Ter uma alimentação saudável aumenta o nosso bem-estar!

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O relacionamento do ser humano com a comida pode ser difícil: afinal de contas, comemos para viver, ou vivemos para comer?

Acredito que todos nós procuramos ser o mais saudáveis possível. Do mesmo modo que acredito que sabemos bem qual a importância da alimentação na manutenção do nosso bem-estar. Principalmente nos dias de hoje, em que somos constantemente bombardeados com informação sobre “dietas” e o que devemos, ou não, comer, para nos mantermos em forma.

E estas mensagens são, por vezes, contraditórias, tornando muito mais difícil ter a certeza de que as nossas escolhas são as mais acertadas.

No entanto, há algo que me parece consensual: um regime sem verduras/legumes, ou fruta, não pode ser saudável. Que entrem as saladas e as sopas para nos nutrir convenientemente, por favor!

Ao longo dos meus vários anos de vida, já tive a oportunidade de experimentar um pouco ao nível alimentar. Houve inclusivamente um período da minha vida (cerca de 6 anos) em que não comi carne.

Também experimentei, em vários momentos, diminuir o consumo de fritos e doces. Nessas épocas, conseguia sempre reduzir volume e baixar os números na balança.

Contudo, algum tempo depois, começava a faltar-me a força de vontade e voltava aos velhos hábitos, tornando a ganhar os poucos quilos que tinha conseguido perder.

No post que deu o mote a este desafio, contei-te o que me aconteceu depois da minha primeira gravidez e o que tive de fazer para conseguir finalmente voltar a sentir-me bem no meu corpo.

Hoje vou falar-te um pouco mais disso.

O meu lema das duas vezes que estive grávida foi “9 meses para ganhar, 9 meses para perder”. Não quero com isto dizer que comi “como um alarve”. Apenas decidi que podia comer tudo o que gostava, desde que o fizesse para dois (e não por dois!), sem stressar demasiado, e cedendo aos desejos típicos da gravidez.

Quando finalmente me decidi a perder o peso que tinha ganho após a primeira gestação, tinha como objetivo recuperar as minhas formas pré-gravidez, podendo voltar a vestir a minha roupa e aumentar a minha autoestima.

Havia ainda outro motivo para emagrecer: engravidar uma segunda vez estava nos planos e eu não queria ter peso a mais nessa altura, pois não seria saudável nem para mim, nem para o bebé.

Nova gravidez, novo ganho considerável de peso e, quando o mais novo tinha já 9 meses, o peso a mais continuava sensivelmente no mesmo sítio.

Decidi levar o assunto com calma. Já me conhecia e sabia que tudo era possível!

Dei-me mais algum tempo para recuperar do impacto da maternidade e, 13 meses depois de o rebento mais novo ter nascido, dei início a uma modificação alimentar que me ajudou a perder todos os quilos ganhos desde que engravidei.

Pois é, desta vez, e com grande pena minha, não havia tempo para ir ao ginásio. Duas crianças pequenas são muito absorventes!

Assim sendo, a solução inicial tinha de passar por modificar o que comia.

Estávamos num momento em que muito se falava sobre dietas chamadas “paleo” e sobre os efeitos negativos do glúten. Aproveitei para ler mais um pouco sobre os motivos que alguns alegavam para não incluir cereais na sua dieta e para tentar a exclusão quase completa do trigo. Alguns dos argumentos até me pareciam fazer sentido. Podes ler mais aqui, por exemplo.

Para além disso, cresci a ouvir dizer que os farináceos (tudo o que provém de cereais – trigo, milho, centeio, etc.) nos engordam.

Decidi, então, cortar no consumo de cereais em cerca de 80%, passando a consumi-los essencialmente ao pequeno-almoço e a substituir as massas e o arroz (sobretudo as massas) por vegetais, muitos vegetais, e muita fruta.

E, em cerca de 7 meses, perdi 10 kg.

Sem qualquer sombra de dúvida, é preferível aliar uma boa alimentação ao exercício físico: os resultados para a nossa saúde são sempre muito melhores.

No entanto, e porque a minha agenda não me permite idas ao ginásio, e o tempo para caminhadas, por exemplo, é escasso, optei por me disciplinar ao nível alimentar para conseguir os meus objetivos.

O meu plano consistiu em:

  1. Beber cerca de 2,5 l de água por dia.
  2. Incluir muitos mais vegetais nas refeições: estufados, salteados, assados, ou sob a forma de saladas e sopas.
  3. Cortar nos hidratos de carbono provenientes de cereais: eu adoro pão, sobretudo bem cozido, pois sou perdida pela sua textura crocante, mas optei por diminuir o seu consumo. Também cortei nas massas e no arroz. Mais nas massas do que no arroz, devo dizer, porque gosto muito de sushi e não deixei de o comer.
  4. Hidratos de carbono alternativos? Castanhas e batata-doce! Esta última é a minha nova aliada: para acompanhar pratos de peixe ou carne, nas sopas e até ao pequeno-almoço: batata-doce assada é uma verdadeira delícia. E é facílima de fazer: lavo as batatas, ponho-as num pirex forrado com uma folha de papel vegetal, ligo o forno e desligo-o quando já me parecem assadas (entre 20 a 30 minutos, geralmente). Deixo arrefecer, ponho num saco, guardo no frigorífico e consumo durante a semana. Simples! Para um sabor extra especial é só juntar canela.
  5. Dar preferência a proteínas de origem animal mais saudáveis: salmão, ou então peixe de cor branca, frango, perú e vitela.
  6. Consumir fruta à discrição nos intervalos das refeições, para nutrir o meu corpo com fibra adicional, que mantém o meu organismo a funcionar como deve ser.
  7. Incluir igualmente frutos secos (amêndoas, nozes, avelãs, cajú e castanha do maranhão) e sementes, que acrescentam importantes proteínas e minerais. Este tipo de alimentos deve ser consumido, claro está, com a devida moderação.
  8. A gordura de eleição para cozinhar é o azeite. Também gosto de usar óleo de côco.
  9. Estruturar as refeições e simplificá-las:
    1. Pequeno-almoço: duas peças de fruta (geralmente laranja e kiwi), batata-doce, nalguns dias, ou duas fatias de pão com manteiga, noutros, e um copo de leite de soja (porque não gosto de leite de vaca).
    2. Lanche da manhã: iogurte natural com frutos secos (geralmente castanha do maranhão), arandos desidratados e mistura de sementes (sésamo, girassol e abóbora), juntamente com 3 peças de fruta.
    3. Almoço: carne, ou peixe, com legumes salteados e/ou muita salada.
    4. Lanche da tarde: 3 peças de fruta
    5. Jantar: normalmente sopa, com sementes e, por vezes, um queijo fresco, ou uma porção de salmão marinado.
    6. Por vezes, petisco uns frutos secos após o jantar.

Atenção: não sou nutricionista, nem tenho qualquer tipo de formação nesta área! Sou apenas uma curiosa desta temática, tendo já lido bastante sobre o assunto.

O que fiz foi pôr em prática o que aprendi com leituras, experiências pessoais e, sobretudo, ouvindo o meu corpo e percebendo o que me faz, ou não, sentir bem.

Devo também acrescentar que este é um plano que sigo na maior parte do tempo. Há momentos em que abro exceções, sobretudo em dias de festa. E também já aprendi que é muito mais fácil seguir o plano nos dias em que estou a trabalhar, pois ter horários a cumprir ajuda-me na manutenção de uma rotina.

Decidi traçar um plano com os alimentos que devo comer e quando para que, mesmo que “descarrile”, saiba como voltar ao caminho que tracei.

Sim, ainda sinto desejo de certos alimentos que não me fazem bem e que não contribuem para os meus objetivos de bem-estar. Por exemplo, adoro chocolate, só que, infelizmente, não o posso comer, salvo em raras ocasiões.

Saber que não consumo certos alimentos por opção minha, ajuda-me a manter-me firme e a cumprir com os meus objetivos.

Controlar o que se come não é fácil. Para mim, durante muito tempo, não o foi. E, obviamente, não consigo assegurar que o vá ser para sempre.

Há alturas na nossa vida em que a comida se pode tornar um escape e um consolo. Comer é uma atividade social e, com a variedade de informação disponível hoje em dia, é fácil sentirmos que estamos a ser julgados pelo que decidimos, ou não, comer.

No entanto, há sempre uma opção: nutrir bem o meu corpo e ser saudável, ou comer tudo o que me apetece e pagar as consequências com a minha saúde. Qual vai ser?

Já reparaste como hoje em dia é extremamente fácil ter acesso a alimentos pouco saudáveis? Basta entrar num supermercado para que “chovam” sugestões de alimentos que satisfarão a tua gula, por um preço que pode ser considerado irrisório.

As alternativas mais saudáveis parecem mais caras, até. Um pacote de bolachas de chocolate por 50 cêntimos, ou um quilo de maçãs a 1,99€?

Portanto, e de acordo com a minha experiência (muito) pessoal, o que diria é que conseguir modificar hábitos alimentares para ser mais saudável e aumentar o bem-estar passa por tomar uma decisão de como queremos que seja o nosso futuro e a nossa saúde no médio/longo prazo.

Os hábitos podem ser trabalhados, as rotinas podem ser polidas e, acima de tudo, cada um sabe o que é melhor para si. E, se sentires que não sabes, procura a ajuda do teu médico.

Só mais um concelho, desta feita para os que têm de tomar algumas das suas refeições fora de casa: vê sempre quais as alternativas com mais legumes no menu, podendo também pedir uma salada, uma sopa, ou então fruta para acompanhar a refeição, melhorando assim a qualidade dos nutrientes ingeridos.

Voltando à citação que deu o mote para este desafio, Mens sana in corpore sano, nunca te esqueças que a opção de como irás tomar conta de ti e do teu templo é tua e deves fazer aquilo que achas certo e que te faz sentir melhor.

Sê saudável, sempre à tua maneira!

Conta-me, o que fazes para te manter em forma? E gostava muito que partilhasses as tuas receitas saudáveis comigo. Obrigada.

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