A idade e o humor…

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Recentemente, foi-me diagnosticado D.A.A.I., Défice de Atenção Ativado pela Idade.

Esta é a forma como se manifesta:

Decidi lavar o carro. Quando me dirigia à garagem, reparei que havia correio na mesa da entrada. Decidi analisá-lo antes de sair. Pousei as chaves do carro na mesa, deitei o correio indesejado no lixo e apercebi-me de que o balde estava cheio.

Então, decidi por as contas de novo em cima da mesa e deitar primeiro o lixo fora. Mas depois pensei que, já que ia sair para despejar o lixo, podia também pagar as contas.

Tirei o meu livro de cheques da mesa e apercebi-me de que só tinha um cheque. Os meus outros cheques estavam na minha secretária, por isso fui até lá e encontrei a garrafa de sumo que tinha estado a beber.

Procurei pelos meus cheques, mas precisei de afastar a garrafa, para que não a derrubasse acidentalmente. Notei que o sumo estava a ficar quente, por isso decidi pô-lo no frigorífico para refrescar.

Enquanto me dirigia à cozinha com a garrafa, uma planta na bancada chamou a minha atenção: precisava de ser regada. Pousei o sumo na bancada e descobri os óculos de leitura pelos quais tinha procurado toda a manhã.

Decidi que o melhor seria pô-los de novo na minha secretária, mas primeiro tinha de regar as plantas. Pousei novamente os óculos na bancada, enchi o regador e, inesperadamente, detetei o comando da TV. Alguém o tinha deixado na mesa da cozinha. Quando quiséssemos ver televisão esta noite, íamos andar à procura do comando, só que ninguém se iria lembrar de que ele estava na mesa da cozinha, por isso decidi pô-lo de volta na sala, onde ele devia estar, mas primeiro tinha de regar as flores.

Deitei alguma água nas plantas, mas a maior parte caiu no chão. Então, pus o comando outra vez na mesa e peguei numa toalha para limpar o que se tinha molhado.

Depois, dirigi-me ao hall, tentando lembrar-me do que planeava fazer.

No final do dia: o carro não está lavado, as contas estão por pagar, há uma garrafa de sumo quente na bancada, as plantas não foram regadas, continua a haver só um cheque no meu livro de cheques, não sei do comando, não sei dos meus óculos e não me lembro do que fiz às chaves do carro.

Quando tento perceber por que é que nada ficou feito hoje, fico desconcertada, porque sei que estive todo o dia ocupada e estou mesmo cansada. Percebo que o problema é sério e tento arranjar ajuda, mas primeiro vou ver o meu Email.

Façam-me um favor: reencaminhem esta mensagem para todas as pessoas que conhecem, porque não me recordo a quem é que já foi enviada.


A primeira vez que ouvi esta “estória” foi através do Jonathan Foust (já falei dele aqui e aqui). Pesquisei por ela (o Google é um “velho” amigo meu… ihih!) e encontrei uma versão neste site.

Porque a acho divertida, atual e porque me parece a descrição perfeita dos dias em que nos fartamos de fazer coisas mas não conseguimos chegar ao fim de nada, decidi traduzi-la e adaptá-la para partilhar contigo.

Precisamos muito de humor para ter forças para tudo o que temos para fazer!

Espero que te ajude também a não te sentires mal por não conseguires chegar ao fim da tua lista de tarefas, apesar da “lufa-lufa” contante e do cansaço permanente.

Viva o D.A.A.I.! Ahah!

Como simplificar a gestão da agenda familiar

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Partilho contigo o texto que escrevi para a edição de Novembro de 2016 d’O Pequeno Saloio. Podes saber tudo sobre esta colaboração neste post.

A edição deste mês inclui artigos extremamente interessantes sobre a enurese noturna, a disfunção osteopática craniana, uma reflexão sobre por que é que as pessoas mentem, entre outros textos de grande utilidade. E não esqueçamos as receitas, os passatempos e as sugestões culturais!

Se quiseres adquirir uma cópia, contacta-me.


As nossas agendas estão preenchidas com um número interminável de acontecimentos, tanto da esfera pública, como da privada. Sendo nós seres sociáveis, temos uma diversidade incrível de papéis a desempenhar nas nossas vidas pessoais, sociais, familiares e profissionais. Estes afazeres consomem, em permanência, a nossa disponibilidade.

Se lidar com a agenda individual é um desafio de dimensões consideráveis, gerir a dos vários elementos de uma família parece uma aventura cheia de peripécias: reuniões, consultas médicas, atividades extracurriculares, aniversários, festas…

É frequente algumas destas obrigações serem incompatíveis entre si, por exemplo em termos de horário, e é necessária muita “ginástica” para não falhar nenhum compromisso.

Para além disso, hoje em dia vivemos vidas extremamente velozes, com imenso para fazer e muito pouco tempo disponível. Ter compromissos em excesso resulta numa sensação de desorganização, de descontrolo e de que estamos permanentemente imersos no caos.

Paralelamente, a angústia por chegar fora de horas aos compromissos, ou de não conseguir atingir os nossos objetivos, leva a constrangimentos internos. Parece-nos que estamos a falhar perante as outras pessoas, que não sabemos respeitar as regras nem os sentimentos de quem espera por nós.

Achamos que estamos sempre na berlinda, perdendo algo importante, ou caindo nas bocas do mundo. É com esta visão extremista que o nosso subconsciente nos prega partidas, fazendo-nos sentir permanentemente em esforço e aquém das nossas capacidades.

É meu dever dizer o seguinte: todos temos o direito de nos atrasarmos de quando em vez. Todos podemos esperar, e fazer esperar, uma vez por outra. Sobretudo quando temos crianças pequenas sob a nossa alçada…

De qualquer forma, o meu propósito hoje é disponibilizar algumas estratégias para lidar melhor com agendas sobrecarregadas e (quase) descontroladas.

Consideramos a organização e o método importantes: fazemos listas em papel, usamos o computador para gerir os nossos afazeres e/ou recorremos aos nossos telemóveis. No entanto, quando damos por isso, tudo voltou a fugir do nosso controlo e recomeça o desespero.

Tendo em mente a simplificação da nossa vida, deixo aqui algumas ideias que poderão ser úteis a quem quer, de uma vez por todas, retomar as rédeas dos seus afazeres.

1 – Aprender a delegar!

A primeira coisa que devemos interiorizar é que todo o ser humano é finito. Ninguém consegue estar em todo o lado, nem fazer tudo o que há para fazer. Sou muito dada à sabedoria popular e há um provérbio que gosto de repetir, como forma de recordar (nem que seja só a mim própria!) que não se pode fazer tudo: “Quem muitos burros toca, algum deixa para trás”!

Pedir ajuda ou passar tarefas a outras pessoas não é um sinal de fraqueza: ninguém vai pensar menos de nós se chegarmos à conclusão de que não conseguimos fazer tudo o que temos à nossa frente. Quem gosta de nós terá todo o prazer em ajudar-nos!

Delegar tarefas que sabemos que outra pessoa pode fazer sem problemas, quer no âmbito profissional (atender o telefone, ou pedir um orçamento), quer no pessoal (lavar a loiça, ou dobrar a roupa), é o primeiro passo a dar.

2 – Parar de fazer tarefas sem sentido e agrupar as que são repetitivas.

Se está limpo, para quê limpar de novo? Se for possível reservar uma hora do dia só para responder a emails, façamo-lo de uma só vez!

Remover/otimizar afazeres e limpar a lista de tarefas ajuda a libertar o nosso tempo para o que realmente tem utilidade.

A revisão periódica da lista de afazeres é essencial na gestão da nossa disponibilidade. O nosso tempo é precioso e o tempo perdido jamais será recuperado! Por isso, ter a certeza de que o estamos a empregar da melhor forma é fundamental.

Afinal de contas, todos gostamos de ter o maior número de ocasiões para realizar as atividades que realmente nos dão prazer, como passear, brincar com os nossos filhos, ler um bom livro, etc.. Quando estamos sobrecarregados com compromissos, nada disto é possível!

3 – Deixar a agenda respirar!

Não, não se trata de pô-la ao ar, nem de carregá-la na mão, ao invés de na mala…

Depois de remover as tarefas inúteis, devemos começar a olhar para a nossa agenda e a geri-la de outra forma. Não enchê-la em demasia é o segredo para salvaguardar a preciosidade do nosso tempo e manter a nossa sanidade mental.

Devemos passar a deixar mais espaço entre cada compromisso e a definir apenas um número razoável de afazeres para cada dia.

É bastante provável que uma lista com 20 itens fique por concluir. Já uma lista com 3 itens será mais fácil de completar. No final do dia, saber que essas 3 tarefas foram cumpridas vai dar-nos muito mais alento.

Não conseguir chegar ao fim da nossa lista faz-nos sentir desmotivados e, dessa forma, torna-se mais fácil ceder à procrastinação. E nós não queremos isso!

4 – Implementar um sistema de gestão da agenda familiar.

Gerir os compromissos pessoais é tendencialmente mais fácil: usamos uma agenda em papel, confiamos no telemóvel, ou depositamos uma confiança cega nos nossos neurónios. Esta última é só para quem tem mesmo muito boa memória. Se for o seu caso, como o invejo! Mas uma inveja boa, ressalve-se…

No entanto, quando há mais pessoas envolvidas, estes sistemas não têm tão bons resultados.

Algumas pessoas usam calendários virtuais partilhados e essa poderá ser uma opção a explorar, sobretudo para alguém dado às tecnologias e com acesso à Internet. Nesse caso, recomendo o uso do Google Calendar, uma ferramenta versátil e potente e que atualmente uso para guardar os aniversários importantes e para registar compromissos futuros.

Porém, a gestão dos compromissos da minha família ficaria incompleta se não usássemos um outro método: um quadro branco!

Não se trata de nada de muito elaborado: escolhemos um modelo económico e com as dimensões certas para afixar na lateral do frigorífico, que é um local que vemos todos os dias. Adicionámos um marcador próprio e, desta forma muito simples, ficou mais fácil gerir as consultas dos miúdos, os aniversários da família e dos amigos, as festas, os eventos importantes da escola e tudo o resto.

Quando precisamos de saber se temos algo agendado para uma determinada data, basta olhar para o quadro e confirmar se estamos disponíveis. E agora é muito mais fácil lembrarmo-nos dos nossos compromissos!

Como mantenho o método em funcionamento? No início do mês apago as anotações anteriores e, com a ajuda de um calendário, atualizo para o mês corrente: escrevo os dias, quem faz anos e as marcações que já temos. Acrescento as novas solicitações à medida que nos vão chegando.

Para mim, o sucesso deste método assenta na sua visibilidade: ajuda a que os compromissos sejam mais fáceis de recordar e, para além disso, todos os envolvidos podem vê-lo e interagir com ele. Bom, por enquanto, e lá em casa, só os adultos é que o fazem. Mas, à medida que as crianças forem crescendo, passarão também a usá-lo.

O facto de haver um sistema para administrar a agenda familiar vai também dar aos mais novos as fundações de que precisam para aprenderem a gerir o seu próprio tempo da melhor forma.

Se ainda não o faz, comece o quanto antes a simplificar a sua agenda e verá os benefícios que irá recolher dessa experiência.

Deixar ir…

É sabido que sou uma fã acérrima de destralhar.

Tento manter a quantidade de tralha sempre controlada, seja ela roupa, bibelots, brinquedos, livros, ou o que quer que me entre pela porta dentro.

Ao nível mental, tento libertar-me de maus pensamentos, de comparações desnecessárias e de problemas que nada me acrescentam.

No dia-a-dia, risco afazeres sem sentido, sistematizo o envio e o recebimento de emails, defino planos de tarefas e tento que a agenda respire tanto quanto possível.

No entanto, há muitos, mesmo muitos, momentos em que sinto que tenho demasiado para fazer: tarefas obrigatórias, das quais depende o fluir dos acontecimentos, ou tarefas que não é possível, pelo menos por agora, simplificar mais.

Ter muito para fazer, sentir que não há espaço para parar, para relaxar, deixa-me ansiosa. Faz-me reagir de forma brusca e ríspida.

Isto acontece sobretudo ao nível pessoal e familiar: deixo de conseguir ser calma, ponderada e esqueço-me com maior facilidade dos sentimentos das outras pessoas e do efeito que o meu estado de espírito tem nos meus relacionamentos.

A minha irritação sobe para níveis que, se os visse de fora, os consideraria perigosos e quem está perto de mim sofre os efeitos colaterais destes sentimentos.

Paralelamente, torno-me menos tolerante para comigo mesma e penso desfavoravelmente a meu respeito: sou uma fraude, que, afinal, não percebe nada de vida simples, de mindfulness, de organização… Passo o tempo a dizer aos outros que devem viver com mais calma, que devem descomplicar as suas vidas, mas, afinal, a minha própria vida é um caos que tento a todo o custo esconder…

Eventualmente, quando o stress acalma, este estado de espírito desvanece-se e consigo olhar para o tema com outros olhos.

Sim, é verdade que simplifiquei muito a minha vida: tenho muito menos tralha, menos preocupações e consegui mudar a minha forma de ver certos assuntos, deixando os antigos padrões de perfeição de parte. Isso foi fundamental.

Por outro lado, o facto de a família ter crescido neste meio tempo, acrescentou mais alguma confusão a todas as equações e isso é algo complicado de gerir para alguém que acha que consegue fazer tudo e chegar a todo o lado.

Escrevo com o último fim-de-semana em mente.

Ah, o fim-de-semana! Passamos a semana toda a sonhar com ele e o sábado e domingo a lutar para ter tudo feito.

Ao fim-de-semana quero descansar, quero passar tempo de qualidade com a família e/ou com amigos, quero brincar com os meus filhos, quero preparar a semana que se segue, quero cuidar da casa, quero, quero, quero…

Quero muito, não é?

Porém, chego sempre ao domingo à noite com a sensação de que me fartei de trabalhar, de que passei o tempo a zangar-me com os miúdos e de que não consegui fazer nem metade do que queria.

Quando consigo parar para respirar e refletir um pouco sobre o tempo passado, consigo ver que, se tivesse mantido o ritmo de há alguns anos atrás e não tivesse efetivamente simplificado a minha vida dentro do que me tem sido permitido, hoje tudo seria muito mais difícil e angustiante.

Se o quarto dos miúdos continuasse atafulhado de brinquedos, limpar o pó demoraria entre 2 a 3 vezes mais do que demora hoje.

Se eu não aceitasse que não posso ter a casa sempre imaculada, passaria muito mais tempo tensa e triste.

Se eu não tivesse a aprendido a deixar o meus filhos serem um pouco mais crianças, com a sua desarrumação e com os seus disparates, estaria permanentemente zangada, o que levaria a muito mais lágrimas e desatino, para ambas as partes.

Quando estou calma, consigo olhar para trás e ver o quanto simplifiquei, o quanto mudei, o quanto cresci.

Quando estou calma, percebo que tomei a opção certa, ainda que, muitas vezes, tudo pareça muito difícil e a única coisa que me apetece é sair porta fora e correr para um lugar onde ninguém grite, ninguém suje a casa de migalhas, ninguém me impeça de descansar quando preciso desesperadamente de o fazer… Será que existe um lugar assim?

O que faço para me recentrar? Paro e destralho. Removo, edito, retiro. Risco, esqueço, deito fora. Sem medo. Sem olhar para trás. Deixo ir…

Quero fazer menos e ter menos para poder fazer mais daquilo que realmente gosto.

Menos é mais!

Escolho deixar ir. Ainda que haja momentos em que tal seja extremamente difícil, ou roce o impossível.

Pode sê-lo hoje, mas talvez deixe de o ser amanhã. Tenho essa esperança.

Simplificar continua a ser o caminho. Ainda que, muitas vezes, não seja nada simples.

Todos os caminhos têm as suas sinuosidades. É inevitável. Mas este é o que escolhi e estou confiante na minha escolha.

Os desafios fazem parte da vida e eu continuo firme no meu de simplificar para ser (ainda) mais feliz.

Eu tu, como lidas com o tanto que há para fazer? Consegues manter sempre a calma, ou também tens momentos em que se houvesse um autocarro para “Paraíso Sem Problemas” o apanhavas?

It’s so Interesting! – Agosto 2016

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Cá estamos nós para mais uma dose de recomendações interessantes.

Preparada para mais agradáveis surpresas e descobertas? Vamos a isso!

1- Começo pela que acho ser a melhor de todas. Sei que tens feito um esforço para conseguir meditar. Acordas, decides fazê-lo, sentas-te no local mais calmo da tua casa, fazes figas para que ninguém te interrompa e fechas os olhos. A torrente de pensamentos é avassaladora, não é? Queres que a tua mente se acalme, que pare de correr de um lado para o outro, mas, por mais que tentes, isso não acontece. Ao fim daquilo que pareceu uma eternidade, desistes. Eu sei, é normal que isto aconteça quando tentamos começar a prática. Também me debato com esta questão. Por isso, um dia pesquisei por meditação guiada e acabei por descobrir este senhor: Jonathan Foust. Se te sentes confortável com a compreensão oral da língua inglesa, vais adorá-lo! É divertido, perspicaz e parece que nos consegue ler de uma ponta à outra. Pensamos: “Ah, afinal não sou só eu que sinto isto!” E “hum, bem me parecia que não podia ser só eu a ser assim!”. Se queres conhecer o seu percurso, desde os 24 anos que viveu num ashram, até à sua experiência com orientação espiritual, yoga e meditação, visita o seu site. Podes ouvir os podcasts das palestras em que ele oferece à sua audiência meditações guiadas sobre mindfulness, tomada de consciência sobre a nossa própria pessoa e sobre os que nos rodeiam, aprender a viver o momento presente, lidar com a mudança, entre outros temas verdadeiramente interessantes. Há algum tempo que não o ouvia e voltei a descarregar os seus podcasts há cerca de 6 semanas. Ainda bem que o fiz, pois precisava mesmo de me recentrar ao som das suas sábias palavras. Já sabes, altamente recomendado!

2- Agora, falemos sobre um livro que eu considero de leitura obrigatória para quem luta para se conseguir focar nas suas tarefas e nos seus objetivos: Essencialismo, de Greg Mackeown. Se sentes que a tua agenda está sempre a ser interrompida pelas necessidades de outras pessoas, se achas que tens demasiado trabalho mas que, simultaneamente, não estás a usar todo o teu potencial, este livro é muito importante para ti. Trata-se de buscar o que é absolutamente essencial e eliminar o que não é, de optar por fazer menos, mas melhor, em todas as áreas da nossa vida. Assoberbada em tarefas? LÊ. ESTE. LIVRO!

3- Segue-se um texto que tinha mesmo de partilhar contigo: Allison Fallon, uma escritora e blogger americana que aprecio bastante, escreveu, esta semana, um artigo tocante, pungente e direto sobre como o corpo feminino é olhado na sociedade atual e o mal que isso faz às mulheres. Um excerto: “We think we want to be skinny, that this would solve all of our problems. But this is not what we really want. Men don’t want “skinny” women and women don’t actually want to be skinny. We’ve been fooled to believe this is what we want.” Se também lutas por acreditar, com todo o teu ser, que o teu valor está no que tens dentro de ti e não no teu aspeto físico, não deixes de ler.

4- Passemos a algo completamente diferente. Destralhaste, descobriste uma t-shirt que já está demasiado velha para a poderes vestir e cujo padrão adoras? Tenho uma sugestão para ti: transforma-a num saco! E sem precisar de coser nem um centímetro de tecido. Dois tutoriais diferentes: este e este. Eu usei o método do primeiro vídeo para transformar uma t-shirt velha do maridão no saco em que agora levo o almoço e o lanche para o trabalho.

5- E fechamos com uma utilidade/curiosidade: uma forma de nunca mais te esqueceres da chaves de casa! Verás, depois, que este site, Manual do Mundo, está cheio de ideias engraçadas para facilitar a tua vida. Tem também sugestões de prendas invulgares e até, para quem gosta, partidas espirituosas. Espreita!

Espero que tenham todas sido sugestões do teu agrado. Já sabes que, se tiveres uma ideia que te pareça que deve figurar desta rubrica, entra em contacto, ou comenta o post.

Diz-me, o que mais gostaste de descobrir?

6 lições que estes 6 meses de desafios me ensinaram

Se não vai simplificar a tua vida_Itsnotsosimple

No dia 7 de Janeiro, lancei o desafio: 180 dias para organizar a tua vida.

E, 6 meses depois, cá estamos nós.

Com tudo no sítio e mais.

Em jeito de balanço, vou partilhar contigo tudo o que aprendi ao longo desta grande viagem.

  • Posso poupar muito, muito mais!

Não passo o tempo a comprar e a gastar dinheiro, mas também tenho impulsos consumistas que tento refrear. Não posso ter tudo quanto vejo, não preciso de tudo quanto vejo, não quero tudo quanto vejo. Às vezes, há algo que me chama a atenção e que penso em comprar, só que, nesse momento, tento parar para pensar e pergunto-me:

Precisas mesmo disto? Vais usar? Vai dar muito trabalho a manter? Onde vais guardar? Quanto custa? Vale o que custa? Quantas horas terás de trabalhar para pagar o seu custo? O que é que tens em casa que pode fazer as suas vezes? Podes pedir um igual emprestado? Podes encontrar em segunda mão? Consegues vender no OLX caso deixes de precisar?

E, se for uma guloseima (estamos no verão e um gelado sabe sempre bem, não é?), tenho de me perguntar:

Vai contribuir para os teus objetivos de bem-estar? Hoje é dia de fugir à dieta? Queres mesmo gastar esse dinheiro? Tens fome? Quando é que vais fazer a tua próxima refeição? Tens à mão uma alternativa mais saudável? Não preferes deixar essa “infração” para um outro dia?

Tomar consciência, por ver os números no Excel, de quanto se gasta realmente lá em casa, de quanto ganhamos e de quanto os nossos salários custam a ganhar, ajuda a relativizar todas as operações que envolvam gastar o nosso dinheiro conseguido com tanto esforço.

No entanto, não deixei de andar na rua, nem de olhar para as montras dos sítios por onde tenho de passar, nem deixei de fazer pesquisas na Internet em lojas online quando encontro um produto que me interessa e que acho que me pode fazer falta.

O que tento fazer agora, isso sim, é refletir mais antes de me decidir a comprar, ou a consumir, seja o que for.

Tem sido cada vez mais frequente passar a semana sem comprar nada que não sejam mercearias, ou frescos, para consumo familiar. Estou inclusivamente a pensar lançar-me esse desafio de não comprar nada que não sejam alimentos, ou outros artigos necessários para o lar (artigos de higiene, ou limpeza). Está na lista de potenciais ideias futuras.

Resumindo: consegui reduzir ainda mais os meus impulsos consumistas e continuar com a mentalidade de que tenho mais do que aquilo que realmente preciso.

  • O lar perfeito não é o mais imaculado, mas sim aquele onde há mais sorrisos.

Quando comprei a minha casa, houve um momento em que disse para mim própria que a teria sempre impecável.

Felizmente, já “muita água correu debaixo dessa ponte” e consegui mudar esta forma de pensar que muita tristeza me trouxe. O segredo, se não queremos passar a vida a limpar e a arrumar a casa, é adaptar os nossos padrões: a casa nunca estará imaculada. Isso é virtualmente impossível! Ou se vive, ou se passa o tempo a limpar. Agora, limpo apenas quando tenho tempo e quando realmente está sujo. Sem vergonhas. E aceito toda a ajuda que me quiserem dar.

Uma casa serve para nos gozarmos dela e para sermos felizes lá dentro. Se estabelecermos os mínimos e incutirmos em toda a família padrões de arrumação e organização, tudo fica facilitado. Ah e, claro, o grande segredo de uma vida mais fácil: destralhar! Sem objetos desnecessários para desviar, limpar, organizar, etc., etc. manter a casa em ordem é muito mais simples.

  • Quanto mais deixo a minha agenda respirar, melhor me sinto comigo própria.

Tenho batalhado por otimizar as minhas tarefas: instituir rotinas de limpeza e arrumação, cozinhar em série ao fim de semana, deixar o máximo possível preparado de véspera para facilitar as manhãs e manter o calendário familiar organizado.

Procuro que as tarefas profissionais estejam todas em dia, dentro do possível, para que não tenha de levar trabalho para casa e possa dedicar o tempo livre à família e aos amigos. Também tento descobrir espaço para fazer o que gosto, como ler, escrever e aprender coisas novas.

E, regra geral, tenho sido mais bem-sucedida nesta área. Tenho sobretudo tentado evitar as correrias que ter uma agenda demasiado cheia exige.

  • Sou mais produtiva se me focar numa coisa de cada vez.

É claro que há dias em que isto é mais fácil de fazer e outros em que nem tanto assim. Há dias em que parece que toda a gente precisa de algo, ou que as tarefas não têm fim, ou que as urgências são uma constante, mas, de uma forma geral, quanto menos tentar fazer de uma só vez, melhor me saio e mais tarefas consigo terminar.

Deixei de passar a vida na Inbox, otimizei muitas das minhas tarefas, tentando agrupá-las no tempo para que perca menos tempo a concretizá-las, como registar as despesas no meu orçamento mensal, que faço uma vez por semana.

E aproveitei para tirar ainda maior partido das funcionalidades da minha aplicação de gestão de tarefas, recorrendo cada vez mais à função de repetição, de criação de tarefas por cópia e reencaminhando diretamente para lá cada vez mais Emails, o que me ajuda a manter-me em dia com as tarefas pendentes.

Ainda não consigo trabalhar apenas 4 horas por semana, porém posso dizer que trabalho cada vez melhor!

  • Que quanto mais saudável estiver o meu corpo, melhor estará a minha mente.

Toda a vida tenho lutado com a perceção que tenho do meu corpo. E toda a vida isso afetou a minha autoestima e a minha confiança em mim própria. Não sou imune ao que a sociedade parece ditar como sendo belo, ou elegante. Como todos os seres humanos, comparo-me com os que me rodeiam. E não consigo deixar de pensar em mim e nos outros em termos de sou, ou não, mais bela do que determinada pessoa.

Embora saiba que a beleza está nos olhos de quem vê, não consigo escapar à armadilha da comparação, seja esta negativa ou positiva. Não todo o tempo, pelo menos. E, se me sentir mais vulnerável num determinado momento, poderei sentir-me inferior, ou, se estiver numa fase positiva, conseguirei abstrair-me de tudo isso e amar-me incondicionalmente.

É um trabalho constante: mudar padrões de pensar e de sentir é o mais difícil de fazer. Mas, com as ferramentas certas, torna-se mais fácil lá chegar. Para isto, tenho recorrido um pouco mais a técnicas de mindfulness. Observar os meus pensamentos um pouco mais de perto, tentar respirar mais, fazer devagar.

Isto também tem a vantagem de diminuir a quantidade de erros e de evitar que me chame “estúpida”, de forma quase inconsciente, tantas vezes. Ai, a autoestima!

É um processo (lento) de (re)aprendizagem que tenho tentado trilhar: às vezes saio-me bem, outras nem por isso, mas não vou desistir de continuar a tentar. Devo-o a mim própria!

Também quero, no médio/longo prazo, começar a meditar, porque sei que será importante para o meu bem-estar psíquico.

E gostava de conseguir fazer mais exercício físico. Sério que gostava. O marido pergunta-me muitas vezes quando é que vou fazer um Shawn T… (Baby, you rock!) Mas os meus níveis de energia físicos estão ainda um pouco limitados. O meu filho mais novo exige muito de mim e eu não consigo (ainda) superar isso. A seu tempo!

  • Estar em paz com quem somos é a felicidade suprema.

Tinha 14 anos e participei de um trabalho de grupo que culminava com uma apresentação em frente de toda a turma. Não era, obviamente, a primeira vez que falava perante colegas e, embora não fosse a minha atividade preferida, não era exatamente um problema. Porém, naquele dia, foi.

Gaguejei, esqueci-me do que tinha para dizer, não falei alto o suficiente para que todos me ouvissem, não consegui encarar ninguém. Um desastre.

Temia que se rissem de mim. Ninguém o fez e, no fim, muitos me disseram que devia ter tido mais calma e mais confiança. Mas eu não consegui.

Esse foi o dia em que me apercebi do meu elevado grau de introversão. É claro que naquela altura eu não sabia que era assim que se chamava. Era conhecida por ser tímida e recatada. Só que nunca imaginei que isso me fosse afetar tanto ao nível social.

A nossa sociedade gosta de pessoas extrovertidas e faladoras. Gosta de pessoas que contam piadas e que pregam partidas. Eu nunca me senti bem nesses papéis. Culpei a genética (a minha mãe também é pouco faladora), culpei-me a mim própria por achar que não era capaz de aprender a ser mais “dada”, pensei muitas vezes que eu era uma pessoa desinteressante, apagada e sem graça.

Foram quase 36 anos a tentar ser algo diferente do que sou. Até que li o livro certo: Silêncio. Sou grata pelo que aprendi com a sua leitura e pela aceitação pessoal que me foi consequentemente permitida.

E também sou grata por poder, por ter essa capacidade, de me expressar criativamente, nomeadamente através da escrita. Precisava deste “escape”. Precisava de sentir que posso fazer a diferença, nem que seja apenas para uma pessoa. Nem que seja apenas para mim.

Desde que comecei o It’s (not) so simple, já consegui criar tanto de que me orgulho: posts úteis, posts inspiradores, guias práticos, e muito mais.

Sou muito mais feliz agora, é com satisfação que o digo.

E tenho, uma vez mais, de te agradecer por estares aí desse lado, a acompanhar-me, a ler-me, a “aturar-me” e a dar-me força para continuar.

Obrigada pela companhia ao longo de todo este tempo. És o máximo! Não deixes que nunca ninguém te diga o contrário.

Não quero terminar sem partilhar algo mais contigo: uma página exclusiva onde poderás aceder a mais frases inspiradoras. Espero que seja do teu agrado.

O It’s (not) so simple vai continuar a trazer-te inspiração, mas, pelo menos por agora, num formato um pouco menos rígido. Abordarei os temas de forma um pouco mais solta, consoante me pareça fazer mais sentido. Ou, caso sintas que determinado assunto deve ser mais aprofundado, envia-me as tuas sugestões.

Espero que continues aí desse lado.

E sê muito, muito feliz!