dias para organizar a tua vida.

E, 6 meses depois, cá estamos nós.

Com tudo no sítio e mais.

Em jeito de balanço, vou partilhar contigo tudo o que aprendi ao longo desta grande viagem.

  • Posso poupar muito, muito mais!

Não passo o tempo a comprar e a gastar dinheiro, mas também tenho impulsos consumistas que tento refrear. Não posso ter tudo quanto vejo, não preciso de tudo quanto vejo, não quero tudo quanto vejo. Às vezes, há algo que me chama a atenção e que penso em comprar, só que, nesse momento, tento parar para pensar e pergunto-me:

Precisas mesmo disto? Vais usar? Vai dar muito trabalho a manter? Onde vais guardar? Quanto custa? Vale o que custa? Quantas horas terás de trabalhar para pagar o seu custo? O que é que tens em casa que pode fazer as suas vezes? Podes pedir um igual emprestado? Podes encontrar em segunda mão? Consegues vender no OLX caso deixes de precisar?

E, se for uma guloseima (estamos no verão e um gelado sabe sempre bem, não é?), tenho de me perguntar:

Vai contribuir para os teus objetivos de bem-estar? Hoje é dia de fugir à dieta? Queres mesmo gastar esse dinheiro? Tens fome? Quando é que vais fazer a tua próxima refeição? Tens à mão uma alternativa mais saudável? Não preferes deixar essa “infração” para um outro dia?

Tomar consciência, por ver os números no Excel, de quanto se gasta realmente lá em casa, de quanto ganhamos e de quanto os nossos salários custam a ganhar, ajuda a relativizar todas as operações que envolvam gastar o nosso dinheiro conseguido com tanto esforço.

No entanto, não deixei de andar na rua, nem de olhar para as montras dos sítios por onde tenho de passar, nem deixei de fazer pesquisas na Internet em lojas online quando encontro um produto que me interessa e que acho que me pode fazer falta.

O que tento fazer agora, isso sim, é refletir mais antes de me decidir a comprar, ou a consumir, seja o que for.

Tem sido cada vez mais frequente passar a semana sem comprar nada que não sejam mercearias, ou frescos, para consumo familiar. Estou inclusivamente a pensar lançar-me esse desafio de não comprar nada que não sejam alimentos, ou outros artigos necessários para o lar (artigos de higiene, ou limpeza). Está na lista de potenciais ideias futuras.

Resumindo: consegui reduzir ainda mais os meus impulsos consumistas e continuar com a mentalidade de que tenho mais do que aquilo que realmente preciso.

  • O lar perfeito não é o mais imaculado, mas sim aquele onde há mais sorrisos.

Quando comprei a minha casa, houve um momento em que disse para mim própria que a teria sempre impecável.

Felizmente, já “muita água correu debaixo dessa ponte” e consegui mudar esta forma de pensar que muita tristeza me trouxe. O segredo, se não queremos passar a vida a limpar e a arrumar a casa, é adaptar os nossos padrões: a casa nunca estará imaculada. Isso é virtualmente impossível! Ou se vive, ou se passa o tempo a limpar. Agora, limpo apenas quando tenho tempo e quando realmente está sujo. Sem vergonhas. E aceito toda a ajuda que me quiserem dar.

Uma casa serve para nos gozarmos dela e para sermos felizes lá dentro. Se estabelecermos os mínimos e incutirmos em toda a família padrões de arrumação e organização, tudo fica facilitado. Ah e, claro, o grande segredo de uma vida mais fácil: destralhar! Sem objetos desnecessários para desviar, limpar, organizar, etc., etc. manter a casa em ordem é muito mais simples.

  • Quanto mais deixo a minha agenda respirar, melhor me sinto comigo própria.

Tenho batalhado por otimizar as minhas tarefas: instituir rotinas de limpeza e arrumação, cozinhar em série ao fim de semana, deixar o máximo possível preparado de véspera para facilitar as manhãs e manter o calendário familiar organizado.

Procuro que as tarefas profissionais estejam todas em dia, dentro do possível, para que não tenha de levar trabalho para casa e possa dedicar o tempo livre à família e aos amigos. Também tento descobrir espaço para fazer o que gosto, como ler, escrever e aprender coisas novas.

E, regra geral, tenho sido mais bem-sucedida nesta área. Tenho sobretudo tentado evitar as correrias que ter uma agenda demasiado cheia exige.

  • Sou mais produtiva se me focar numa coisa de cada vez.

É claro que há dias em que isto é mais fácil de fazer e outros em que nem tanto assim. Há dias em que parece que toda a gente precisa de algo, ou que as tarefas não têm fim, ou que as urgências são uma constante, mas, de uma forma geral, quanto menos tentar fazer de uma só vez, melhor me saio e mais tarefas consigo terminar.

Deixei de passar a vida na Inbox, otimizei muitas das minhas tarefas, tentando agrupá-las no tempo para que perca menos tempo a concretizá-las, como registar as despesas no meu orçamento mensal, que faço uma vez por semana.

E aproveitei para tirar ainda maior partido das funcionalidades da minha aplicação de gestão de tarefas, recorrendo cada vez mais à função de repetição, de criação de tarefas por cópia e reencaminhando diretamente para lá cada vez mais Emails, o que me ajuda a manter-me em dia com as tarefas pendentes.

Ainda não consigo trabalhar apenas 4 horas por semana, porém posso dizer que trabalho cada vez melhor!

  • Que quanto mais saudável estiver o meu corpo, melhor estará a minha mente.

Toda a vida tenho lutado com a perceção que tenho do meu corpo. E toda a vida isso afetou a minha autoestima e a minha confiança em mim própria. Não sou imune ao que a sociedade parece ditar como sendo belo, ou elegante. Como todos os seres humanos, comparo-me com os que me rodeiam. E não consigo deixar de pensar em mim e nos outros em termos de sou, ou não, mais bela do que determinada pessoa.

Embora saiba que a beleza está nos olhos de quem vê, não consigo escapar à armadilha da comparação, seja esta negativa ou positiva. Não todo o tempo, pelo menos. E, se me sentir mais vulnerável num determinado momento, poderei sentir-me inferior, ou, se estiver numa fase positiva, conseguirei abstrair-me de tudo isso e amar-me incondicionalmente.

É um trabalho constante: mudar padrões de pensar e de sentir é o mais difícil de fazer. Mas, com as ferramentas certas, torna-se mais fácil lá chegar. Para isto, tenho recorrido um pouco mais a técnicas de mindfulness. Observar os meus pensamentos um pouco mais de perto, tentar respirar mais, fazer devagar.

Isto também tem a vantagem de diminuir a quantidade de erros e de evitar que me chame “estúpida”, de forma quase inconsciente, tantas vezes. Ai, a autoestima!

É um processo (lento) de (re)aprendizagem que tenho tentado trilhar: às vezes saio-me bem, outras nem por isso, mas não vou desistir de continuar a tentar. Devo-o a mim própria!

Também quero, no médio/longo prazo, começar a meditar, porque sei que será importante para o meu bem-estar psíquico.

E gostava de conseguir fazer mais exercício físico. Sério que gostava. O marido pergunta-me muitas vezes quando é que vou fazer um Shawn T… (Baby, you rock!) Mas os meus níveis de energia físicos estão ainda um pouco limitados. O meu filho mais novo exige muito de mim e eu não consigo (ainda) superar isso. A seu tempo!

  • Estar em paz com quem somos é a felicidade suprema.

Tinha 14 anos e participei de um trabalho de grupo que culminava com uma apresentação em frente de toda a turma. Não era, obviamente, a primeira vez que falava perante colegas e, embora não fosse a minha atividade preferida, não era exatamente um problema. Porém, naquele dia, foi.

Gaguejei, esqueci-me do que tinha para dizer, não falei alto o suficiente para que todos me ouvissem, não consegui encarar ninguém. Um desastre.

Temia que se rissem de mim. Ninguém o fez e, no fim, muitos me disseram que devia ter tido mais calma e mais confiança. Mas eu não consegui.

Esse foi o dia em que me apercebi do meu elevado grau de introversão. É claro que naquela altura eu não sabia que era assim que se chamava. Era conhecida por ser tímida e recatada. Só que nunca imaginei que isso me fosse afetar tanto ao nível social.

A nossa sociedade gosta de pessoas extrovertidas e faladoras. Gosta de pessoas que contam piadas e que pregam partidas. Eu nunca me senti bem nesses papéis. Culpei a genética (a minha mãe também é pouco faladora), culpei-me a mim própria por achar que não era capaz de aprender a ser mais “dada”, pensei muitas vezes que eu era uma pessoa desinteressante, apagada e sem graça.

Foram quase 36 anos a tentar ser algo diferente do que sou. Até que li o livro certo: Silêncio. Sou grata pelo que aprendi com a sua leitura e pela aceitação pessoal que me foi consequentemente permitida.

E também sou grata por poder, por ter essa capacidade, de me expressar criativamente, nomeadamente através da escrita. Precisava deste “escape”. Precisava de sentir que posso fazer a diferença, nem que seja apenas para uma pessoa. Nem que seja apenas para mim.

Desde que comecei o It’s (not) so simple, já consegui criar tanto de que me orgulho: posts úteis, posts inspiradores, guias práticos, e muito mais.

Sou muito mais feliz agora, é com satisfação que o digo.

E tenho, uma vez mais, de te agradecer por estares aí desse lado, a acompanhar-me, a ler-me, a “aturar-me” e a dar-me força para continuar.

Obrigada pela companhia ao longo de todo este tempo. És o máximo! Não deixes que nunca ninguém te diga o contrário.

Não quero terminar sem partilhar algo mais contigo: uma página exclusiva onde poderás aceder a mais frases inspiradoras. Espero que seja do teu agrado.

O It’s (not) so simple vai continuar a trazer-te inspiração, mas, pelo menos por agora, num formato um pouco menos rígido. Abordarei os temas de forma um pouco mais solta, consoante me pareça fazer mais sentido. Ou, caso sintas que determinado assunto deve ser mais aprofundado, envia-me as tuas sugestões.

Espero que continues aí desse lado.

E sê muito, muito feliz!