12 resoluções de ano novo para uma vida mais saudável

12 resoluções para o novo ano_Blogue

Hoje é dia de partilhar contigo o texto que escrevi para a edição de Janeiro de 2017 d’O Pequeno Saloio. Podes saber tudo sobre esta colaboração neste post.

A primeira edição deste ano fala-nos sobre a conjuntivite na criança, a osteopatia nos idosos e desejos para 2017. Não esqueçamos, claro está, as receitas, os passatempos, as sugestões culturais e as novidades das escolas deste núcleo escolar!

 

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Começo por desejar que 2017 seja maravilhoso e pleno de boas vibrações.

Quando um novo ano começa, enchemo-nos de expetativas e de esperança. Desejamos saúde, paz, amor, felicidade, dinheiro (ajuda, não é?), trabalho (mas não demasiado…), entre várias outras coisas que fazem falta nas nossas vidas.

Fazemos resoluções: ser mais organizado, perder peso, aprender uma coisa nova, ser mais simpático, ter mais calma… Às vezes, até fazemos listas daquilo que queremos que seja diferente ao longo dos próximos 12 meses. E, pelo menos durante Janeiro, esforçamo-nos por fazer tudo aquilo com que nos comprometemos.

Só que, eventualmente, chega um momento em que se torna mais difícil manter os novos padrões que pensamos para nós e lá voltamos aos nossos velhos hábitos. Tudo volta ao que era antes, fazendo-nos sentir desiludidos connosco próprios, achando que nunca iremos ser capazes de mudar, ou de atingir os nossos objetivos.

Tem mesmo de ser assim?

A temática dos hábitos, de como estes se formam, de como se mantêm, ou de como se podem perder, fascina-me. Para quem gostava de saber mais, há um livro que aconselho vivamente: A Força do Hábito, de Charles Duhigg. A sua leitura ensina-nos que é possível mudar as nossas rotinas, começando novos padrões de comportamento que estejam em concordância com o que efetivamente queremos para nós.

Deixar de fumar, emagrecer, ou conseguir, finalmente, alcançar objetivos profissionais é realmente possível. Não deixem de ler.

E porque sei que quem está desse lado pode estar, neste preciso momento, a construir a sua lista de resoluções de novo ano, aqui ficam algumas sugestões de bons hábitos para começar em 2017.

1 – Dormir mais.

Todos sabemos a importância de noites bem dormidas. Sabemos, por experiência própria inclusivamente, que quando dormimos menos, ou pior, a nosso corpo e a nossa mente se ressentem.

Apesar de ser verdade que nem todos precisamos do mesmo número de horas de descanso, há um limite que não devemos ultrapassar. Mesmo que consigamos continuar a desempenhar as nossas tarefas com poucas horas de sono, no médio/longo prazo o preço a pagar pode ser elevado!

Por isso, ainda que a lista de afazeres esteja longe de concluída, que a TV esteja a mostrar um filme interessante, ou que os emails estejam por responder, vá para a cama!

As tarefas não vão azedar, pode ver o filme noutra altura e os emails não fogem. Mas o seu cérebro sofre as consequências das horas de sono perdidas.

Opte por se deitar mais cedo e vai dormir melhor. Se for preciso, acorde um pouco mais cedo no dia seguinte e vai ver que, depois de uma boa noite de sono, tudo fica mais fácil.

2 – Cuidar mais de si.

Quando temos uma família para tomar conta, e sobretudo quando há crianças pequenas, é fácil deixarmo-nos ficar para segundo plano. E, embora isto seja bastante generoso e altruísta da nossa parte, e faça sentido em algumas situações, também pode tornar-se perigoso, principalmente quando acontece durante anos a fio.

É natural haver períodos na nossa vida em que temos de pôr as necessidades dos que amamos em primeiro lugar, mas deixar que isso se torne na norma nas nossas vidas não é bom.

Dedicar-se a aprender algo novo, ou a aperfeiçoar um passatempo, cuidar do corpo e da mente, passear (mesmo que seja só até ao fundo da rua), meditar, orar, ou agradecer o que se tem, são alguns exemplos de atividades que nos ajudam a estarmos mais perto de nós próprios, a aceitarmo-nos melhor e a sentirmo-nos mais capazes.

Se não estivermos bem interiormente, aquilo que temos para oferecer é pouco e nunca será o melhor de nós. Cuide de si, porque se ama, mas também por amor aos outros.

3 – Abrandar o ritmo.

Sei que a sua lista de afazeres é quase quilométrica: tarefas, responsabilidades várias (suas, ou de outras pessoas), recados… Chega a ser assustador pensar no quanto há para fazer, não é?

E temos sempre vontade de fazer tudo no menor espaço de tempo possível: ir às compras, passar no multibanco, deixar correspondência nos correios, visitar aquela tia que não vemos há meses, dar um pulinho à festa de anos da filha da nossa colega… Ufa, fiquei até um pouco cansada!

Em nome da nossa sanidade mental, as nossas agendas precisam de mais espaço, precisamos de parar de enchê-las de compromissos atrás de compromissos, levando a que passemos o tempo a correr de um lado para outro, sempre cansados e esbaforidos e, acima de tudo, sem a capacidade de aproveitar cada momento.

Ou seja, visitamos a tia, mas estamos já a pensar se conseguimos chegar a tempo de cantar os parabéns à pequenita. Ou queremos por força que o ATM nos aceite os postais que temos para enviar.

Faça menos e vai conseguir fazer mais. Vá mais devagar, aproveitando melhor a viagem. Esteja presente com quem está consigo e verá que a vida lhe vai sorrir muito mais.

4 – Movimentar-se.

O nosso corpo é o nosso templo. E quando o nosso templo não está bem, nós também não conseguimos estar. Qualquer desconforto físico reflete-se no nosso estado de espírito. Daí ser tão importante cuidar bem de nós, a todos os níveis.

Quando nos movimentamos, ativamos a circulação sanguínea, damos uso aos nossos músculos e às nossas articulações e melhoramos a nossa capacidade respiratória. Isto faz também com que o nosso cérebro funcione melhor. Sabemos que há poucos estados de espírito negativos que resistam a um passeio a pé, por mais pequeno que este seja.

Por isso, mexa-se! Para pôr o seu corpo a funcionar, melhorando a sua condição física, e para dar ao seu cérebro a possibilidade de ver o mundo de outra forma, mais positiva.

Dizem os entendidos que uma caminhada diária traz tremendos benefícios. Se ainda não tinha por hábito exercitar-se, comece com alguns minutos e vá aumentando gradualmente a duração e a intensidade do exercício. E colha todos os benefícios deste hábito tão saudável.

5 – Começar um diário.

Às vezes, temos problemas difíceis para resolver. Pensamos e tornamos a pensar e não conseguimos encontrar a melhor forma de os remover do nosso caminho. Então, e se escrevermos sobre eles, será que ajuda? Sim, ajuda muito.

A experiência de pôr no papel tudo o que pensamos a respeito de determinada questão, permite analisar os seus prós e os seus contras e facilita a mudança de perspetiva.

Escrever todos os dias pode ajudar-nos a lidar melhor com os desafios do dia-a-dia, desde aquele problema profissional que parece sem solução, até ao desafio familiar que nos tem tirado o sono.

Ter um diário onde depositamos os nossos pensamentos mais profundos, os nossos receios, as nossas ambições, os nossos sonhos, as nossas esperanças, as nossas conquistas e, porque também as temos, as nossas perdas, ajuda-nos a lidar melhor com as nossas mágoas, as nossas frustrações, as nossas vitórias e as nossas desilusões. E isso ajuda-nos a sermos pessoas melhores.

Não é essa a nossa principal resolução todos os anos? Ser uma pessoa melhor do que aquilo que já somos?

Escrever para fazer sentido do nosso mundo faz a diferença pela positiva. Experimente!

6 – Perder um mau hábito.

Todos temos hábitos, alguns bons e outros maus. Muitas vezes, a definição daquilo que é um mau hábito depende de quem o observa, ou daquilo que a sociedade em que nos inserimos vê como positivo ou negativo. Alguns maus hábitos são-no porque têm efeitos nefastos na nossa saúde, como abusar da cafeína. Outros, porque influenciam o nosso aspeto físico, como roer as unhas.

Por vezes, estamos conscientes do quanto os nossos hábitos nos prejudicam, outras vezes nem tanto.

Deixar um hábito negativo para trás depende apenas e só de nós: temos de perceber o hábito como perigoso, ou nocivo, e definir o motivo pelo qual o queremos deixar. Em certos casos, ajuda ter um hábito substituto, como trocar o café pelo chá. Noutros, deixar um hábito poderá ter de ser radical, exigindo muita força de vontade e concentração no objetivo final, que é deixar aquele comportamento para trás e viver melhor.

Se acha que um dos seus comportamentos o prejudica e leva a que não se sinta bem com determinado aspeto da sua vida, dedique algum tempo a compreender por que motivo o faz e por que razão o quer deixar. Defina uma estratégia de substituição, ou de remoção, e leve-a a cabo.

O orgulho que sentimos de nós próprios quando conseguimos derrotar um vício é altamente compensador.

7 – Desconectar.

Nunca antes foi tão fácil contactar quem está distante, ou saber as respostas às nossas perguntas mal as formulamos, ou estar a par do que é notícia no mundo. É verdadeiramente notável aquilo que a televisão, o telemóvel, a Internet e todos os restantes meios eletrónicos nos permitem fazer e saber.

Escrevi este texto num computador, usei um dicionário online para confirmar o uso de algumas das palavras, pesquisei na Internet pelas imagens que aqui veem, coloquei tudo num email e enviei-o à editora do jornal. Sem meios eletrónicos, isto seria muito mais moroso e trabalhoso. Como o era até há alguns anos atrás, uma época que para os nossos filhos, ou para os nossos netos, é difícil de conceber, ou de entender.

A tecnologia de que dispomos atualmente é surpreendente e, acima de tudo, viciante. Damos por nós a olhar para os nossos telemóveis de cinco em cinco minutos, ou a consultar as nossas redes sociais em permanência, ou a estudar e a ver televisão em simultâneo, ou a ler e a ouvir música.

Só que, pergunto, isso é salutar? Continuamos a ter tempo para nós próprios, para pensar os nossos pensamentos, e não naquilo que uma outra pessoa faz na televisão, ou diz numa rede social?

Considero que devem haver momentos em que pomos a tecnologia de lado e aproveitamos o presente e a companhia de quem está ao nosso lado. Devem haver alturas em que esquecemos o telemóvel que toca e ficamos connosco e com os nossos pensamentos, como forma de conseguir pô-los em ordem e fazer sentido dos acontecimentos dos nossos dias.

As mensagens podem esperar. As notícias podem esperar. Nós estamos em primeiro lugar. Desligar o telemóvel é ligar-se à vida!

8 – Beber mais água.

Tendo em consideração a elevada percentagem de água que nos compõe, e a falta que esta faz ao nosso organismo, adequar o seu consumo às nossas necessidades é sempre uma boa ideia.

De acordo com a Associação Portuguesa de Medicina Preventiva, o nosso corpo perde, através de processos naturais como a respiração, a transpiração, entre outros, cerca de 10 a 12 copos de água por dia. Se a comida nos fornece 2 a 4 copos de água, isso faz que tenhamos de consumir 6 a 8 copos de água adicionais apenas para repor o que perdemos.

A maior parte das pessoas consome menos água do que aquela que deveria e isso prejudica gravemente o seu corpo.

Beba mais água. Água é vida!

9 – Remover os excessos.

Tem a casa repleta de bibelots? Há tanta coisa dentro do porta-luvas do seu carro que é um milagre que este ainda feche? A sua mala está tão cheia que encontrar seja o que for é uma aventura? Está a precisar de remover o que está a mais.

A nossa tendência natural é para guardar tudo o que nos passa pelas mãos e que achamos que pode vir a ter utilidade. Ou, alternativamente, oferecem-nos algo e atribuímos um valor sentimental a esse objeto, como se ele dissesse algo sobre a nossa importância.

Pare um pouco para olhar para tudo o que faz parte da sua vida e que não usa: será que lhe faz assim tanta falta? Pense no tempo que cada objeto lhe rouba por ter de cuidar dele (limpá-lo, mantê-lo, garantir que não se estraga, ou que não se perde, etc.) e avalie e se vale realmente a pena tê-lo a encher o seu espaço e a sua mente.

Custa-lhe desfazer-se das suas coisas? Doe! Saber que os nossos objetos sem uso terão utilidade é uma grande satisfação.

10 – Organize-se!

Nunca sabe a que horas é a consulta do dentista? Falha as reuniões em que deveria marcar presença? Esquece-se do que tinha para comprar? Tem assuntos pendentes a que parece que perde o rasto? Está na hora de se organizar!

Dispense alguns momentos para pensar nos seus afazeres e em como os poderá gerir de forma eficaz, evitando ao máximo os esquecimentos e as falhas que tantos dissabores lhe têm causado.

Será que precisa de uma agenda? O telemóvel pode ser o aliado que lhe falta? Um bloco de notas sempre à mão é a solução?

Pare de fingir que a sua desorganização não é um problema assim tão grande, ou que não tem tempo para se organizar. Se quer ter mais tempo, organizar-se é a solução!

11 – Pare de procrastinar.

Não, não se trata só de uma palavra difícil de dizer. Procrastinar é um problema sério e afeta todas as pessoas, em menor ou em maior escala, consoante os temperamentos e o modo como cada um se organiza.

Desde deixar a entrega do IRS para o último dia (e que grande stress isso pode ser…), a adiar um checkup de saúde, até deixar-se acreditar que se está demasiado ocupado para pegar naquele projeto importante, mas aparentemente moroso, que é da nossa responsabilidade.

As consequências da procrastinação podem ser graves: pense no quão importante é detetar uma determinada condição de saúde no momento certo, ou nas multas que poderá ter de pagar se falhar um prazo, ou no quanto a sua carreira pode sair prejudicada por deixar um tema atrasar-se.

Fazer a tarefa mal ela se apresenta é altamente aconselhável, pois poderá poupar-lhe dissabores futuros, algumas angústias, já para não falar em tempo e em dinheiro.

Faça agora! Quantas vezes o “depois” de transforma em “nunca”?

12 – Pratique a gratidão.

Quando foi a última vez que teceu um elogio? Como é que isso o fez sentir? Bem, não foi? Dizer a alguém o quanto o apreciamos aumenta a nossa boa disposição: a simpatia e a empatia são qualidades maravilhosas do ser humano. E ver o efeito positivo do nosso elogio na outra pessoa faz-nos sentir bem connosco próprios.

Infelizmente, nem sempre temos apenas coisas boas para dizer. Aliás, posso até afirmar que uma grande parte do nosso dia é passada a lamentar aquilo que nos acontece, ou o que vemos acontecer aos outros. Parece ser mais fácil criticar depreciativamente do que oferecer comentários positivos. Creio que tal estará ligado à natureza humana.

Contudo, podemos treinar-nos para contrariar esta tendência, praticando a gratidão de forma diária: todos os dias, dizemos, ou escrevemos, algo por que estamos gratos: por ter uma cara-metade que nos compreende, pelo abraço apertado que recebemos do nosso filho, por ter podido dar uma bela caminhada, por ter um pequeno-almoço delicioso à nossa espera… A lista de cada um será, claro está, diferente.

O que importa é que agradecer aquilo que temos de bom na nossa vida nos ajuda a sermos mais positivos, e a positividade é, sem qualquer sombra de dúvida, uma das chaves para a felicidade.

E, digam-me lá, quem é que não quer ser feliz?

Não posso terminar sem dizer que começar 12 novos hábitos é uma tarefa de dimensões consideráveis.

É da natureza humana querer transformações rápidas e eficazes: queremos modificar os nossos comportamentos e queremos que isso aconteça no momento em tomamos essa decisão.

No entanto, é meu dever avisar: mudar é algo que se faz com pequenos passos e ao longo do tempo. Não acontece de um dia para o outro.

Temos de nos dar tempo para compreender a mudança e o porquê de esta fazer sentido. Temos de querer com todo o nosso ser que ela aconteça e fazê-la acontecer todos os dias, um dia de cada vez. Com o passar do tempo e com a nossa perseverança, a mudança irá efetivar-se.

Estas são apenas 12 sugestões que pode querer acrescentar à sua lista de resoluções. Sugiro que comece muito devagar, com um hábito de cada vez. Um por mês, por que não?

Embora possa parecer que mudar e ser uma pessoa melhor por via destas resoluções vai demorar muito tempo, o que deve pensar é que, se o fizer bem, daqui a 365 dias terá 12 novos hábitos dos quais se pode orgulhar, ao invés de 12 resoluções começadas em Janeiro que em Março já ficaram pelo caminho.

A mudança é possível, mas deve ser feita a passo de tartaruga. Deixemos as lebres para outro dia…