6 lições que estes 6 meses de desafios me ensinaram

Se não vai simplificar a tua vida_Itsnotsosimple

No dia 7 de Janeiro, lancei o desafio: 180 dias para organizar a tua vida.

E, 6 meses depois, cá estamos nós.

Com tudo no sítio e mais.

Em jeito de balanço, vou partilhar contigo tudo o que aprendi ao longo desta grande viagem.

  • Posso poupar muito, muito mais!

Não passo o tempo a comprar e a gastar dinheiro, mas também tenho impulsos consumistas que tento refrear. Não posso ter tudo quanto vejo, não preciso de tudo quanto vejo, não quero tudo quanto vejo. Às vezes, há algo que me chama a atenção e que penso em comprar, só que, nesse momento, tento parar para pensar e pergunto-me:

Precisas mesmo disto? Vais usar? Vai dar muito trabalho a manter? Onde vais guardar? Quanto custa? Vale o que custa? Quantas horas terás de trabalhar para pagar o seu custo? O que é que tens em casa que pode fazer as suas vezes? Podes pedir um igual emprestado? Podes encontrar em segunda mão? Consegues vender no OLX caso deixes de precisar?

E, se for uma guloseima (estamos no verão e um gelado sabe sempre bem, não é?), tenho de me perguntar:

Vai contribuir para os teus objetivos de bem-estar? Hoje é dia de fugir à dieta? Queres mesmo gastar esse dinheiro? Tens fome? Quando é que vais fazer a tua próxima refeição? Tens à mão uma alternativa mais saudável? Não preferes deixar essa “infração” para um outro dia?

Tomar consciência, por ver os números no Excel, de quanto se gasta realmente lá em casa, de quanto ganhamos e de quanto os nossos salários custam a ganhar, ajuda a relativizar todas as operações que envolvam gastar o nosso dinheiro conseguido com tanto esforço.

No entanto, não deixei de andar na rua, nem de olhar para as montras dos sítios por onde tenho de passar, nem deixei de fazer pesquisas na Internet em lojas online quando encontro um produto que me interessa e que acho que me pode fazer falta.

O que tento fazer agora, isso sim, é refletir mais antes de me decidir a comprar, ou a consumir, seja o que for.

Tem sido cada vez mais frequente passar a semana sem comprar nada que não sejam mercearias, ou frescos, para consumo familiar. Estou inclusivamente a pensar lançar-me esse desafio de não comprar nada que não sejam alimentos, ou outros artigos necessários para o lar (artigos de higiene, ou limpeza). Está na lista de potenciais ideias futuras.

Resumindo: consegui reduzir ainda mais os meus impulsos consumistas e continuar com a mentalidade de que tenho mais do que aquilo que realmente preciso.

  • O lar perfeito não é o mais imaculado, mas sim aquele onde há mais sorrisos.

Quando comprei a minha casa, houve um momento em que disse para mim própria que a teria sempre impecável.

Felizmente, já “muita água correu debaixo dessa ponte” e consegui mudar esta forma de pensar que muita tristeza me trouxe. O segredo, se não queremos passar a vida a limpar e a arrumar a casa, é adaptar os nossos padrões: a casa nunca estará imaculada. Isso é virtualmente impossível! Ou se vive, ou se passa o tempo a limpar. Agora, limpo apenas quando tenho tempo e quando realmente está sujo. Sem vergonhas. E aceito toda a ajuda que me quiserem dar.

Uma casa serve para nos gozarmos dela e para sermos felizes lá dentro. Se estabelecermos os mínimos e incutirmos em toda a família padrões de arrumação e organização, tudo fica facilitado. Ah e, claro, o grande segredo de uma vida mais fácil: destralhar! Sem objetos desnecessários para desviar, limpar, organizar, etc., etc. manter a casa em ordem é muito mais simples.

  • Quanto mais deixo a minha agenda respirar, melhor me sinto comigo própria.

Tenho batalhado por otimizar as minhas tarefas: instituir rotinas de limpeza e arrumação, cozinhar em série ao fim de semana, deixar o máximo possível preparado de véspera para facilitar as manhãs e manter o calendário familiar organizado.

Procuro que as tarefas profissionais estejam todas em dia, dentro do possível, para que não tenha de levar trabalho para casa e possa dedicar o tempo livre à família e aos amigos. Também tento descobrir espaço para fazer o que gosto, como ler, escrever e aprender coisas novas.

E, regra geral, tenho sido mais bem-sucedida nesta área. Tenho sobretudo tentado evitar as correrias que ter uma agenda demasiado cheia exige.

  • Sou mais produtiva se me focar numa coisa de cada vez.

É claro que há dias em que isto é mais fácil de fazer e outros em que nem tanto assim. Há dias em que parece que toda a gente precisa de algo, ou que as tarefas não têm fim, ou que as urgências são uma constante, mas, de uma forma geral, quanto menos tentar fazer de uma só vez, melhor me saio e mais tarefas consigo terminar.

Deixei de passar a vida na Inbox, otimizei muitas das minhas tarefas, tentando agrupá-las no tempo para que perca menos tempo a concretizá-las, como registar as despesas no meu orçamento mensal, que faço uma vez por semana.

E aproveitei para tirar ainda maior partido das funcionalidades da minha aplicação de gestão de tarefas, recorrendo cada vez mais à função de repetição, de criação de tarefas por cópia e reencaminhando diretamente para lá cada vez mais Emails, o que me ajuda a manter-me em dia com as tarefas pendentes.

Ainda não consigo trabalhar apenas 4 horas por semana, porém posso dizer que trabalho cada vez melhor!

  • Que quanto mais saudável estiver o meu corpo, melhor estará a minha mente.

Toda a vida tenho lutado com a perceção que tenho do meu corpo. E toda a vida isso afetou a minha autoestima e a minha confiança em mim própria. Não sou imune ao que a sociedade parece ditar como sendo belo, ou elegante. Como todos os seres humanos, comparo-me com os que me rodeiam. E não consigo deixar de pensar em mim e nos outros em termos de sou, ou não, mais bela do que determinada pessoa.

Embora saiba que a beleza está nos olhos de quem vê, não consigo escapar à armadilha da comparação, seja esta negativa ou positiva. Não todo o tempo, pelo menos. E, se me sentir mais vulnerável num determinado momento, poderei sentir-me inferior, ou, se estiver numa fase positiva, conseguirei abstrair-me de tudo isso e amar-me incondicionalmente.

É um trabalho constante: mudar padrões de pensar e de sentir é o mais difícil de fazer. Mas, com as ferramentas certas, torna-se mais fácil lá chegar. Para isto, tenho recorrido um pouco mais a técnicas de mindfulness. Observar os meus pensamentos um pouco mais de perto, tentar respirar mais, fazer devagar.

Isto também tem a vantagem de diminuir a quantidade de erros e de evitar que me chame “estúpida”, de forma quase inconsciente, tantas vezes. Ai, a autoestima!

É um processo (lento) de (re)aprendizagem que tenho tentado trilhar: às vezes saio-me bem, outras nem por isso, mas não vou desistir de continuar a tentar. Devo-o a mim própria!

Também quero, no médio/longo prazo, começar a meditar, porque sei que será importante para o meu bem-estar psíquico.

E gostava de conseguir fazer mais exercício físico. Sério que gostava. O marido pergunta-me muitas vezes quando é que vou fazer um Shawn T… (Baby, you rock!) Mas os meus níveis de energia físicos estão ainda um pouco limitados. O meu filho mais novo exige muito de mim e eu não consigo (ainda) superar isso. A seu tempo!

  • Estar em paz com quem somos é a felicidade suprema.

Tinha 14 anos e participei de um trabalho de grupo que culminava com uma apresentação em frente de toda a turma. Não era, obviamente, a primeira vez que falava perante colegas e, embora não fosse a minha atividade preferida, não era exatamente um problema. Porém, naquele dia, foi.

Gaguejei, esqueci-me do que tinha para dizer, não falei alto o suficiente para que todos me ouvissem, não consegui encarar ninguém. Um desastre.

Temia que se rissem de mim. Ninguém o fez e, no fim, muitos me disseram que devia ter tido mais calma e mais confiança. Mas eu não consegui.

Esse foi o dia em que me apercebi do meu elevado grau de introversão. É claro que naquela altura eu não sabia que era assim que se chamava. Era conhecida por ser tímida e recatada. Só que nunca imaginei que isso me fosse afetar tanto ao nível social.

A nossa sociedade gosta de pessoas extrovertidas e faladoras. Gosta de pessoas que contam piadas e que pregam partidas. Eu nunca me senti bem nesses papéis. Culpei a genética (a minha mãe também é pouco faladora), culpei-me a mim própria por achar que não era capaz de aprender a ser mais “dada”, pensei muitas vezes que eu era uma pessoa desinteressante, apagada e sem graça.

Foram quase 36 anos a tentar ser algo diferente do que sou. Até que li o livro certo: Silêncio. Sou grata pelo que aprendi com a sua leitura e pela aceitação pessoal que me foi consequentemente permitida.

E também sou grata por poder, por ter essa capacidade, de me expressar criativamente, nomeadamente através da escrita. Precisava deste “escape”. Precisava de sentir que posso fazer a diferença, nem que seja apenas para uma pessoa. Nem que seja apenas para mim.

Desde que comecei o It’s (not) so simple, já consegui criar tanto de que me orgulho: posts úteis, posts inspiradores, guias práticos, e muito mais.

Sou muito mais feliz agora, é com satisfação que o digo.

E tenho, uma vez mais, de te agradecer por estares aí desse lado, a acompanhar-me, a ler-me, a “aturar-me” e a dar-me força para continuar.

Obrigada pela companhia ao longo de todo este tempo. És o máximo! Não deixes que nunca ninguém te diga o contrário.

Não quero terminar sem partilhar algo mais contigo: uma página exclusiva onde poderás aceder a mais frases inspiradoras. Espero que seja do teu agrado.

O It’s (not) so simple vai continuar a trazer-te inspiração, mas, pelo menos por agora, num formato um pouco menos rígido. Abordarei os temas de forma um pouco mais solta, consoante me pareça fazer mais sentido. Ou, caso sintas que determinado assunto deve ser mais aprofundado, envia-me as tuas sugestões.

Espero que continues aí desse lado.

E sê muito, muito feliz!